Uma semana após o atentado terrorista à redação do Charlie Hebdo, que deixou 12 pessoas mortas, chegou às bancas francesas nesta quarta-feira (14/01) a nova edição do semanário. Segundo a Folha.com, foram impressos cerca de três milhões de exemplares, ante os 60 mil habituais.
Diante da grande procura pela publicação em toda a França, que fez com que os títulos se esgotassem em minutos, a expectativa agora é que pelo menos mais dois milhões de exemplares sejam impressos nos próximos dias. Só para se ter uma ideia, em algumas bancas na região da Praça da Bastilha, em Paris, as filas começaram a se formar às 6h20 da manhã, horário francês, sob um frio de 5 graus. Em 20 minutos já não havia mais exemplares.
Trazendo uma charge do profeta Maomé aos prantos na capa, o semanário manteve o tom satírico pelo qual é conhecido. Em uma das tiras, os autores ironizam a transformação dos cartunistas mortos em mártires.Na ilustração, jihadistas aparecem dizendo: “Não deveríamos tocar no pessoal do Charlie... caso contrário eles vão ser vistos como mártires e, uma vez no céu, esses bastardos vão roubar nossas virgens”.
O editorial do semanário também trouxe o mesmo tom satírico. O texto fez defesa do secularismo e do livre direito de ridicularizar religiões, um dos artifícios de chamar os líderes religiosos para suas responsabilidades.
A receita com a venda da nova edição do semanário será revertida para a reestruturação do jornal, que já vinha sofrendo com dificuldades financeiras antes do ataque. O Charlie Hebdoserá traduzido em cinco línguas e distribuído em mais de 20 países.
Em relatório divulgado na tarde dessa quarta-feira, 17, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) registrou que 220 jornalistas estão detidos em algum lugar do planeta. A China surge no topo da lista, sendo responsável por 44 prisões. Na sequência, o Irã aparece com 32. O Brasil não figura no estudo -- o que, segundo a entidade, representa nenhuma detenção de agentes da comunicação.
Editora do CPJ, Shazdeh Omari lembra que, no ano passado, houve troca de comando na dupla de nações que soma o maior número de jornalistas mantidos em cárcere. As alterações no poder não resultaram na liberdade de imprensa. "Juntos, China e Irã estão mantendo presos um terço dos jornalistas aprisionados no mundo todo, apesar das especulações de que os novos líderes que assumiram o poder em ambos os países em 2013 poderiam implementar algumas reformas liberais".
O estudo do CPJ destaca que o número apresentado neste ano representa o segundo pior desde que a organização passou a mensurar a quantidade de jornalistas aprisionados pelo mundo, a primeira versão foi feita em 1990. O levantamento de 2014 só não é pior do que o de 2012, quando, no momento da divulgação da análise da entidade internacional, 232 profissionais da imprensa estavam presos - com a Turquia responsável por 49 das detenções.
Além de China e Irã, os outros países que estão entre os 10 primeiros em número de jornalistas detidos são: Eritreia (23), Etiópia (17), Vietnã (16), Síria (12), Egito (12), Myanmar (10), Azerbaijão (9) e Turquia (7). Na América Latina, Cuba e México são os dois únicos países que aparecem na lista, com uma prisão cada. Assim como o Brasil, nenhum outro Estado sul-americano aparece no estudo - repetindo o feito do último ano.
Os números referentes às nações americanas chamou a atenção da editora do CPJ. "Nos últimos anos, prisões de jornalistas nas Américas têm se tornado cada vez mais raras, com apenas um caso documentado em 2012 e outro em 2013 [nos Estados Unidos]. Este ano, a região tem duas: um blogueiro cubano foi condenado a cinco anos de prisão, em retaliação por seu blog crítico, e no México um jornalista independente e ativista de causas maias foi acusado de sedição [revolta, perturbação]", avalia Shazdeh.
Além da situação de jornalistas nas Américas, a representante do Comitê para a Proteção dos Jornalistas destaca mais sete pontos em relação ao levantamento de 2014. Confira:
>>Os 220 jornalistas presos em todo o mundo mostram um aumento relativamente aos 211 casos que o CPJ documentou em 2013. O número de 2014 é o segundo mais elevado, atrás apenas de 2012, quando o CPJ documentou 232 jornalistas presos em relação ao seu trabalho.
>>Em todo o mundo, 132 jornalistas, ou 60 por cento, foram presos sob a acusação de desenvolver atividades anti-Estado, como subversão ou terrorismo. Esse número é muito maior do que qualquer outro tipo de acusação, como difamação ou insulto, mas praticamente em linha com a proporção de acusações de atividades anti-Estado observada em anos anteriores.
>>Vinte por cento, ou 45, dos jornalistas presos em todo o mundo estavam detidos sem acusação divulgada.
>>Jornalistas online corresponderam a mais da metade, ou 119, dos jornalistas presos. Oitenta e três trabalhavam na mídia impressa, 15 em rádio, e 14 na televisão.
>>Cerca de um terço, ou 67, dos jornalistas presos em todo o mundo, eram freelances, a mesma proporção de 2013.
>>O número de presos aumentou na Eritreia, Etiópia, China, Bangladesh, Tailândia, Azerbaijão, Bahrein, Egito, Israel e Territórios Ocupados da Palestina, e na Arábia Saudita.
>>Os países que apareceram no censo de 2014, após não registrarem qualquer prisão de jornalista na pesquisa de 2013, foram: Camarões, Suazilândia, México, Cuba, Myanmar e Belarus.
Sindicato orienta que os jornalistas exijam das empresas que trabalham o fornecimento de equipamento de segurança.
O Sindicato cobrou do presidente da CLDF, deputado Wasny de Roure, a participação nas discussões do projeto de alteração do Plano.