As negociações da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas 2015/2016 estão marcadas por dificuldades desde o início. Sem avanços significativos, a última proposta apresentada pelos patrões prevê reajuste salarial de 7%, índice abaixo da inflação (8,42%), e retroativo pago de forma parcelada até janeiro de 2016 (confira a proposta abaixo). O impasse nas negociações deste ano está na reposição inflacionária e em outras cláusulas cuja oferta patronal ainda não chega ao INPC de referência. As empresas têm argumentado que a crise econômica impede chegar ao índice no reajuste salarial.
Mas dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que apesar da situação difícil de setores produtivos, os acordos fechados seguem com maioria absoluta de ganho real e reposição inflacionária. Em 2014, o levantamento feito em 716 unidades de negociação da indústria, comércio e dos serviços de todo o país mostra que houve aumento real em 92% dos casos analisados.
Em 2015, em um painel de 131 negociações no Brasil 81% conseguiu resultados com ganhos reais (confira tabela na página 2 do documento do Dieese que pode ser acessado abaixo). Outro argumento das empresas é que o DF tem uma situação especial em razão das dificuldades de pagamento do GDF. Mesmo assim, o Departamento sinaliza que os acordos fechados neste ano na Capital corroboram a tendência de ganhos reais, apesar de serem mais tímidos do que nos anos anteriores.
Como exemplo no DF temos a negociação dos rodoviários, destacada pelo poder de mobilização dos trabalhadores, que paralisaram suas atividades durante três dias, e pela conquista do reajuste de 10% nos salários. Essa categoria conseguiu ganho real de 1,53% e reajuste de 11% no tíquete alimentação.
O coordenador-geral do SJPDF Wanderlei Pozzembom afirma que o argumento de dificuldades financeiras já é utilizado há muitos anos pelos empregadores mas não pode justificar um péssimo acordo. “Reconhecemos que há dificuldades na economia. Mas a conta não pode ficar para os trabalhadores que são os mais atingidos por esta crise", comenta.
Outros estados
Nas negociações de outros estados, também há diversos casos em que já houve acordo com reposição inflacionária, como no Espírito Santo e Rio de Janeiro, ou que as empresas já sinalizaram na mesa aceitar chegar pelo menos ao índice da inflação, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O SJPDF divulgou matéria com este levantamento. Segundo Jonas Valente, coordenador geral do SJPDF, a reposição da inflação é o mínimo que os patrões podem oferecer. “Temos exemplos de estados como Santa Catarina em que além da reposição está havendo a negociação de um ganho real de mais de 2%”, reclama.
VEJA SITUAÇÃO DOS OUTROS ESTADOS
Confira as propostas dos trabalhadores e dos patrões
| Proposta dos Trabalhadores | Proposta dos Patrões | |
| Reajuste Salarial | INPC + 1,75% | 7 % (retroativo pago de forma parcelada até janeiro de 2016) |
| Piso | R$ 2.500 | R$ 2.247 retroativo à data-base |
| PLR |
Teto R$ 2.900 Piso - R$ 2.400 |
Teto R$ 2.675 (7%) Piso $ 1.712,00 (7%) |
| Auxílio-alimentação | R$ 440 (Para quem ganha acima, reajuste segundo o INPC refeição) | R$ 240 no mês da assinatura da CCT e R$ 260 em janeiro de 2016. |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 550 e reposição segundo INPC | Reajuste de 7%, (a partir do mês da assinatura da CCT) |
| Seguro de Vida | Mesmo valor do reajuste salarial | Reajuste de 7% (a partir do mês da assinatura da CCT) |