A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF cobrou, por meio de ofício, uma resposta do sindicato patronal sobre a continuidade ou não das mesas de negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2015/2016. O encaminhamento do documento ocorreu nessa segunda-feira, 3/8, depois de discussão da categoria sobre o assunto na assembleia realizada no último sábado, 1º de agosto.
Em último ofício enviado ao SJPDF pelo Sindicato de Empresas de Televisões, Rádios, Revistas e Jornais do DF (Sinterj-DF), a entidade afirma que a manutenção dos pleitos da categoria decidida pelos trabalhadores em assembleia e votada em consulta às redações (veja mais abaixo) não demonstra avanços no caminho para um acordo.
Em resposta a esse item, o sindicato ressaltou que os patões não informaram em que momento as empresas se reuniram para avaliar a proposta, visto que isso se constitui um procedimento básico do processo de negociação. O SJPDF também explica que a reafirmação da pauta dos trabalhadores “foi uma proposta de integrantes da categoria cuja validação se deu com expressiva votação frente à ameaça de paralisação da negociação e na negativa por parte das empresas de assegurar o mínimo que é a reposição das perdas sofridas pelos trabalhadores entre a data-base de 2014 e a de 2015”.
Em relação aos avanços para o acordo, a entidade sindical dos trabalhadores argumentou, no texto, que a parte laboral reduziu de “forma mais expressiva a pauta em relação ao pleito original, diminuindo, por exemplo, a reivindicação de reajuste salarial de INPC =5,5% para INPC +1,75, enquanto a parte empresarial saiu de 4% para 7%”.
Problemas financeiros
Os patrões justificam a falta de uma proposta melhor por causa de problemas financeiros enfrentados pela área. Segundo o sindicato patronal, a última proposta apresentada por eles tem um “objetivo comum de superar a crise com equilíbrio e responsabilidade”.
O SJPDF, por sua vez, afirma que a categoria não está disposta a aceitar um acordo com perda real como está sendo proposto pelo sindicato patronal. O sindicato apresentou para o sindicato patronal o fato de que estados como Espírito Santo, Santa Catarina e Sergipe fecharam seus acordos com reposição e, alguns, inclusive, com ganho real (confira mais aqui). A entidade deixou claro que as dificuldades dos patrões não podem ser resolvidas impondo perdas aos trabalhadores.
Sugestão de 120 para próxima mesa de negociação
O Sinterj-DF, também afirmou em sua resposta que “nunca houve a ‘suspensão das negociações por 120 dias. No entanto, o SJPDF explica que a sugestão do sindicato patronal “configura claro intento de paralisar de forma unilateral as negociações”.
Segundo Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, a entidade e a categoria têm demonstrado um esforço continuo para o fechamento da negociação.
“A estratégia dos patrões é cansar a categoria para ver se ela aceita a proposta atual. Os trabalhadores não estão dispostos a isso”. afirma.
Histórico das negociações
A última proposta dos patrões foi rejeitada em consulta realizada junto à categoria no início de julho. Dos 488 jornalistas votantes, 329 (67,5%) foram contra a oferta das empresas, 142 (29%) se manifestaram a favor e 17 (3,5%) votaram em branco. A maioria dos jornalistas, 276, disse sim para o pedido de dissídio coletivo.
Os patrões oferecem o reajuste salarial de 7%, abaixo do INPC de referência da data-base (8,42%), com retroativo pago de forma parcelada até janeiro de 2016 e mesmo índice para Participação nos Resultados (também conhecida como abono), piso e auxílio-creche. No caso do auxílio-alimentação, o aumento seria para R$ 240 no mês da assinatura da Convenção e R$ 260 em janeiro de 2016 (confira abaixo a proposta dos patrões e da categoria).
Para além de apresentar uma proposta muito ruim, na última reunião que ocorreu em 26/6 os patrões também afirmaram que se a oferta não fosse aceita pela categoria eles só voltariam a se reunir após 120 dias para tratar do assunto. Uma das iniciativas do SJPDF para resolver o problema, conforme indicação da categoria em assembleia, foi impetrar um pedido de medição no Ministério Público do Trabalho (Veja mais aqui).
Mobilização
Um novo dia de mobilização também foi realizado em 16/7, quando os jornalistas vestiram preto como ato de protesto ao posicionamento das empresas. Durante o dia, o SJPDF visitou as principais redações do DF. Os trabalhadores retiraram fotos e publicaram imagens e depoimentos nas redes sociais (confira como foi o dia aqui).
Para ampliar a mobilização, a diretoria do SJPDF criou um grupo de mobilização com o nome #jornalistasmobilizadosDF. Ele está aberto a quem quiser participar, com espaços de diálogo no Facebook e no Whatsapp. O objetivo do grupo é agilizar a troca de informações sobre a campanha e construir conjuntamente novas iniciativas de mobilização. O grupo criado no Facebook é secreto, então somente quem fizer parte dele poderá ver quem o integra e suas publicações. Isso foi feito para que os profissionais possam participar sem constrangimento ou fiscalização por parte das chefias.
>>> ACESSE O GRUPO E SOLICITE ENTRADA <<<
Para integrar o grupo no Whatsapp, o jornalista deve fornecer ao Sindicato seu número de telefone. Ou pode adicionar o número 81129868.
Comparativo das propostas
| Proposta dos Trabalhadores | Proposta dos patrões derrotada | |
| Reajuste Salarial | INPC + 1,75% | 7 % (retroativo pago de forma parcelada até janeiro de 2016) |
| Piso | R$ 2.500 | R$ 2.247 retroativo à data-base |
| PLR |
Teto R$ 2.900 Piso - R$ 2.400 |
Teto R$ 2.675 (7%) Piso $ 1.712,00 (7%) |
| Auxílio-alimentação | R$ 440 (Para quem ganha acima, reajuste segundo o INPC refeição) | R$ 240 no mês da assinatura da CCT e R$ 260 em janeiro de 2016. |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 550 e reposição segundo INPC | Reajuste de 7%, (a partir do mês da assinatura da CCT) |
| Seguro de Vida | Mesmo valor do reajuste salarial | Reajuste de 7% (a partir do mês da assinatura da CCT) |
| Três cláusulas adicionais |
Horas-extraordinárias Licença-maternidade Adicional para quem produz para mais de um veículo |