O primeiro fotógrafo oficial de Brasília, Mário Fontenelle, foi reconhecido nessa terça-feira, 16/6, com o título póstumo de Cidadão Honorário de Brasília concedido pela Câmara Legislativa do DF. O reconhecimento foi fruto de pleito apresentado pelo Sindicato dos Jornalistas do DF e pelo cineasta Pedro Jorge à casa legislativa. Fotógrafo oficial do governo Juscelino Kubitschek, Fontenelle é o maior responsável pelas imagens da construção dos monumentos e das rodovias do Distrito Federal.
Uma mostra composta por 18 imagens da fundação da Capital do país e quatro painéis que contam a trajetória de Fontenelle fez parte da noite de homenagem. A exposição de equipamentos fotográficos que eram utilizados na época também foi uma das atrações do evento.
Durante a sessão solene foi exibido o curta-metragem “Mario Fontenelle - A oração silenciosa”, do cineasta cearense e professor da UnB Pedro Jorge de Castro, produção que teve o apoio do SJPDF. O filme mostra a história do fotógrafo por meio de documentos, imagens e depoimentos de profissionais de imagem, jornalistas, cientistas sociais e professores.
Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, afirma que a homenagem faz jus ao que Fontenelle significou para a história da cidade. “Temos que considerar que Fontenelle foi responsável pelos registros e sem eles a história de Brasília não teria sido documentada. A homenagem é um reconhecimento ao trababalho desse pioneiro, que morreu aos 67 anos no ostracismo no Lar dos Velhinhos Maria Madalena, localizado no Núcleo Bandeirante”, disse.
Perfil
Nascido em Parnaíba, Piauí, Mário Fontenelle é considerado um dos mais importantes memorialistas de Brasília, com a produção de mais de 5 mil fotografias da construção da Capital. Os registros foram feitos com uma máquina fotográfica recebida das mãos do então presidente Jucelino Kubitschek. Essas imagens compõem o acervo Fundo Novacap do Arquivo Público do DF, valioso conjunto documental que ajuda a contar a história de Brasília. Apesar da sua enorme contribuição, Mário Fontenelle morreu pobre, sozinho, e seus últimos anos de vida foram num asilo no Núcleo Bandeirante. Entre os seus registros mais emblemáticos estão o cruzamento dos eixos, marco zero da construção de Brasília e a clássica imagem de JK e Lúcio Costa, lado a lado, no local onde se iniciaria o Eixo Monumental.
Confira vídeo sobre a homenagem abaixo
Foto: Mário Fontenelle/Arquivo Público do DF/Reprodução