Sindicato abre processo de seleção para a contratação de profissional formado em Administração.
O mês de janeiro marca o início de muitos projetos e metas. Se você procura por novas oportunidades, fique atento aos programas de bolsas de estudo abertas a jornalistas do Brasil. Confira os próximos prazos de inscrição para treinamento que visam aprimorar as habilidades profissionais. Veja a lista elaborada pela rede de jornalistas internacionais Ijnet:
Bolsa Nieman-Berkman de Jornalismo Inovador - Até 31 de janeiro
Para desenvolver projetos de pesquisas relacionados com a transformação digital do jornalismo, a Nieman Foundation for Journalism e o Berkman Center for Internet & Society hospedam um bolsista durante o ano letivo. Os interessados na bolsa de US$60.000 precisarão trabalhar ideias para novas receitas, ferramentas de comunicação e padrão de consumo de informações. Para mais informações, clique aqui.
Programa de Bolsas de Jornalismo da Reuters – Até 31 de janeiro
Exclusivo para profissionais com ao menos cinco anos de experiência, o programa oferecido pelo Reuters Institute for the Study of Journalism na Univeridade de Oxford receberá 25 bolsistas por três, seis ou nove meses. O objetivo é desenvolver pesquisas sobre o jornalismo como negócio e sua evolução. Veja detalhes aqui.
Bolsa Knight-Wallace de Jornalismo – Até 1º de fevereiro
Jornalistas internacionais com experiência prévia de cerca de cinco anos poderão concorrer aos seis postos oferecidos para bolsistas na Universidade de Michigan durante um ano de estudo acadêmico. Além de custos de viagem e ensino, os beneficiários do programa recebem US$70.000 para elaborar um plano personalizado de estudo com acesso aos cursos e recursos da universidade. Inscreva-se aqui.
Bolsa do Joan Shorenstein Center na Harvard - Até 1º de fevereiro
A Kennedy School of Government na Universidade Harvard aceita inscrições para o programa de bolsas do Joan Shorenstein Center. Os candidatos devem ser jornalistas formados ou acadêmicos, envolvidos com ações ativas nos campos da imprensa e política. Os bolsistas moram no campus por um semestre e recebem US$30.000 em quatro parcelas ao longo do período. Confira o processo de seleção aqui.
Programa de Jornalismo Global na Universidade de Toronto – Até 10 de fevereiro
Orientados por jornalistas experientes, 15 bolsistas da Munk School of Global Affairs na Universidade de Toronto formarão uma nova geração de correspondentes globais com conhecimento especializado em temas complexos. Ao longo do treinamento, que confere diploma de pós-graduação, os participantes produzirão trabalhos freelance para grandes meios de comunicação. Acesse aqui.
Bolsa World Press Institute nos Estados Unidos - Até 15 de fevereiro
O programa de quatro meses leva jornalistas internacionais para uma imersão na governança, política, negócios, mídia, ética jornalística e cultura dos Estados Unidos através de aulas, viagens e entrevistas por todo o país. Todas as despesas de viagem e estadia são cobertas. Conheça o processo aqui.
Bolsa Knight de Jorrnalismo Científico no MIT – Até 28 de fevereiro
Para cobrir ciência, tecnologia, meio ambiente ou medicina, o programa recebe 10 a 12 jornalistas internacionais e norte-americanos. Os bolsistas acompanhar cursos da MIT, assistir a palestras e entrevistar membros do corpo docente. O valor da bolsa é US$65.000. Para mais informações, clique aqui.
Por Raquel Dantas* (artigo publicado pela Carta Capital)
É hora do almoço quando a vinheta anuncia a abertura de mais um Cidade 190. Dentre as narrativas de crimes que se desenrolam, uma reportagem de 17 minutos exibe vídeo de flagrante de estupro de criança de nove anos de idade dentro da própria casa. A equipe de reportagem da emissora cearense TV Cidade, afiliada da Rede Record, foi até Pacatuba, município da região metropolitana de Fortaleza, para relatar o crime. A repórter começa a matéria identificando rua e número das residências onde moram vítima e agressor. Familiares são entrevistados sobre o caso, enquanto seguidas vezes são repetidas as cenas do abuso sexual. A imagem é embaçada somente na altura dos genitais, deixando visível ao telespectador toda a cena de violência.
O caso foi repercutido nas redes sociais e, no site oficial da emissora, o vídeo com a reportagem chegou a ter 30 mil visualizações até às 17h da quarta-feira (08/01), dia seguinte à exibição da matéria. Após reação do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca) e do procurador regional da República do Estado do Ceará, Francisco Macedo Filho, o vídeo foi retirado do ar. Não obstante, a emissora voltou a veicular o caso na tarde do mesmo dia e outros programas policiais também o fizeram, como o Rota 22, da TV Diário. Esta emissora, por sua vez, explorou tentativa de linchamento da população ao agressor e situação de extrema vulnerabilidade do pai da criança, que é mostrado desmaiado no chão em frente à delegacia do município de Maracanaú, para onde o agressor havia sido encaminhado.
