Em nota enviada para o Sindicato dos Jornalistas do DF, o setor de recursos humanos da Editora Abril confirmou que ocorrerão cortes na redação da VEJA Brasília, visto que o veículo passa a ser exclusivamente digital. A assessoria de imprensa do SJPDF solicitou informações sobre o número de jornalistas que serão afetados com a mudança, mas até o fechamento dessa matéria a informação não tinha sido repassada pela Abril.
Esses profissionais que serão desligados da VEJA Brasília passam a fazer parte das estatísticas das demissões dos primeiros quatro meses de 2015, que já atingiram mais de 300 trabalhadores da área de grandes e pequenos veículos em todo o país. Os números chamam atenção, visto que para além de enfrentar problemas como acúmulo de tarefas, assédio moral, hora-extra não remunerada, os “passaralhos” das redações estão cada vez frequentes. (Veja aqui o quadro)
“Primeiro fico triste com toda essa situação. Com a falta de investimento na categoria e nos profissionais porque na hora de contratar querem um profissional competente, dedicado. Mas na hora de demitir vêm a famosa frase: 'não gostaria de fazer isso, mas não tem alternativa. Estou cumprindo ordens'. Nos tratam como números”, desabafa Bruno Feittosa, ex-repórter da Band do DF, que faz parte da lista das últimas demissões da emissora (confira a entrevista completa abaixo). Assim como ele, mais quatro colegas da empresa também foram desligados: Paulo Medeiros, Rimack Souto, Carlos Alberto Junior, Eliésio Rodrigues e Luis Carlos Gomes. Vivem a mesma situação os jornalistas Ed Ferreira e Fábio Brandt (ex-Estado de S. Paulo) e Severino Motta e Sergio Lima (ex-Folha de S. Paulo), todos eles das sucursais do DF. Semanas antes, a equipe que trabalhava no Jornal Local 2a Edição, da TV Brasília, também foi toda desligada.
Nessa terça-feira, 14/4, o SBT demitiu 46 funcionários que trabalhavam no Notícias da Manhã, telejornal que foi ao ar até a última sexta (10). Metade deles trabalhava na Redação como produtores e pauteiros e o restante estava na parte técnica. A emissora confirmou os cortes e justifica que não conseguiu reaproveitar todos os empregados após o cancelamento do jornalístico. Nenhum jornalista do DF foi demitido, assim informou o setor de recursos humanos do SBT do DF.
A principal justificativa das empresas para os cortes é a crise econômica que vive o país. Em nota de repúdio divulgada nos últimos dias, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF afirma que os desligamentos “revelam o descaso das direções desses conglomerados para com seus profissionais e com o bom jornalismo. Após anos, por vezes décadas, de dedicação, o resultado foi o seu desligamento como peças descartáveis. O compromisso exigido pelas empresas junto aos profissionais é desprezado quando esses grupos passam por dificuldades financeiras. Sob o argumento da crise, a conta é jogada no colo dos trabalhadores”, ressalta a nota.
Além de publicar notas de repúdio às demissões, o Sindicato já entrou em contato com o Sindicato de São Paulo, onde ficam as matrizes das empresas, para verificar os tipos de acordos que estão sendo realizados junto às empresas. A intenção do Sindicato é seguir a mesma diretriz no que tange à questão jurídica dos casos de demissão.
Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, informa que a entidade está procurando os profissionais para colocar a entidade e o seu setor jurídico à disposição. “Reafirmamos a nossa luta em defesa da categoria. Nós nos solidarizamos com os colegas e prometamos não medir forças para atuar nos casos”, ressalta.
Relato
Bruno Feittosa trabalhou quase três anos na Band Brasília, sendo dois na rádio e o restante do período na TV. Ele afirma que no dia da sua demissão trabalhou normalmente e no fim do expediente foi chamado pelo chefe e recebeu a notícia de que seria desligado da equipe. “Não teve uma justificativa. A Band está passando por uma crise e reestruturando a casa. Com o fim do Brasil Urgente DF parte da equipe foi desligada”, explica.
Feittosa também admite que está “triste com toda essa situação” e desabafa: “Com a falta de investimento na categotia e nos profissionais porque na hora de contratar querem um profissional competente, dedicado. Mas na hora de demitir vem a famosa frase: "não gostaria de fazer isso, mas não tem alternativa. Estou cumprindo ordens". Nos tratam como números”.
Outra preocupação é o fato das redações estarem enxugando cada vez mais suas equipes. “As redações estão funcionando com números reduzidos e com estagiários. Precisamos de valorização. Por isso, defendo a obrigatoriedade do diploma. Sou pós-graduado em telejornalismo, no entanto, não faz diferença essa especialização”, argumenta.
Ele acredita que os sindicatos precisam ser mais duros com os empregadores. “Não dá para ter numa redação um profissional e três estagiários”, ressalta.
Imagem: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro