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Publicado em Segunda, 21 Setembro 2026 07:44
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A Assembleia dos jornalistas profissionais do Distrito Federal aprovou, na tarde de sábado (19/9), a proposta de venda do terreno onde funcionou por décadas o Clube da Imprensa, no Setor de Clubes Norte, às margens do Lago Paranoá.

A diretoria apresentou à assembleia um detalhado estudo de avaliação do valor do terreno. A oferta para compra do terreno está de acordo com precificação apresentada pelo escritório contratado pelo sindicato.

Conforme a proposta, a área será vendida  por R$ 60 milhões, sendo que a metade (R$ 30 milhões) será paga no ato da assinatura do contrato. A outra metade será dividida em 6 parcelas de R$ 5 milhões cada, num intervalo de 6 meses entre elas, com correção pelo IPCA. 

Foram 30 votos a favor, 4 contrários e nenhuma abstenção. A assembleia foi convocada pelas diretorias do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e do Clube da Imprensa. Conforme o estatuto  do Sindicato, apenas filiados em dia com a entidade puderam votar. Filiados inadimplentes tiveram assegurado plenamente o direito à manifestação,.mas sem o direito a voto. 

A proposta de compra foi apresentada pela empresa TWC Empreendimentos Imobiliários, que atualmente mantém uma parceria com o Sindicato de arrendamento da área onde funcionou o Clube da Imprensa. A solução foi tomada após anos de tentativas de reerguer o clube, e análise de diversas propostas avaliadas que não contemplavam a categoria, e a falta de mudança na destinação de área. 

A assembleia também aprovou  criar uma comissão para acompanhar as tratativas da conclusão do negócio. Cinco jornalistas que participaram da assembleia foram indicados para compor este colegiado. 

Conforme as deliberações, o Sindicato não tomará nenhuma decisão envolvendo o negócio sem que haja um parecer favorável do jurídico da entidade.

Ações de fortalecimento sindical

A Diretoria do Sindicato apresentou, na assembleia, os princípios para guiar o investimento e a aplicação do recurso  que virá com a venda do terreno. A definição concreta do uso dos recursos, porém, só será tomada futuramente, após deliberação da categoria em nova assembleia, dedicada exclusivamente a este tema, a ser convocada via edital público e divulgada para ampla participação de toda a categoria. Também será avaliada  a realização de uma consulta pública para colher da categoria sugestões de uso dos recursos.

O princípios apresentados são os seguintes:

Única Saída?

A venda da área onde um dia funcionou o Clube da Imprensa foi amadurecida ao longo dos últimos 15 anos. Nunca foi a primeira saída. Pelo contrário! Todas as parcerias feitas até o momento sempre tiveram o intuíto de preservar a área do Clube da Imprensa como um patrimônio do jornalistas do DF. 

Não há irresponsabilidade e muito menos se tratou de uma busca mais fácil. Mas, a conjuntura exigia responsabilidade efetiva desta diretoria. E ressalte-se:  todo o processo até aqui, foi repleto de transparência, de chamados públicos e nunca foi cerceada a possibilidade da categoria se manifestar sobre o futuro da área.

Assembleia

Espaço soberano de deliberação da categoria, a assembleia que decidiu pela venda do terreno foi divulgada em edital publicado pela diretoria do Clube da Imprensa e do Sindicato em 4 de setembro, no jornal Correio Braziliense, e em 8 de setembro, no Jornal de Brasília. O Sindicato divulgou a assembleia  em seu site, em mídias sociais e nos materiais impressos e também realizou visitas à categoria  em locais de trabalho,desde 8 de setembro. 

Todos os documentos envolvendo a proposta estavam disponíveis em cópias para os participantes da assembleia: a proposta de compra, a proposta de reajuste monetário das parcelas, dois laudos técnicos de avaliação imobiliária do terreno e o informativo do Sindicato “NR” (Notas da Redação) com a divulgação da assembleia a o histórico do Clube, que foi impresso e enviado pelos Correios para casa dos sindicalizados.