Uma série de violações se configuram no caso descrito. Em primeiro lugar, a transmissão por si só do estupro pela TV Cidade, que fere os princípios constitucionais referentes à responsabilidade de concessionários de serviços de radiodifusão para com a imagem e a dignidade das pessoas, com o agravante por se tratar de uma criança. Em segundo - e com peso e consequências psicológicas irremediáveis, a extrema exposição da criança em situação de violência e a sua identificação, pelas imagens do rosto e do corpo inteiro, pela divulgação do seu endereço de moradia e da exploração de depoimentos de seus familiares, permitindo que qualquer morador da comunidade possa identificá-la. A situação em que a emissora colocou a criança também abriu margem para o julgamento popular, o qual se caracterizou muitas vezes na culpabilização da menina, como pôde ser visto nos comentários na reportagem disponibilizada no portal da emissora na internet.
Mesmo após ser informada de que a veiculação das imagens configurava crime, a TV voltou a exibir matérias na edição da tarde de quarta-feira, revelando parte do diálogo do agressor com a vítima. A atitude demonstra total falta de responsabilidade do veículo e do corpo editorial, além de deixar claro que a busca pela audiência é colocada em primeiro plano mesmo que para isso mais violações sejam cometidas.
Cabe aqui uma reflexão a respeito da relação da população com os programas policiais em geral. Eles normalmente são o único meio pelo qual moradores de bairros desassistidos pelo poder público conseguem atenção e visibilidade para os problemas que vivenciam. A relação é tão estreita que é comum que a população acione a produção desses programas policiais ao invés da própria polícia quando algum crime acontece. O caso que tratamos é emblemático porque o pai da criança julgou que solicitar ajuda do programa policial seria talvez a melhor ou mesmo a única medida a seu alcance para fazer justiça. Tanto que o caso só se tornou público porque os pais entregaram cópia do vídeo para a produção do Cidade 190.
Em nota de esclarecimento lançada nesta quinta-feira, o Departamento de Jornalismo da TV Cidade declara que as imagens foram divulgadas “a pedido expresso de seu pai, que, em desespero, solicitou essa providência por entender que tal procedimento ajudaria a punir o criminoso”, e que conseguiram fazê-lo sem que houvessem dados identificatórios, assegurando a proteção da criança. O que, conforme descrito aqui, não ocorreu.
O caso deixa claro até onde pode chegar o abuso e a irresponsabilidade de um canal de TV por meio de seus programas policiais, ditos jornalísticos. Uma grave e séria conduta que deve ser avaliada pela sociedade e pela qual a emissora deve ser responsabilizada. Também é importante trazer à tona as inúmeras violações contra os direitos humanos que são cometidas diariamente, há muito tempo, por todo e qualquer programa policial exibido no estado do Ceará. O espetáculo da violência foi adotado pelas emissoras de TV locais a partir do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro - hoje afiliada da Rede Bandeirantes - exibido pela primeira vez em julho de 1990. Ainda hoje no ar, disputa telespectadores com Cidade 190, da TV Cidade, e com os veiculados pela TV Diário - Comando 22, Rota 22 e Os Malas e a Lei.
A gravidade do fato vem gerando grande repercussão e comoção. Sociedade civil organizada já se articula para programar medidas de publicização do fato e responsabilização da emissora pelo crime cometido. Mais de trinta entidades locais se reuniram nesta quinta-feira, na sede do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará, para organizar ações e cobrar que a assistência psicológica à família seja garantida.
Não será o último caso, mas pode deixar marcas mais profundas de sensibilização da sociedade e de mobilização de entidades e movimentos sociais para que se construa uma relação crítica da população com esses programas. É também necessário e urgente que se crie mecanismos de fiscalização dos meios de comunicação para que os cidadãos tenham a quem recorrer diante dos abusos e violações cometidas. Além disso, é primordial a criação de um órgão regulador que garanta o cumprimento das leis vigentes, já que a responsabilidade dos meios de comunicação está inscrita na Constituição Federal e no Código de Ética dos Jornalistas. Todas essas medidas só serão possíveis no dia em que governo e sociedade cobrem os meios de comunicação para que sejam promotores de direitos, pois hoje esse serviço público tem sido norteado por interesses econômicos, tão bem entranhados nessa relação de poder, polícia e política que envolve a mídia.
* Raquel Dantas é jornalista e integrante do Coletivo Intervozes no Ceará.
Sindicato luta para que os registros de profissionais só sejam concedidos depois de avaliação da entidade.