Depois de várias cobranças junto ao Correio Braziliense, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF se reuniu nessa terça-feira, 1/3, com representantes do jornal para tratar das dificuldades econômicas do veículo. Durante a reunião foram apresentados pleitos discutidos pelos trabalhadores na última assembleia como a criação de uma “Comissão de Crise”, que tem o objetivo de acompanhar os problemas financeiros da empresa e as iniciativas para resolvê-los. O cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) também foi abordado na reunião.
Os representantes da empresa disseram que estão tentando concluir uma reestruturação econômica até o mês de março. Eles ressaltaram que dentro das sugestões de mudanças, a empresa irá propor um parcelamento do reajuste retroativo dos funcionários e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O Correio quer dividir em sete vezes o retroativo, com início em maio, e em duas vezes a PLR (parcelas em junho e setembro).
Os diretores do Sindicato colocaram que essa proposta da empresa está fora da Convenção Coletiva de Trabalho. “Para fechar o acordo, os trabalhadores toparam a passar esses pagamentos para março e o Correio quer adiar ainda mais. Vemos isso como algo muito problemático, pois terá impacto na Campanha Salarial de 2016”, afirma Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
O Sindicato convocou uma assembleia com os trabalhadores para a próxima sexta-feira, 4/3, na sede do Correio, visando garantir uma maior participação. A proposta é que os jornalistas se posicionem em relação à sugestão do Correio de adiar mais ainda o pagamento do retroativo e da PLR. Os outros temas tratados na reunião também serão colocados em discussão.
Criação da Comissão de Crise
Os diretores do Sindicato também colocaram que os trabalhadores teriam indicado, em assembleia, a criação de uma comissão para acompanhar os problemas financeiros do veículo. Os empregados querem ter uma noção concreta sobre situação do jornal e, inclusive, participar com sugestões. Os representantes sindicais consideram a proposta relevante, já que existe um clima de insegurança dos trabalhadores. O representante financeiro e a diretora de redação disseram que não seriam contra a instituição da comissão, mas que teriam que ver como isso poderia ser feito (Confira mais sobre a Comissão aqui).
Termo de Ajustamento de Conduta
Outra questão pontuada foi o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Ministério Público do Trabalho. O Termo trata dos plantões, do descanso semanal remunerado e do intervalo intrajornada. O acordo foi estipulado em março com o objetivo de sanar algumas irregularidades dentro do jornal (confira mais sobre o TAC aqui).
Anteriormente, os jornalistas reclamaram que os descansos semanais não têm ocorrido conforme estipula o TAC, visto que os profissionais chegam a fazer até dois plantões (trabalho no sábado e domingo) mensais. O Termo prevê que os trabalhadores devem fazer somente um plantão ao mês. Os funcionários reclamam também do excesso de horas-extras. Com a redução das equipes, existem relatos de uma cobrança maior pela produção sem que haja tempo hábil para isso, o que tem criado pressão inclusive para que a conclusão do trabalho seja feita para além das nove horas máximas permitidas segundo o TAC.
Os representantes do Correio disseram que o TAC está sendo cumprido e que existem alguns problemas na área de diagramação e revisão. O SJPDF solicitou aos jornalistas informações sobre o cumprimento do Termo. Este tema também estará entre os assuntos da assembleia.