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Publicado em Quinta, 02 Janeiro 2020 14:43
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TT Catalão, reXist!

Com imenso pesar, respeito e admiração, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamenta a passagem do jornalista, poeta e ativista cultural Vanderlei dos Santos Catalão, nosso desde já saudoso TT Catalão. Sua trajetória de vida e luta foi e sempre será uma inspiração para estudantes e profissionais do jornalismo em Brasília e no Brasil.

TT Catalão trabalhou em publicações como O Cruzeiro e o Correio Braziliense. Participou da construção da cena musical e do cinema brasiliense. Lutou contra a ditadura e pela liberdade de expressão. Criou e geriu o Espaço Cultural Renato Russo, da 508 Sul, tendo em diversos momentos assumido projetos no âmbito da Secretaria de Cultura do DF.

Trabalhou no Ministério da Cultura durante o governo Lula e foi um dos idealizadores do Programa Cultura Viva. Nos últimos meses, enquanto enfrentava um tratamento oncológico, direcionou seu trabalho para a defesa da democracia e no combate à censura. Fez ilustrações e textos contra o desmonte das políticas culturais e ambientais.

O jornalista também se posicionou contra a violência religiosa e ações policiais que resultaram em mortes de jovens negros, como no caso do massacre de Paraisópolis, em São Paulo. Em seu último post, publicado no dia 27 de dezembro, TT saudava a chegada do novo ano com um chamado:

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Nos despedimos desse grande mestre relembrando um texto feito por ele para a capa do Correio Braziliense, em 1999, em resposta ao então governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que em manifestação pública conclamou seus eleitores a boicotar a publicação. Seguiremos inspiradas e inspirados por essas palavras tão atuais.

 

Para Que Serve Um Jornal

Por T. T. Catalão

Um jornal serve para servir. Servir principalmente a uma cidade.
Um jornal, se for só papel, serve para cobrir o chão quando pintamos a casa ou embrulhar peixe no mercado.
Um jornal, se for só negócio, serve apenas para crescer em lucros, máquinas e construções.
Um jornal, se for mero símbolo, tradição e história, serve para discursos pomposos mas ocos de compromisso com a vida.
Um jornal-grife funciona só para o marketing ou propaganda de empresa líder de mercados.
Mas o que faz um jornal servir é algo além da mercadoria ou da imagem que projeta.
Um jornal não tem senhores, domínios, posses ou possessões. Um jornal serve quando não é escravo até do próprio sucesso.
Então para que serve mesmo um jornal?
Um jornal serve para publicar o que se fala, refletir o que se publica, aprofundar o que se opina sobre o publicado e ampliar todas as opiniões sobre o dito e o refletido.
Um jornal serve para servir ao seu eixo principal de credibilidade: o leitor.
Um jornal serve para ir além da notícia quando busca suas relações, seu contexto, bastidores, as circunstâncias que geraram o fato e até avaliar suas consequências.
Um jornal serve para pensar. E ser pensado por gente livre. Um jornal não é administrado por máquinas servis. Um jornal serve quando desperta atitudes.
Serve quando é veículo dos muitos meios, modos, culturas e linguagens componentes de uma sociedade.
Serve e é estimulante e rico quando abriga as contradições e com elas convive. E só estará vivo e em intensa atividade se servir aos que o leem e o sustentam.
Um jornal serve quando não teme. Nem o conflito natural das divergências nem o confronto acintoso com quem tenta intimidá-lo.
Um jornal serve quando se expõe até a equívocos, mas extrai lições e busca avançar não permitindo que a prudência se confunda com o medo.
Um jornal serve como serviço público, que é a definição mais básica de imprensa como instituição.
Um jornal serve para reagir, para admitir e apontar erros, para estabelecer as linhas de diálogo com as representações organizadas de uma cidade. Serve também para o indivíduo que não adquiriu voz partidária, sindical ou até mesmo de classe tal a sua exclusão no convívio social.
Um jornal serve para emocionar, dar prazer, informar por inúmeros suportes do fato além do texto, deleitar, entreter, indignar, comover e demonstrar que vive intensamente o seu tempo e a sua região.
Um jornal não é só um amontoado de linhas, textos, fotos e traços.
Um jornal serve quando se torna fundamental, preciso, precioso, indispensável para o que na verdade o mantém vivo: a credibilidade.
Em resumo, um jornal serve para servir!

foto.2.tt

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