A assembleia teve uma apresentação  geral  de 40 minutos sobre a situação do Clube da Imprensa. Na ocasião, foi apresentado um histórico de todas as parcerias realizadas para revitalizar a área, e as dificuldades de mais de 15 anos de tentativas de reerguer este espaço de convivência da categoria.

Em um segundo momento, foi garantido aos participantes o espaço para esclarecimentos específicos, que foram respondidos pela mesa da assembleia, composta por diretores das duas entidades (Sindicato e Clube). 

Na sequência, foi aberto o espaço para falas, de 5 minutos cada uma. Colegas puderam se manifestar livremente, contra ou a favor da proposta. As contribuições também mencionaram o histórico do espaço e o papel de gestões passadas na manutenção do Clube. 

Ao final das falas, a mesa leu a íntegra das duas propostas da TWC (compra do terreno e reajuste monetário das parcelas). 

Ao final, foi aberto  mais um momento de falas, com as defesas da proposta de venda e de sua rejeição. Em regime de votação, a categoria decidiu, por 30 votos a 4 , pela venda, sem abstenções. 

Por que vender?

O Clube da Imprensa de Brasília está fechado há 15 anos. A situação não foi uma escolha, mas o resultado de uma crise financeira que inviabilizou o funcionamento do Clube e consumiu os recursos do Sindicato. O modelo de negócio empregado não permitia uma sustentabilidade da área. Na fase final de funcionamento, registrava-se uma presença média de apenas 10 a 15 pessoas frequentando o Clube nos finais de semana, o que significava uma baixíssima adesão da categoria a um clube que não oferecia serviços como outros clubes.

Desde 2010, o Sindicato vinha buscando sucessivas tentativas de revitalização, parcerias, arrendamentos e incorporação, já que não possuía capital próprio para fazer os investimentos necessários. Todas as propostas apresentadas nesse período foram avaliadas com rigor pela diretoria do Sindicato – mantenedor do Clube –, e submetidas continuamente à deliberação da categoria em diversas assembleias.

Espaço de convivência dos jornalistas de Brasília por décadas, o Clube da Imprensa chegou a contar com um quadro de mais de 4 mil associados. Ao longo de seus 61 anos de existência, o espaço desempenhou importante papel na vida sindical, política e social dos jornalistas, mas também enfrentou dificuldades para alcançar a sustentabilidade financeira.

Na década de 1990, devido a falta de recursos, o Clube da Imprensa foi incorporado ao Sindicato e passou a ser custeado pelos repasses da mensalidade, garantindo a utilização do espaço a todos os sindicalizados. Até seu fechamento, em 2012, metade das mensalidades sindicais era repassada ao Clube e, no entanto, os valores eram incapazes de cobrir as despesas de  custeio e manutenção .

Em 2010, o grupo que assumiu a gestão do SJPDF encontrou uma dívida do Clube que se revelou superior a R$ 800 mil, além de um déficit mensal de R$ 20 mil para garantir a manutenção básica do espaço.Corrigidos pela inflação, atualmente esses valores chegariam a uma dívida de R$ 2 milhões e um déficit mensal de 50 mil reais por mês.

O valor devido teve origem em contribuições patronais atrasadas de INSS, passivo herdado de gestões anteriores. A dívida também era composta por débitos com fornecedores (energia elétrica, água, materiais de construção e conservação), FGTS não recolhido de funcionários, IPTU, entre outros compromissos.

À  época o Clube tinha 12 funcionários, enquanto o Sindicato mantinha apenas dois trabalhadores. Os custos de manutenção do Clube, em 2011, eram de cerca de R$ 45 mil por mês, o equivalente hoje a R$ 100 mil reais. Como todos sabem, desde 2017, o SJPDF perdeu o imposto sindical e hoje sobrevive apenas das mensalidades de seus sindicalizados e do patrimônio. Atualmente, o Sindicato arrecada R$ 80 mil para manutenção da sua estrutura enxuta, ainda com apenas dois funcionários.