Atingido no olho por uma bala de borracha durante a quarta manifestação contra o aumento do preço das passagens de transporte público, realizada em São Paulo, o fotógrafo freelancer Sérgio Silva diz que, em seus três anos como profissional, nunca havia presenciado algo parecido com o que ocorreu na última quinta-feira (13/5).
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Fotógrafo tem menos de 5% de chance de voltar a enxergar com olho machucado
De acordo com o R7, Silva levou o tiro no momento em que a Polícia Militar entrou em confronto com manifestantes na região da rua da Consolação com a rua Maria Antônia, no centro da capital. Após ser ferido, um professor que estava no local ofereceu o primeiro socorro ao fotógrafo.
“Ele foi um anjo da guarda, me tirou da confusão. Caminhamos da rua Caio Prado até o hospital Nove de Julho, ele me carregando nos braços, meu olho sangrando. Nenhum policial me socorreu, nenhuma ambulância me socorreu. Passei uns 40 minutos andando, sofrendo muito, era uma dor insuportável”, disse.
Silva conta que conseguiu perceber que a bala veio da direção da tropa policial que estava parada no cruzamento da rua da Consolação com a Maria Antônia, mas afirma que não se pode "culpar" a PM pela truculência. Em sua opinião, o que ocorreu foi uma ordem severa por parte do Estado.
“Quando começou o confronto com os manifestantes eu procurei me afastar porque eu estava no meio do fogo cruzado. Procurei abrigo atrás de uma banca de jornal e tinham muitas pessoas correndo nessa direção, fugindo das bombas e dos gases. Nesse momento eu quis saber de onde estavam vindo essas bombas e quando sai de trás da banca fui atingido e perdi a noção do que estava acontecendo. Veio da tropa, mas não sei dizer que policial atirou e acho que isso nem é o mais importantes. Nem a PM é o mais importante, porque eles estão ali seguindo ordens. O Estado é o maior responsável”, explicou.
O fotógrafo acrescenta que, ao perceber que estava machucado, ”foi só desespero. Pensei na minha família, minha filha, na minha profissão. Meu olho é meu instrumento de trabalho!”, ressaltou.
Internado desde a madrugada da última sexta-feira (14/6) no hospital H Olhos, em São Paulo, Silva teve alta na manhã do último sábado (15/6) e está recuperando-se em casa. Segundo o fotógrafo, o laudo dos médicos ainda não indica se ele irá recuperar a visão – ou parte dela.
“Meu olho está muito inchado, muito machucado por dentro. Preciso esperar desinchar, fazer nova avaliação. É um processo lento. Hoje, minha visão é nula com o olho esquerdo”, contou. E completou: “Minha vontade é continuar na minha profissão. É o que eu gosto, o que eu sei fazer, mas preciso saber se tenho condições físicas. Se eu tiver, mesmo com um olho só eu vou continuar”.
Silva ainda não sabe se irá mover alguma ação, mas foi orientado por advogados que o Estado pode ser responsabilizado por seu ferimento.
O SJPDF expressa preocupação com as denúncias de uso desmedido da força por parte de agentes policiais.
Nesta segunda-feira (17/6), a revista Veja teve sua conta oficial no Twitter invadida pelo grupo de hackers Anonymous Brazil, que tem apoiado as recentes manifestações contra o aumento da tarifa do transporte público. “Perfil invadido por @AnonManifest!”, escreveram os hackers através do perfil da Veja.
Os ativistas postaram quatro tuítes:“’Jornalismo fascista nós não precisamos de vocês.’ A #LUTA CONTINUA #Brasil #OGiganteAcordou #Brasil #rEvolução”, escreveu o Anonymous Brazil.
“Aos mais velhos: Desliguem suas TVs, deixem o telejornal fascista de lado e venham para as ruas hoje,Vamos #LUTAR JUNTOS! @AnonManifest”, acrescentou.
“Nem a polícia e nem Mídia irão nos calar! #BRASIL”, escreveu o grupo. "Outros vários perfis estão sendo tomados por min neste momente e estará a dispor, p serem usados como divulgação de videos fotos....", acrescentou.
"A TODOS os estados do #Brasil, vamos dar um xou hoje! #OGiganteAcordou e vai ser impossível parar VAI PRA CIMA BRASIL", postou o grupo junto de uma foto com os dizeres "não é por centavos é por direitos".
Em seu site, a Veja divulgou uma nota oficial afirmando que "por ora, as informações publicadas nas contas são falsas. Bloqueio já foi solicitado à rede social". A nota ainda diz que outro perfil ligado àrevista foi invadido. Trata-se do @radaronline, coluna assinada por Lauro Jardim, redator-chefe da revista.
"Todas as informações publicadas a partir das 12h20 são de responsabilidade dos invasores. O bloqueio dos perfis já foi solicitado pela redação à rede social", diz o comunicado.
Os hackers também divulgaram as senhas das redes sociais da revista no perfil do Anonymous Brasil.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves Your browser does not support inline frames or is currently configured not to display inline frames.
Em nota divulgada na noite da última quinta-feira (13/6), a Anistia Internacional (AI) declarou que a ação da polícia nas manifestações realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro contra o aumento do preço das passagens de ônibus e metrô mostra a "radicalização da repressão" e enfatiza que o transporte público acessível é de "fundamental importância para que a população possa exercer seu direito de ir e vir, tão importante quanto os demais direitos como educação, saúde, moradia, de expressão, entre outros”.
Segundo a nota reproduzida pelo Terra, a entidade aponta também que “é preocupante o discurso das autoridades sinalizando uma radicalização da repressão e a prisão de jornalistas e manifestantes, em alguns casos enquadrados no crime de formação de quadrilha”.
Defendendo o direito à manifestação e à realização de protestos pacíficos, a AI informou que “é contra a depredação do patrimônio público e atos violentos de ambos os lados e considera urgente o estabelecimento de um canal de diálogo entre governo e manifestantes para que se encontre uma solução pacífica para o impasse”.