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Em meio a uma onda de denúncias de assédio sexual contra políticos, artistas e jornalistas nos Estados Unidos, um dos principais âncoras da televisão americana, Charlie Rose, foi suspenso pelas emissoras de TV americanas CBS e PBS após ser acusado de assédio sexual por oito mulheres nesta segunda (20).

Mais cedo, o "The New York Times" anunciou que suspendeu um de seus principais repórteres em Washington, o correspondente da Casa Branca Glenn Thrush —ele também, acusado de assediar colegas em Washington.

As denúncias engrossam uma avalanche de casos de assédio sexual relatados recentemente, que já atingiu políticos, o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, âncoras e comentaristas da NBC e NPR (National Public Radio) e o ator Kevin Spacey (o Frank Underwood da série "House of Cards"), entre outros, e se espalhou entre a sociedade americana por meio da hashtag #MeToo —"Eu também".

Rose, 75, foi denunciado por colegas e ex-estagiárias numa reportagem do "The Washington Post", publicada na tarde desta segunda (20).

Em cinco dos oito casos relatados, o jornalista teria apalpado as pernas das mulheres, algumas vezes na parte superior da coxa. Outras duas afirmaram que foram surpreendidas com Rose nu diante delas, enquanto estavam em viagem ou a trabalho em sua residência. Uma delas diz que ele fazia ligações para relatar fantasias, como a de vê-la nadando nua numa piscina.

"Precisei de dez anos e de um intenso movimento de reavaliação cultural para que eu entendesse o que esses momentos significaram", declarou ao Washington Post Reah Bravo, que foi estagiária de Rose em 2007. "Ele era um predador sexual, e eu fui sua vítima."

O jornalista é apresentador de um jornal matutino na CBS e também de um programa de entrevistas que leva o seu nome, além de colaborar com o prestigiado "60 Minutes".

Em nota, Rose pediu "profundas desculpas por seu comportamento inadequado" e disse estar "muito envergonhado" -mas disse que acreditava ser correspondido por algumas das mulheres.

"Eu me comportei de maneira insensível algumas vezes, e assumo a total responsabilidade por isso, ainda que eu não acredite que todas essas alegações sejam precisas. Eu sempre achei que estava seguindo sentimentos comuns, mas agora percebo que foi um erro", declarou.

"NEW YORK TIMES"

Também nesta segunda (20), o "The New York Times" anunciou a suspensão de um repórter acusado de assédio sexual.

Glenn Thrush, 50, foi apontado como responsável por investidas contra quatro jovens repórteres, num artigo do portal Vox. A autora, Laura McGann, é uma delas.

As mulheres, em início de carreira, tinham pouco mais de 20 anos. Todas disseram ter sido assediadas por Thrush sob o efeito de álcool, depois de uma festa entre amigos e colegas num bar. Thrush teria tentado beijar as repórteres, passar a mão entre suas pernas ou encurralá-las num canto do bar ou num táxi. Uma delas, porém, disse que não foi pressionada e que não se considera uma vítima.

O último caso teria ocorrido em junho deste ano.

Nenhuma das mulheres prestou queixa contra Thrush -por entenderem que seria melhor manter boas relações com o repórter, conhecido por sua influência em Washington.

"Ele era uma pessoa incrivelmente influente na redação e no jornalismo político, um mundo em que eu ainda tentava ingressar na época", afirmou McGann, no artigo. Ela disse ter sido beijada à força por Thrush há cinco anos, depois de uma festa entre amigos.

"Ele se apresentou para mim como um aliado, um mentor", diz a jornalista de 23 anos, envolvida no episódio de junho.

Em dois dos casos, Thrush enviou um e-mail no dia seguinte, pedindo desculpas, mas sem explicitar exatamente pelo quê. As repórteres responderam brevemente e não comentaram mais o caso.

Ao Vox, Thrush afirmou que está em tratamento contra o alcoolismo e que, nos últimos anos, fez "coisas das quais se envergonha e que trouxeram imensa dor à sua família e amigos".

"Eu peço desculpas a qualquer mulher que se sentiu desconfortável em minha presença, e por qualquer situação em que me comportei de maneira inadequada. Qualquer comportamento que faça uma mulher se sentir desrespeitada ou incomodada é inaceitável", escreveu o repórter a Vox.

O jornalista afirmou que o episódio de junho, relatado na reportagem, mudou sua vida e que ele estava "profundamente arrependido".

O The New York Times informou que o comportamento atribuído ao repórter "não está de acordo com as práticas e valores" da organização e que irá investigar o caso. Até o término da investigação, Thrush ficará suspenso.

POLÍTICOS

No mundo político, as denúncias de assédio sexual até agora atingiram o republicano Roy Moore, do Alabama, que vem sendo pressionado a desistir de concorrer por uma vaga no Senado, e o senador democrata Al Franken, de Minnesota.

Nesta segunda (20), Franken foi alvo de mais uma denúncia. Uma mulher disse à CNN que o senador apertou sua bunda enquanto posava para uma foto ao seu lado, em 2010. O senador disse não se lembrar do ocorrido, mas afirmou que lamentava o fato. Antes, ele fora acusado de ter beijado à força uma mulher e de ter tocado em seus seios enquanto ela dormia, quando ainda não era senador, em 2006.

Moore, que nega as acusações, disse que não desistirá da campanha. Já o Senado vem sendo pressionado a abrir uma investigação contra Franken.

O presidente Donald Trump, ele próprio alvo de acusações de assédio durante sua campanha, chegou a chamar o senador democrata de "Al Frankenstein" no Twitter.

"E pensar que, há apenas uma semana, ele estava fazendo comentários a quem quisesse ouvir sobre assédio sexual e respeito pelas mulheres", escreveu.

Trump foi menos incisivo no caso de Moore, seu colega de partido: por meio de sua porta-voz, informou que "o povo do Alabama deveria decidir" sobre o candidato.


ESTELITA HASS CARAZZAI 
DE WASHINGTON

Fonte: Folha de S. Paulo

 

 

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