Veículo de comunicação mantido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Diário do Comércio teve sua última versão impressa circulada na sexta-feira, 31 de outubro. Sem edição de despedida e com a equipe pega de surpresa pelos executivos da entidade, o fim da publicação culminou na demissão de boa parte dos jornalistas. O diretor de redação Moisés Rabinovici está na lista de profissionais que deixaram o jornal.
Ao argumentar o que a levou a encerrar a versão impressa do Diário do Comércio, marca que completa 90 anos em 2014, a ACSP, em texto assinado pelo presidente Rogério Amato, fala em "passo ambicioso em sua modernização". A nota oficial da instituição, exposta para quem acessa o domínio em que até então o conteúdo do jornal era repercutido, não cita o passaralho na redação e nem faz menção à carta interna, na qual afirmava-se que o fim do jornal foi determinado por "anos de operação com resultados negativos".
Apesar das demissões e do fim do jornal em papel, a Associação Comercial de São Paulo garante que o Diário do Comércio não acabará como marca. Sem anunciar uma data para a novidade, a entidade informa que o veículo de comunicação vai se converter em "plataforma digital, incorporando as grandes mudanças tecnológicas que transformam e dinamizam a imprensa mundial". Para isso, os colunistas do impresso serão mantidos e terão "o espaço necessário para o diálogo com o leitor".
"A decisão de nos lançarmos como mídia eletrônica é uma evolução, e não uma ruptura. Continuaremos a funcionar como um jornal, mas, no lugar de uma única edição diária, estaremos em processo de atualização constante, com reportagens essencialmente focadas nos interesses mais próximos de nossos associados", afirma a ACSP em comunicado oficial. A instituição responsável pelo Diário do Comércio demonstra entusiamo com a migração em 100% para web, devido à "interação instantânea" com o leitor.
Mesmo com a mudança de plataforma, o foco editorial do Diário do Comércio não sofrerá alterações, ressalta a ACSP, que continua a apostar na "boa informação jornalística" como produto essencial para o "sucesso do empreendedorismo". "A equipe que reunimos para o lançamento da nova etapa de nosso jornal tem, entre suas metas, a abertura ao público dos múltiplos conteúdos produzidos, com competência, por especialistas do Instituto de Economia e dos 20 conselhos temáticos que operam dentro da Associação Comercial".
Já está disponível a versão em português da segunda edição do e-book do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas"Ferramentas Digitais para Jornalistas", da jornalista argentina Sandra Crucianelli.
A tradução do livro é fruto da parceria entre o Centro Knight, da Universidade do Texas (EUA), e o programa para o fortalecimento da Mídia em Moçambique, financiado pelo governo dos Estados Unidos da América através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e implementado pela IREX. Clique aqui para baixar o livro gratuitamente (em formato PDF) da biblioteca virtual do Centro Knight.
"Ferramentas Digitais" é uma ampla atualização da primeira edição publicada em 2008. Esta versão contém um novo capítulo sobre jornalismo de dados, dá maior ênfase às técnicas mais utilizadas para buscar e processar informações e registra muitas outras mudanças e ferramentas jornalísticas que surgiram nos últimos seis anos.
"Este livro é um guia, não tem pretensões de ser uma lista de dicas que devem ser seguidas rigorosamente, mas é meu desejo que elas se tornem um farol para iluminar o caminho dos repórteres que trabalham no ambiente digital", disse Crucianelli. "Poder ampliar estes recursos ao público de língua portuguesa é uma contribuição muito importante do Centro Knight. Esta nova versão em Português me enche de alegria, em especial por saber que em países tão distantes do meu, como Moçambique, havia jornalistas que leram a primeira edição e queriam ler a segunda", acrescentou.
Embora existam muitas outras ferramentas disponíveis que não foram mencionadas no livro, Crucianelli selecionou aquelas que são gratuitas e/ou não exigem ter que fazer o download da internet, pois podem ser usadas online.
A nova edição do "Ferramentas Digitais" também procura refletir as novas realidades do jornalismo, como a proliferação de jornalistas cidadãos e a necessidade de cada jornalista profissional aproveitar as ferramentas digitais para investigar, filtrar, apresentar e compartilhar informações.
