Representantes dos sindicatos dos Jornalistas do DF e das Empresas de Televisão, Rádios, Revistas e Jornais do DF (Sinterj-DF) voltaram a realizar reunião de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas do DF 2015/2016 nesta quarta-feira, 20/5. Permaneceu o impasse em relação à reposição das perdas inflacionárias do período (veja mais aqui). As empresas afirmaram que não possuem condições de custear o reajuste. Os representantes do SJPDF recolocaram que não é possível fechar um acordo com índice abaixo da inflação, o que na prática significaria perda de poder de compra dos trabalhadores.
"Pela proposta atual das empresas - prevendo reajuste parcelado na assinatura e 90 dias depois -, e se o acordo fosse fechado no fim de maio, o que na prática está sendo proposto é um aumento de 4,5% relativo ao período dos 12 meses a contar da data-base, o que é quase a metade do INPC fechado no mês de abril. Ainda segundo a pauta patronal, se o acordo fosse fechado mais tarde, o índice seguiria diminuindo. É inaceitável", diz Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
Os diretores do Sindicato dos Jornalistas cobraram que as empresas apresentassem nova proposta para que houvesse avanço na negociação, mesmo que ainda não em uma condição que viabilizasse um acordo. Eles defenderam que fossem retiradas as cláusulas de fim do retroativo e de reajuste proporcional, conforme sinalização manifestada por integrantes do sindicato patronal na reunião anterior. Os representantes patronais informaram que irão realizar nova assembleia das empresas. Uma nova reunião ficou agendada para a próxima semana.
Mediação
Se permanecer o impasse, os integrantes do SJPDF propuseram o convite do Ministério Público do Trabalho para atuar como mediador da negociação. Representantes do Sinterj/DF responderam afirmando que preferem a negociação direta.
“Por que não chamar outros agentes mediadores como o Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF) ou o Tribunal Regional do Trabalho? Eles podem contribuir com a busca por uma saída para a negociação”, sugeriu Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF.
Proposta dos trabalhadores
A última proposta da categoria apresentada aprovada na assembleia de 8 de maio foi protocolada na segunda-feira, 11/5. Foram feitas duas alterações: o reajuste saiu de 5% para 4% mais o índice do INPC e o adicional de horas-extras foi de 100% para 90% (confira a proposta completa abaixo).
| Pauta dos trabalhadores | Propostas dos patrões | |
| Reajuste Salarial | 4% + INPC | 6% |
| Piso | R$ 2.700 | R$ 2.226 |
| PLR | 45% da remuneração Teto - R$ 3.000 Piso - R$ 2.500 |
35% do salário-base Teto - R$ 2.650 Piso - R$ 1.700 |
| Auxílio-alimentação | Mínimo de R$ 480 por mês. Para quem ganha acima, reajuste segundo o INPC refeição |
Mínimo de R$ 220 no mês da assinatura da CCT e R$ 240 90 dias depois |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 550 e reposição segundo INPC | Reajuste de 8% (R$ 410,40) |
| Seguro de vida | Mesmo valor do reajuste salarial | Reajuste de 8% (4% na assinatura e 4% em 90 dias) |
| Cláusulas-extras |
1) Horas-extraordinárias- adicional de 90% e compensação na mesma medida; 2) Licença-maternidade de 180 dias; 3) Adicional para quem produz para mais de um veículo, sendo 20% para situações ocasionais e 35% para situações habituais. |
- Sugerem a retirada das cláusulas adicionais da mesa de negociação |