Levantamento realizado pelo Sindicato dos Jornalistas do DF junto a 17 veículos de comunicação aponta que pelo menos sete jornalistas do DF sofreram algum tipo de agressão durante as coberturas das manifestações que iniciaram no mês de junho. As violações contra os jornalistas foram realizadas por policiais e por manifestantes.
O repórter fotográfico da Folha de S. Paulo, André Borges, levou um tiro de bala de borracha quando cobria um dos atos. A Polícia chegou a justificar afirmando que o profissional havia entrado na linha de tiro. Outros três jornalistas, Ary Filgueiras, Marcelo Palmeira e Alessandro Palmier, também foram alvo de violência por parte de policiais.
"Não é justificável que manifestantes agridam jornalistas, mas é muito mais grave quando essa violência ocorre por parte de agentes do Estado, que deveriam garantir a segurança não apenas dos manifestantes como dos profissionais que prestam esse importante serviço de cobrir atos como esses. É um atentado à liberdade de imprensa", diz o presidente do SJPDF, Lincon Macário.
Para além dos dados de violações físicas, no decorrer da pesquisa também foi relatado à assessoria do SJPDF que muitos jornalistas sofreram ameaças verbais, além de ameaça à destruição de equipamentos de trabalho, como câmeras e carros das emissoras de televisão.
“Dados de diversas pesquisas confirmam que o nosso país é um dos que mais pratica violência contra jornalista no mundo. Hoje, além de enfrentar problemas de precariedade no trabalho, os profissionais exercem a profissão com medo. Precisamos mudar esse cenário” , afirma Wanderlei Pozzebom, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas.
O SJPDF divulgou nota e cobrou direções e veículos para garantir a segurança de seus profissionais. A entidade defendeu que emissoras e veículos impressos não enviassem jornalistas para o meio dos protestos e assegurassem os equipamentos adequados de proteção.
Direitos Humanos
Para Alexandre Ciconello, especialista em direitos humanos e assessor político do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), qualquer violência tanto a praticada pelos policiais quanto aquela exercida pelos manifestantes é condenável.
“Os jornalistas estão sentindo algo que a sociedade sente há muito tempo. Que é essa polícia repressiva e não cidadã. Eles criminalizam a pobreza, as comunidades e as manifestações por direitos. Agora a grande mídia está sentindo isso, mas essas práticas sempre existiram. Está mais do que na hora de pensar em uma reforma profunda da polícia do país”, afirma Ciconello.
Sobre a hostilidade dos manifestantes, Alexandre afirma que uma das insatisfações da sociedade tem relação com a atuação da mídia. “Há um contexto de uma crise da representação da esfera política, que está sendo dominada por interesses privados e não públicos. Existe também uma insatisfação popular com relação aos interesses da grande mídia que cada vez mais se mostra influenciada por interesses econômicos, ideológicos e religiosos”, completa.
Confira abaixo o quadro dos jornalistas que sofreram violência durante a cobertura das manifestações:
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Ari Filgueira |
Agredido por policiais com spray de pimenta |
TV Globo |
26-jun-2013 |
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Jorge Luiz dos Reis Brum |
Ameaçado por manifestantes com uma arma |
EBC |
20-jun-2013 |
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Marcelo Parreira |
Agredido por policiais com spray de pimenta |
TV Globo |
26-jun-2013 |
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Paulo Ozanan |
Atingido por uma pedra por manifestantes |
TV Globo |
25/jun/13 |
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Wellington Silva |
Atingido por uma garrafa por manifestantes |
Rede TV |
20/jun/13 |
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Alessandro Palmier |
Atingido por spray de pimenta pela polícia |
SBT |
27/jun/13 |
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André Borges |
Atingido por policias por bala de borracha |
Folha de S. Paulo |
01/jul/13 |
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Étore Medeiros |
Perseguido pelos policiais que estavam com cacetete |
Correio Braziliense |
26-jun-2013 |