assembleia unificiada

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O ano de 2020 foi, sem dúvida, um dos mais desafiadores para o exercício do jornalismo no Brasil. Não poderia ser diferente no âmbito da luta sindical. Estivemos ao lado dos/as jornalistas em todos os momentos e circunstâncias, com atuação política e jurídica.

Começamos 2020 enfrentando a Medida Provisória 905, que pretendia extinguir o registro de jornalistas e radialistas. Em articulação com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e com os Sindicatos dos Radialistas do Distrito Federal (Sinrad-DF), percorremos gabinetes e dialogamos com parlamentares em defesa do registro profissional e saímos vitoriosos/as dessa empreitada.

Ao mesmo tempo, combatemos as agressões do presidente da República Jair Bolsonaro e de seus seguidores, que transformaram os jornalistas em alvo preferencial na busca de uma blindagem para críticas e no total menosprezo aos princípios democráticos. Denunciamos os episódios de violência ao Ministério Público e reivindicamos reforço na segurança por parte da Presidência da República e do Governo do Distrito Federal. Algumas medidas foram tomadas, mas as agressões continuaram e até mesmo se agravaram no contexto da pandemia, levando alguns veículos a retirar suas equipes da cobertura presencial no Palácio do Alvorada.

Enquanto negava a gravidade da pandemia de Covid-19, sugeria o uso de medicamentos sem comprovação científica e buscava saídas econômicas para a crise, o governo federal lançou uma medida provisória que permitia reduções salariais e suspensões de contrato, sem necessidade de acordo coletivo. A medida foi rapidamente adotada pelas empresas de comunicação e combatida pelos sindicatos.

Conseguimos negociar os termos de alguns acordos, ampliando garantias para a categoria, como estabilidade, plano de saúde e adicional para custear o teletrabalho. Ao mesmo tempo, lutamos para que os termos das convenções e acordos coletivos continuassem vigentes, mesmo diante das manobras do empresariado para não prorrogar esses instrumentos.
Foram necessários seis meses de cobranças insistentes para que o sindicato patronal aceitasse negociar a renovação da nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), vencida em 1o de abril. Ao fim de uma difícil sequência de negociações, em que a "oferta" inicial foi de reajuste zero, fechamos acordo para assegurar um mínimo de reposição de perdas. A partir de janeiro/21, o piso salarial tem reajuste de 3,3% (INPC integral do período). O mesmo índice foi aplicado ao auxílio alimentação, que passa ao valor mínimo de R$ 330. Os demais salários serão rejustados em 1,65% - também a partir deste mês.

 E vimos muitas redações se unirem contra assédios e arbitrariedades, cientes do seu papel fundamental de levar para a sociedade brasileira informações que salvam vidas.

Coube ao sindicato, inclusive, fiscalizar e denunciar empresas que não adotaram as medidas adequadas para o enfrentamento da Covid-19. Algumas delas chegaram a resistir em dispensar equipes para o teletrabalho, não ofereceram o equipamento de segurança mínimo (máscara e álcool gel) e ainda exigiram o retorno de jornalistas infectados antes dos 15 dias de isolamento preconizado pelas autoridades de saúde.

Fizemos denúncias públicas e acionamos o Ministério Público para esse acompanhamento. Acionamos a Secretaria de Saúde para realizar uma vacinação contra a gripe na sede do sindicato, uma vez que a prevenção à doença é uma forma de ampliar a imunidade dos profissionais que estão na linha de frente da cobertura.

Também realizamos pesquisa sobre o impacto da pandemia na saúde dos/as jornalistas e alertamos sobre os efeitos na saúde mental da categoria, que já inspira cuidados pela natureza do trabalho e pela dinâmica assediadora da maior parte das redações. Realizamos debates, plenárias e assembleias virtuais para nos mantermos unidas/os e mobilizadas/os, mas sem abrir mão da segurança e do distanciamento.

No âmbito jurídico, entramos com ações - bem-sucedidas - para garantir que colegas jornalistas com comorbidades e condições especiais não reconhecidas por algumas empresas permanecessem afastados do local de trabalho. Para isso, contamos com o trabalho de um novo escritório de advocacia, Riedel Advocacia, escolhido a partir de um processo de seleção amplo e transparente, que levou em conta os mais de 60 anos de atuação do escritório, com foco na área trabalhista.

A luta contra a violência contra as mulheres e o racismo também marcou a atuação do sindicato em 2020. O Coletivo de Mulheres Jornalistas impulsionou campanhas de denúncias de combate ao assédio e à violência, enquanto apoiadores de Jair Bolsonaro e representantes de grupos extremistas de direita voltavam seus ataques principalmente para as jornalistas.

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF) esteve ao lado dos/as jornalistas negros/as e do movimento negro, apoiando as manifestações de rua organizadas a partir do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos. O grupo também manteve um espaço semanal no jornal Correio Braziliense para a publicação de artigos de lideranças e pesquisadores negros. A Cojira ainda realizou um ciclo de debates que contou com a participação, por meio de lives, de profissionais e pesquisadores que se dedicam a pensar em um jornalismo antirracista.

Em diversos momentos de 2020, destacamos a importância dos/as jornalistas para a democracia. Defendemos a comunicação pública e celebramos o centenário do jornalista Carlos Castello Branco, que em plena ditadura fortaleceu o sindicato e enfrentou os desmandos dos militares.

Também homenageamos os colegas que partiram, alguns deles em decorrência da Covid-19, deixando uma imensa saudade entre familiares e colegas. Profissionais que seguirão inspirando novas gerações, com as quais também nos preocupamos. Nesse sentido, realizamos uma Campanha pela Valorização do Estágio em Jornalismo, com a edição de uma cartilha amplamente divulgada, organizada após pesquisa que constatou uma série de irregularidades nas redações e assessorias, como estagiários em escala de plantão e com sobrecarga de trabalho em plena pandemia.

Sabemos que 2021 chega repleto de desafios, boa parte deles persistentes e outros novos. Além da expectativa de que o governo cumpra com suas responsabilidades e ofereça a vacina para a população, também seguiremos ao lado das/os jornalistas na luta contra ameaças e agressões. Não abriremos mão da defesa de nossos direitos trabalhistas, sob ataque desde o governo Temer.

Estamos atentos e atentas à precarização das condições e contratos de trabalho, que tanto tem abalado a saúde mental da categoria. Vamos enfrentar o desafio de debater novos modelos de remuneração dos conteúdos jornalísticos online, bem como as novas rotinas de produção. Todas as tecnologias são bem-vindas, mas temos a certeza de que elas são incapazes de substituir o papel dos/as jornalistas na apuração e transmissão de notícias comprometidas com a democracia.

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