O livro aborda temas como o jornalismo de dados, diferentes tipos de motores de busca, Google e seus produtos, dicas para explorar a web profunda, a mídia social para jornalistas e a verificação de dados nesses meios de comunicação, infografia e gráficos interativos, o movimento Open Data, aplicativos jornalísticos, o uso de smartphones no jornalismo, conceitos básicos de Excel e a construção de tabelas.
O manual também inclui ferramentas para compartilhar áudio e música, fazer petições online, fazer vídeo conferências, montar linhas do tempo, extrair dados, editar fotos, extrair dados de PDFs, enviar e-mails anônimos e manter-se seguro online.
A biblioteca virtual do Centro Knight tem sido usada por milhares de jornalistas nas Américas. Entre outros livros, estão disponíveis "Cobertura jornalística da migração nas Américas", "As 10 Melhores Práticas para as Redes Sociais", "Conjunto de Guias Éticos para o Jornalismo na Web" e "Cobertura do Tráfico de Drogas e do Crime Organizado na América Latina e no Caribe".
O Centro Knight lançou a primeira edição de "Ferramentas Digitais para Jornalistas”, por Sandra Crucianelli, em 2008, em espanhol e português. Esta segunda edição foi organizada em espanhol em 2013 graças a uma colaboração entre o Centro Knight e o Projeto Moçambique IREX / USAID, e agora conta também com a adaptação para o português.
"Este livro oferece conteúdo que é resultado da transição e fusão de mundos profissionais. Jornalismo e tecnologia sempre caminharam juntos desde a invenção da prensa por Guttenberg, mas nunca antes houve uma fusão tão grande e complexa de práticas profissionais em campos tão distintos do conhecimento dentro da comunicação. O reflexo disto é um novo vocabulário, influenciado fortemente pelo inglês e adaptado dentro da lógica da mídia de cada local. Converter para o português este conhecimento original, organizado por Sandra Crucianelli, é um mergulho em um novo código de produção jornalística, ainda em construção, portanto, híbrido", observou Ricardo Mendes, diretor de capacitação da IREX e responsável pela tradução.
Sandra Crucianelli
Sandra Crucianelli é uma jornalista especialista em jornalismo investigativo e jornalismo de precisão, com ênfase em fontes digitais e jornalismo de dados. Desde 2004 ela tem ministrado cursos no programa de Ensino à Distância do Centro Knight. Seus últimos programas de treinamento com o Centro Knight foram o curso online "Ferramentas Digitais para Jornalistas: da web aos dispositivos móveis", que contou com a participação de 98 jornalistas de 18 países , e o curso online massivo e aberto (ou MOOC), em espanhol, "Introdução ao Jornalismo de dados", que atraiu cerca de 4.000 estudantes de 60 países.
Crucianelli é membro do conselho consultivo do Centro de Jornalismo Digital da Universidade de Guadalajara, México, ensina no Media Center da Universidade Internacional da Flórida (FIU) e é fundadora do SoloLocal.Info, um projeto de jornalismo online hiperlocal de Bahia Blanca, na Argentina. Além disso, como umaKnight International Journalism Fellow, há dois anos pesquisa o uso de dados abertos aplicados ao jornalismo.
O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas foi fundado em 2002 pelo professor Rosental Calmon Alves, titular da Cátedra Knight em Jornalismo e da Cátedra UNESCO de Comunicação da Escola de Jornalismo da Universidade do Texas em Austin. Criado graças a grandes doações da Fundação John S. e James L. Knight, o Centro também recebeu contribuições das Fundações Open Society e outros doadores. O Centro Knight também tem financiado suas operações com o apoio da Faculdade de Comunicação da Universidade do Texas em Austin, doações modestas de outras fundações e do público em geral.
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Assédio moral e retaliação contra dirigentes são narrados nas 19 páginas do documento.
A diretoria do SJPDF informa que entre os dias 30/10 e 21/11 será fechada no horário de 13h às 14h.