Falta de regulação, concentração, insegurança de dados, dicas de como atuar, planejamento e linguagem. Vale conferir!
No último fim de semana, uma das mesas que mais chamou atenção de cerca de 150 jornalistas e dirigentes sindicais que estavam reunidos em evento sediado em Brasília foi a que debateu os desafios e estratégicas das redes sociais. Jonas Valente, jornalista da EBC, diretor do SJPDF e doutorando na UnB com tese sobre redes sociais; Kauê Scarim, midiativista e coordenador de mídias sociais do PSOL Nacional; e Dríade Aguiar, gestora da Frente de Redes Sociais da Mídia Ninja trataram de temas como a importância da proteção de dados, do planejamento e da linguagem das redes sociais.
Os riscos das redes sociais
Durante o debate, Jonas Valente abordou monopólios digitais, redes sociais e regulação tecnológica. Ele apresentou dados estatísticos sobre o domínio das principais plataformas digitais (Apple, Microsoft, Google, Facebook, Amazon) e também das redes sociais mais utilizadas no mundo e no Brasil (veja os quadros abaixo).
O especialista apontou também alguns riscos que a sociedade está sujeita a enfrentar quando o assunto são redes sociais, entre eles: a falta de regulação das redes sociais, as concentrações (monopólios) das de plataformas digitais e redes sociais, o tratamento realizado pelas redes sociais junto aos dados dos cidadãos e das empresas, a falta de neutralidade nos ambientes, a ausência de confiabilidade nos dados das métricas geradas dentro das redes e da falta de transparência.
“A tecnologia não é neutra, mas eivada de interesses econômicos e políticos. De certa forma, as plataformas digitais e as redes sociais agem de maneira proativa para moldar o que nós fazemos. A falta de transparência e regras próprias que são mudadas a todo o momento pelos proprietários das redes sociais, como ocorre com o facebook, por exemplo, também gera muita insegurança”, destacou Jonas.
Diante desse cenário de insegurança, ausência de regulação e de falta de garantias, Jonas afirmou ser importante as instituições não se tornarem reféns das redes sociais e atuarem para guardar seus dados e informações em outros ambientes. Por isso, Valente destacou uma série de alternativas que devem ser seguidas para driblar alguns dos problemas apresentados acima e atenuar a dependência das redes sociais. Confira abaixo:
Planejamento
O midiativista e coordenador de mídias sociais do PSOL Kauê Scarim chamou a atenção para a importância do reconhecimento da comunicação como estratégia política. “Não dá mais para as organizações políticas considerarem a comunicação como um serviço subserviente. A comunicação está no olho do furacão da estratégia da política”, ressaltou.
Ele citou o planejamento para as redes sociais como primordial. "Por meio do acompanhamento das métricas, pode-se detectar o público principal, saber o que este público concorda e procura, delimitar as narrativas as serem utilizadas, construir a parte estética e entender melhor a sua rede", disse Kauê.
Dríade Aguiar, gestora da Frente das Redes Sociais da Mídia Ninja (rede descentralizada de mídia de esquerda que atua em mais de 250 cidades do Brasil) apresentou o trabalho realizado pela rede. Ela reafirmou a importância dos cuidados com as redes sociais e também do planejamento dentro das instituições. “Atuar em mídias sociais é brincar em um ambiente onde se tem muito ruído, por isso é necessário muito cuidado”, alertou.
Para ela, o desafio maior da Mídia Ninja tem sido definir uma linguagem universal que possa atingir o maior número possível de pessoas. “Falar as mesmas mensagens para pessoas diferentes. É isso que estamos tentado fazer”, afirmou.