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Publicado em Segunda, 17 Junho 2013 17:12
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Atingido no olho por uma bala de borracha durante a quarta manifestação contra o aumento do preço das passagens de transporte público, realizada em São Paulo, o fotógrafo freelancer Sérgio Silva diz que, em seus três anos como profissional, nunca havia presenciado algo parecido com o que ocorreu na última quinta-feira (13/5).

Crédito:Reprodução

Fotógrafo tem menos de 5% de chance de voltar a enxergar com olho machucado

De acordo com o R7, Silva levou o tiro no momento em que a Polícia Militar entrou em confronto com manifestantes na região da rua da Consolação com a rua Maria Antônia, no centro da capital. Após ser ferido, um professor que estava no local ofereceu o primeiro socorro ao fotógrafo. 

“Ele foi um anjo da guarda, me tirou da confusão. Caminhamos da rua Caio Prado até o hospital Nove de Julho, ele me carregando nos braços, meu olho sangrando. Nenhum policial me socorreu, nenhuma ambulância me socorreu. Passei uns 40 minutos andando, sofrendo muito, era uma dor insuportável”, disse.
Silva conta que conseguiu perceber que a bala veio da direção da tropa policial que estava parada no cruzamento da rua da Consolação com a Maria Antônia, mas afirma que não se pode "culpar" a PM pela truculência. Em sua opinião, o que ocorreu foi uma ordem severa por parte do Estado.
“Quando começou o confronto com os manifestantes eu procurei me afastar porque eu estava no meio do fogo cruzado. Procurei abrigo atrás de uma banca de jornal e tinham muitas pessoas correndo nessa direção, fugindo das bombas e dos gases. Nesse momento eu quis saber de onde estavam vindo essas bombas e quando sai de trás da banca fui atingido e perdi a noção do que estava acontecendo. Veio da tropa, mas não sei dizer que policial atirou e acho que isso nem é o mais importantes. Nem a PM é o mais importante, porque eles estão ali seguindo ordens. O Estado é o maior responsável”, explicou.
O fotógrafo acrescenta que, ao perceber que estava machucado, ”foi só desespero. Pensei na minha família, minha filha, na minha profissão. Meu olho é meu instrumento de trabalho!”, ressaltou.
Internado desde a madrugada da última sexta-feira (14/6) no hospital H Olhos, em São Paulo, Silva teve alta na manhã do último sábado (15/6) e está recuperando-se em casa. Segundo o fotógrafo, o laudo dos médicos ainda não indica se ele irá recuperar a visão – ou parte dela.
“Meu olho está muito inchado, muito machucado por dentro. Preciso esperar desinchar, fazer nova avaliação. É um processo lento. Hoje, minha visão é nula com o olho esquerdo”, contou. E completou: “Minha vontade é continuar na minha profissão. É o que eu gosto, o que eu sei fazer, mas preciso saber se tenho condições físicas. Se eu tiver, mesmo com um olho só eu vou continuar”.
Silva ainda não sabe se irá mover alguma ação, mas foi orientado por advogados que o Estado pode ser responsabilizado por seu ferimento.

Publicado pelo Portal Imprensa

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