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Publicado em Quarta, 04 Outubro 2017 16:36
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Ainda que o Brasil tenha fechado agosto com um saldo positivo de 35.457 novos postos de trabalho, de acordo com números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o acumulado dos últimos 12 meses permanece negativo. Segundo dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última semana, 13,1 milhões de brasileiros continuam desempregados.

Foi justamente por conta da crise econômica que o designer Tiago Perrart, 27 anos, e o analista de marketing Daniel Alves, 31 anos, decidiram criar, em agosto, a fanpageVagas Arrombadas”. Em busca de recolocação no mercado, a dupla se deparou com anúncios de emprego estapafúrdios.

Horários de trabalho acima da jornada permitida, valores salariais completamente fora dos praticados no mercado, ausência de benefícios, entre outros.  Algumas das vagas destacadas na fanpage escancaram a precariedade do mercado. Trabalho em troca de hospedagem, benefícios que são obrigações dos empregadores, estágios que ultrapassam oito horas de jornada diária são alguns dos exemplos. 

“Não é só a minha área que está ruim. A página tem mostrado para algumas pessoas que trabalham num regime abusivo, que aquilo não é normal. Infelizmente, a precariedade é geral”, defende Perrart. A fanpage, que conta com mais de 100 mil curtidas, não se limita a anúncios da área de comunicação, mas são do setor as ofertas mais absurdas. 

“O mercado de comunicação está saturado. E, mesmo fora das empresas que trabalham diretamente com isso, num cenário de crise, o primeiro custo a ser cortado é justamente o com comunicação/publicidade”, defendem. Para os criadores, a oferta de empregos na área de comunicação é grande. “Infelizmente, por mais ‘arrombada’ que seja a vaga, sempre alguém acabará se sujeitando às condições. Contas chegam, boletos vencem e as pessoas precisam de dinheiro”, ponderam.

Engraçadinhos

Mirando os novos profissionais da geração millennials, muitas das vagas ofertadas por agências de comunicação abusam de brincadeiras e piadas nos anúncios. Ao descrever as exigências para compor o time, por exemplo, já foi solicitado que os candidatos ouçam Anitta e Pabllo Vittar, tenham camisetas do Star Wars e não se importem de trabalhar num ambiente de “zoeira”.

“Acreditamos que funciona [os anúncios] em parte pelo deslumbramento do universitário que sai da sala de aula buscando o glamour do publicitário da TV. Existe a parcela que acredita que realização profissional é poder trabalhar de jeans e camiseta, na Vila Madalena, e ter contato com muitas empresas gigantes, mesmo que sua remuneração não espelhe nada disso”, dizem.

Para eles, este ambiente descontraído serve como maquiagem para um velho problema conhecido dos profissionais das agências: o abuso. “Há o jovem que acha bacana contar para os amigos como a agência dele é moderna: tem vídeo game, ping pong, gato, pizza e cerveja; mesmo ele sabendo que estes itens estão ali pelo fato de não ter hora pra sair. Pelo contrário. Acreditamos que o resultado de um grande trabalho vem de colaboradores satisfeitos e inspirados, e que isto ocorre quando eles se sentem valorizados. Há até mesmo a questão da continuidade do trabalho. Há uma grande rotatividade de funcionário nas empresas que não oferecem boas condições. A pessoa pode aceitar o emprego, pois necessita, mas não deixa de procurar algo melhor e quando consegue, vai embora”, dizem.

Após a exposição dessas ofertas contraditórias, os criadores do “Vagas” já notaram que houve constrangimento por parte das agências. “Cada uma reage de um jeito. Tivemos empresas que entraram em contato buscando algumas dicas de como melhorar seus anúncios - para essas, aparecer na página foi até benéfico, pois em alguns casos, a vaga nem era ruim, só estava mal apresentada. Outras, organizam os funcionários para os defender nos comentários da postagem. Alguns empresários entraram e mandaram mensagens exigindo retratação. Não foram atendidos. E, claro, há sempre as empresas que ameaçam processo”, defendem.

Mudanças na CLT

Em novembro, entra em vigor a nova legislação trabalhista proposta pelo governo Michel Temer. Entre os diversos pontos, constam as mudanças sobre férias, jornadas de trabalho, plano de cargos e salários, férias, deslocamentos e regulamentação dos profissionais freelancers, que atuam por home office, hoje sem cobertura legal.

“É complicado avaliar as mudanças para esse setor, pois a CLT já não vem sendo respeitada por grande parte das empresas há tempos. O dito ‘freela fixo’, a contratação por prestação de serviços, mas com horários determinados como um funcionário normal - prática ilegal, pois cria vínculo empregatício - é bem comum”, dizem.

“Com a exceção de alguns poucos empreendedores que estão caindo de paraquedas devido ao momento econômico, acreditamos que o mercado sabe muito bem onde está errando e onde pode melhorar. Quem aparece na página, sabe o porquê de estar lá. Não existe saturação de mercado ou crise que dê aval para se lucrar sobre a miséria do próximo”, defendem.

Devido ao sucesso da página, Perrart e Alves criaram também um grupo fechado para discussão. Segundo eles, diversos pontos da reforma trabalhista já foram discutidos, ainda que sem consenso.

“O grupo vem servindo como uma comunidade para troca de conhecimentos, informações, experiências etc. Alguns seguidores da página trabalham em áreas de recrutamento e coaching e vêm dando dicas para as pessoas que estão buscando emprego. Têm sido bem interessante”, avaliam.

“O ‘Vagas’ começou como um espaço para o tragicômico, para rir dos absurdos, mas a própria audiência começou a enxergar como um serviço e foi, aos poucos, moldando a linha da página. Hoje, a gente busca expor o empregador da vaga arrombada e propor o debate entre ele a audiência”, aponta Alves.

Ainda que seja uma forma de prestação de serviço, a dupla já recebeu diversas ameaças de processo. “No início consultamos alguns advogados sobre a questão de não censurar os nomes das empresas. No nosso entendimento, nenhuma censura é necessária, pois nossas postagens não incorrem em crime algum. Todas as vagas expostas na página foram divulgadas abertamente pelas empresas. No fim, estamos ajudando as empresas divulgando seus anúncios. No mais, o ‘Vagas Arrombadas’ nasceu exatamente com esse propósito de expor e pretendemos seguir firme com ele. As ameaças não nos intimidam e nenhuma publicação será deletada”, concluem.

Fonte: Portal Imprensa

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