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Publicado em Sexta, 30 Setembro 2016 14:02
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Depois da mediação do Tribunal Regional do Trabalho (veja mais aqui), os sindicatos dos Jornalistas do DF e das Empresas do setor (Sinterj/DF) voltaram a realizar nesta quinta-feira, 28/9, mais uma mesa de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas do DF 2016/2017.  

Os patrões não trouxeram nenhuma proposta nova para a negociação sob a alegação de que o SJPDF haveria saído da mesa de negociação, visto que entrou com um pedido de dissídio junto à Justiça de Trabalho.

Os diretores do Sindicato dos Jornalistas foram enfáticos em afirmar que não haviam saído nem interrompido a negociação e que o dissídio é um recurso diante da ausência de avanços concretos. Mesmo com o dissídio eles reforçaram que as duas partes devem continuar buscando uma saída para o impasse no sentido de tentar ir além do que está posto na mesa. Até porque não há garantia de que o Tribunal irá acolher o pedido.  

A realização da reunião havia ficado acordada ao fim da medição realizada pelo TRT. Os representantes do SJPDF defenderam que o encontro pudesse avançar na negociação das cláusulas sociais para "limpar" a pauta que será analisada pelo tribunal.

As empresas voltaram a colocar as dificuldades financeiras e afirmaram que caso haja julgamento do dissídio as consequências podem não ser boas para nenhum dos lados. Os diretores do Sindicato responderam que o dissídio foi uma opção da categoria resultado da oferta colocada pelo Sinterj. Eles cobraram que as duas partes pudessem avançar em exercícios, lembrando que qualquer proposta só pode vir a ser aprovada após assembleia e consulta às redações.  

“Os patrões estão utilizando a mesma estratégia dos anos anteriores a de cansar a categoria sem a apresentação de propostas novas. E agora eles querem jogar para a conta do sindicato laboral a falta de avanço na negociação. Nós não paramos a negociação, nós queremos avançar nos acordo. Mas é preciso que as empresas também tenham disposição de pensar em alternativas”, afirma Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.

Cenário das negociações

A negociação deste ano foi iniciada em fevereiro. Sem avanços, as propostas dos patrões são muito ruins. O Sindicato patronal tem trabalhado com um índice de reajuste muito baixo e avançou pouco nas outras cláusulas econômicas. Os progressos nas negociações das cláusulas sociais também são irrisórios. Para resolver o impasse nas negociações, a categoria realizou mobilizações e também aprovou em assembleia o pedido de dissídio coletivo junto à Justiça do Trabalho. O SJPDF entrou com a solicitação de medição da Justiça do Trabalho no caso, bem como com o pedido de dissídio coletivo. A primeira audiência ocorreu no dia 23/9, mas as partes não entraram em acordo.

Confira mais aqui

Propostas

Os empresários oferecem reajustes dos salários e do piso (5% e 5,5% de aumento, respectivamente), os empresários também continuaram com a proposta de acabar com o retroativo. Para tentar compensar, o piso da Participação nos Lucros e Resultados passou de R$ 900 para R$  1.150 e foi oferecido um abono de R$ 600 a ser pago até junho de 2017, que, segundo os empresários, compensaria o retroativo retirado.

Os jornalistas lutam por um reajuste de 11,33% (resultado do índice da inflação calculado com base no INPC, de 9,91% mais 1,42% de recuperação de perdas do ano passado). A proposta laboral também prevê piso de R$ 2.470. Na Participação nos Lucros e Resultados (também conhecida como abono), os jornalistas solicitam 35% de aumento, com o teto R$ 2.800 e o piso de R$ 2.300 (Confira o quadro comparativo de propostas abaixo).  

Comparação de propostas

  Proposta dos trabalhadores Proposta dos Patrões
Reajuste INPC (9,91%) + 1,42% 5% de aumento sem retroativo (inclusão de proposta de abono de R$600 a ser pago até junho de 2017)
Piso RS 2.470 R$ 2.370 (5,5%)
PLR 35% da remuneração  
    - Teto - R$ 2.800
    - Piso - R$ 2.300

35% da remuneração

Teto – R$ 1.350

Piso – R$ 1.150

Auxílio-alimentação Mínimo de R$ 380 por mês (R$ 19 por dia) e, para quem ganha mais do que isso, reajuste segundo o INPC Sem reajuste no valor mínimo
Auxílio-creche Mínimo de R$ 500 e reposição segundo INPC . Educação para quem recebe além desse valor R$ 450 (7,1%)
Seguro de vida Reajuste de 14,42% Reajuste de 7%
Horas-extras Adicional de 80% e compensação correspondente Manter

Veja mais sobre a negociação aqui http://www.sjpdf.org.br/acoes/campanha-salarial

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