Leia na íntegra, abaixo, a nota dos trabalhadores do jornal:
"CARTA ABERTA DA REDAÇÃO DO CORREIO BRAZILIENSE
Por meio desta carta aberta, nós, funcionários da redação do Correio Braziliense, com o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, repudiamos o comportamento da empresa em relação ao pagamento da folha salarial do mês de março, que deveria ter sido realizado integralmente na data de 6 de abril de 2020.
O pagamento parcelado dos salários prejudica, em muito, a continuidade do trabalho da equipe de jornalistas, que preza por levar a melhor informação aos moradores do Distrito Federal. No entanto, esbarramos, agora, com a falta de certeza de que conseguiremos pagar os nossos boletos em dia (ou com juros) e dúvidas quanto ao que a empresa pretende obter dos trabalhadores ao seguir com a prática de não honrar o pagamento dos salários em dia. Há funcionários da redação que completarão o terceiro mês seguido de atraso no recebimento dos salários. Onde a S/A Correio Braziliense pretende chegar?
A relação se deteriora ainda mais ao constatarmos que é o último capítulo das pendências financeiras da empresa com os trabalhadores. Somam-se ao recente parcelamento dos salários, o atraso de quase seis anos no FGTS, as férias atrasadas há um ano e dois meses, e a pendência de nove meses no pagamento de tíquetes (alimentação e refeição). São R$ 2,7 mil em benefícios salariais que deixaram de ser pagos. Na prática, a empresa praticou uma redução salarial forçada. Mais uma vez, perguntamos: onde a S/A Correio Braziliense pretende chegar?
Com o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, foi criado um grupo no WhatsApp para a mobilização e a discussão dos funcionários diante do agravamento da situação. Após as discussões, chegamos ao seguinte consenso:
1) A falta de transparência da empresa. Avisar às 18h sobre o não pagamento integral dos salários é uma falta de compromisso com os funcionários, considerando, principalmente, que boa parte deles está trabalhando em casa. Com muitos em home office, há dificuldade no repasse de informações importantes. Existem grupos de WhatsApp, como o Breaking News e os das respectivas editorias, que podem e devem ser usados para informes à Redação.
2) Exigimos o pagamento integral dos salários até as 18h da próxima quinta-feira (9/4/2020). Neste horário, será realizada uma assembleia com os 68 integrantes do grupo criado para decidir quais os próximos passos que serão dados. Como informado à empresa, há uma assembleia aberta que prevê a deflagração da greve, a partir das 8h, do sexto dia útil do mês, em caso de não pagamento integral dos salários.
3) O sindicato e os trabalhadores fazem questão de lembrar à empresa que qualquer medida provisória emergencial que preveja a redução da carga horária e dos salários deve ter sempre o aval do Sindicato e dos trabalhadores. Esperamos transparência por parte da empresa neste momento de crise. Isso é fundamental.
4) Exigimos ainda um calendário efetivo para férias e tíquetes. A situação das férias atrasadas tem um grave complicador legal. O recolhimento do Imposto de Renda foi feito com base num valor que não recebemos. Portanto, recolhemos a mais para a Receita Federal um imposto sobre renda que não foi recebida na prática. É justo fazer o trabalhador pagar um valor a mais de imposto sem que o funcionário tenha recebido na prática? E, mais uma vez, perguntamos: onde a S/A Correio Braziliense pretende chegar?
5) Para finalizar, os trabalhadores cobram da direção da empresa o direito de fazer home office nos plantões dos finais de semana, nos feriados, inclusive o da Semana Santa, buscando, assim, dar o mínimo de segurança aos trabalhadores, principalmente no momento em que todos os especialistas preveem o pico da pandemia no Brasil, nos meses de abril e maio, e considerando, ainda, que há pessoas trabalhando nas instalações da empresa que não receberam o salário integral".