O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF se reuniu nesta quinta-feira, 28/1, com a secretária de segurança pública, Márcia Araújo, o comando da Polícia Militar e a direção da Polícia Civil para discutir o tratamento dado a jornalistas pelas forças de segurança. A reunião foi solicitada após o caso de uma profissional que, mesmo não estando a serviço, foi objeto de um conjunto de constrangimentos no último domingo após registrar uma abordagem policial em um bloco de carnaval e se identificar como jornalista.
O representantes do SJPDF, Jonas Valente, cobrou esclarecimentos sobre o caso. O diretor-geral da PCDF, Eric Bessa, afirmou que havia relatos conflitantes acerca do ocorrido mas que o caso seria apurado conforme procedimentos e instâncias previstas para situações como essa. O representante do Sindicato questionou alguns pontos, como a exigência feita pelo agente junto à jornalista de somente liberá-la se apagasse os vídeos da abordagem e da condução até a delegacia obrigatoriamente em viatura mesmo com a moça não tendo se negar a contribuir como testemunha. O diretor reafirmou que no caso de abusos eles serão apurados.
O representante do Sindicato comentou que o objetivo da conversa era também construir uma aproximação com as forças de segurança para que haja medidas concretas voltadas à formar e construir nas forças de segurança uma compreensão do trabalho da imprensa. Citou situações anteriores no DF, como foi a cobertura das manifestações de 2013 e do Feriado da Independência, ou de casos de operações policiais onde houve tratamento abusivo, como ocorreu com equipe do SBT em 2015. Dados da Abraji sobre cobertura de manifestações em 2013 e 2014 mostraram policiais como responsáveis por 88% das agressões. O relatório sobre violência da Fenaj também colocou os agentes das forças de segurança como principais autores de casos. Segundo o coordendor-geral Jonas Valente esses dados e situações mostram uma cultura de ver no jornalista um alvo pelo fato dele poder registrar abusos policiais.
A secretária de segurança pública, Márcia Araújo, defendeu que é preciso confiar no trabalho da polícia. Segundo ela, como em qualquer profissão pode haver bons e maus trabalhadores mas que abusos podem e devem ser apurados. Destacou o papel da mídia mas questionou a cobertura feita pela imprensa, que em alguns casos enfatiza aspectos negativos de estatísticas de segurança em vez dos positivos. A secretária ponderou que é preciso ter uma ação pedagógica para que profissionais de imprensa e das forças de segurança conheçam e entendam melhor o trabalho de cada um.
O representante do SJPDF sugeriu então dois seminários, um para que os jornalistas apresentem suas demandas junto às forças de segurança tanto no tocante às relações institucionais e profissionais quanto na parte de tratamento e outro encontro para que as forças de segurança debatam com os jornalistas a cobertura do tema e expliquem como atuam. O objetivo ao fim é ver a possibilidade de encaminhamentos, eventualmente acordos ou protocolos. A secretária informou que agendou reunião com a secretária de comunicação, Vera Canfran, e que o assunto seria retomado após o carnaval.
Foto: Marcos Alves / Agência O Globo