assembleia unificiada

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Publicado em Quinta, 24 Dezembro 2020 18:48
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Não apenas por ter se mantido por três dias, entrando pelo quarto até a suspensão, que a greve de dezembro na redação do Correio Braziliense merece ser olhada com atenção, agora que se anuncia um começo de ano ainda com o país e o mundo sob a sombra da covid. O movimento dos jornalistas na principal redação de jornal impresso de Brasília contém, também nas entrelinhas, notícias e indicações que podem ser fundamentais para a categoria ao longo de 2021.

A paralisação mais longa no Correio nas últimas duas décadas sinaliza, em primeiro lugar, que é possível - além de necessário - resistir à ofensiva do capital para impor na prática relações de trabaho sempre mais precárias. Pela duração e pela vitória alcançada, a greve retrata também os avanços feitos na redação, em matéria de organização e unidade, nas lutas que se sucedem desde 2016. Esses avanços têm expressão no reconhecimento, pela empresa, da comissão que representa os jornalistas - igualmente, um canal importante para a relação entre o sindicato e a categoria.

Entretanto, não se vai longe na compreensão do que aconteceu e está acontecendo, a menos que se tome em consideração o que levou a redação a cruzar os braços: dezembro foi o terceiro mês seguido de atraso no pagamento dos salários regulares. Um problema que, é importante dizer, afetava os editores do jornal já há pelo menos dois anos. Em outras palavras, foi preciso recorrer a uma forma de luta como a greve apenas para garantir o direito mais elementar do trabalhador - o de receber o salário pelo mês trabalhado dentro do prazo legal.

Por si, esse elemento é revelador sobre o momento vivido pelo movimento sindical. A imprensa hegemônica patina em uma crise de longa duração e horizonte distante. A sequência de demissões dos últimos dias em jornais como Globo e Estadão, às vésperas das festas de fim de ano, apagam qualquer dúvida ou ilusão sobre o futuro imediato. É no cenário de uma defensiva profunda que a classe trabalhadora terá de se recompor, acumular forças e, na medida das possibilidades e oportunidades, contra-atacar.

É por essa perspectiva que o movimento no Correio pode e deve ser visto, também, como experiência algo inédita. Nas condições extremas da pandemia, com uma redação reorganizada para o teletrabalho e a concentração mínima de profissionais no ambiente de trabalho, ainda assim foram feitas assembleias diárias, com participação de dois terços dos jornalistas. Não é pouca coisa. Como nao é irrelevante que a paralisação tenha se mantido mesmo depois de votações apertadas, e que as diferenças de opinião e avaliação tenham sido substancialmente respeitadas.

O jornal não deixou de ser publicado, é verdade, mas o impacto da adesão à greve não passou despercebido. Não existe consenso quanto à influência que ela possa ter tido para a solução do impasse salarial, mas é certo que, por uma vez, também a empresa arcou com custos por nao honrar o compromisso sagrado do salário - da mesma maneira como os trabalhadores têm pagado o preço da crise nos juros aplicados a faturas de cartão e outras contas.

É para o cenário que se esboça para 2021 que deve se voltar o balanço dessa disputa vivida no Correio Braziliense. Tudo indica que, uma vez mais, começaremos o ano nas condições extraordinárias da pandemia. Muito possivelmente, será assim que enfrentaremos, logo nos primeiros meses, mais uma campanha salarial que se anuncia difícil, com negociações trancadas e disposição mínima do sindicato patronal para um acordo minimamente aceitável.

Examinar, discutir e entender as experiências de 2020 está entre os trunfos com os quais poderemos contar. A mensagem deixada pela redação do Correio é de luta e determinação.

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