Empresa não apresentou lista com detalhamento de depósitos dos funcionários, conforme estipulado pelo MPT-DF.
A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou um suspeito de ameaçar pela internet a jornalista Nana Queiroz, responsável pela organização do movimento "Não Mereço Ser Estuprada". Um adolescente de 16 anos, também vai responder por ato infracional análogo a ameaça. De acordo com o G1, a corporação informou que outras sete pessoas estão sendo investigadas. A polícia conseguiu identificar os suspeitos após rastrear informações dos computadores usados para enviar ameaças. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
A delegada-chefe-adjunta da Delegacia Especial de Atendimento (Deam), Patrícia Simone Bozolan, informou que o jovem indiciado, de 23 anos, alegou que a ameaça foi apenas uma "brincadeira". Ele foi liberado depois de assinar um documento se comprometendo a comparecer à Justiça.
Patrícia garantiu que a Polícia Civil tem condições de investigar e identificar os infratores, ainda que pela internet. "Havendo algum cuidado investigativo durante a postagem, ainda que a pessoa tire do ar posteriormente, é possível identificá-lo e puni-lo", explicou.
O caso
A campanha da jornalista começou no mês passado como reação ao resultado de uma pesquisa do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), no qual apontou que 65% dos entrevistados disseram que mulheres com roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Cerca de uma semana depois, foi divulgado que os dados do levantamento estavam equivocados. O índice correto seria 26%.
Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a decisão da Justiça baiana em condenar o jornalista Aguirre Talento a seis meses e seis dias de detenção em regime aberto por crime de difamação. A sentença foi favorável ao empresário do setor imobiliário Humberto Riella Sobrinho, que alega haver informações falsas em reportagens publicadas no diário A Tarde, em dezembro de 2010.
De acordo com a entidade, a medida judicial “é um atentado à liberdade de imprensa”. O caso foi julgado pelo juiz Antônio Silva Pereira, da 15ª Vara Criminal, de Salvador, que considerou que o repórter agiu "maldosamente" e "com a nítida intenção de macular a honra objetiva [do empresário]". No entanto, não foi apontado pelo jurista elementos que comprovassem a intencionalidade mencionada.
“A Organização das Nações Unidas (ONU), em seu Plano de Ação para Segurança de Jornalistas, recomenda aos países-membros que ações de difamação sejam tratadas no âmbito civil”, descreve a nota. Talento e outros profissionais de imprensa que elaboraram matérias denunciando crimes ambientais na Bahia foram acionados por Sobrinho, que cobra até R$ 1 milhão de indenização pelos eventuais danos causados a sua imagem.
A Abraji ressalta que “chama a atenção o jornal nunca ter sido processado”, pois “visam sempre o elo mais fraco: o jornalista”. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) está acompanhando o caso e já impetrou ações por denunciação caluniosa contra os empresários, e se junta ao recurso expedido pelos advogados de Aguirre Talento no Tribunal de Justiça da Bahia.
A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF realiza nesta terça-feira, 29/4, nova consulta às redações para avaliar a segunda proposta patronal da negociação da Convenção Coletiva de Trabalho 2014/2016.