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Publicado em Sexta, 04 Março 2016 11:27
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CARTA ABERTA DOS JORNALISTAS DO FATO ONLINE

Era pra ser um dia de comemorações... Neste dia 4 de março, completa-se um ano da estreia do Fato Online. Com grande festa, para a qual foram convidadas importantes autoridades dos três poderes da República, o portal nascia com o compromisso de fazer um jornalismo equilibrado, aprofundado, isento e apartidário. No início, éramos 35 profissionais. Hoje, somos mais de cem.

Não cabe aqui falarmos de nossas trajetórias pessoais como jornalistas. O que vale dizer é sobre o sucesso jornalístico coletivo do projeto que aceitamos acolher. Nesse curto período de um ano de existência, um bebê sequer começa a dar seus primeiros passos. Mas, para nós, esse foi tempo suficiente para quatro prêmios de jornalismo. Para sermos considerados por um prestigiado site especializado o principal acontecimento jornalístico de 2015. Foi tempo suficiente para a publicação de seguidos furos. Reportagens exclusivas. Denúncias importantes.

Naquilo que nos competia fazer, transformamos o Fato Online em um projeto inquestionavelmente exitoso. Podemos ter muito orgulho disso.

Infelizmente, porém, à frente da gestão empresarial desse empreendimento estava alguém que demonstrou não estar à altura do desafio. O projeto crescia em velocidade alucinante. Os indícios de megalomania se provaram realidade.

Em uma semana de dezembro, num bar imenso às margens do Lago Paranoá, recém comprado pelo empresário à frente do nosso projeto, a equipe do Fato Online gravava um alegre clipe de fim de ano. No mesmo tempo, eram anunciados ousados planos de expansão e a contratação de novos profissionais e colunistas famosos. Na semana seguinte, nossos salários começaram a atrasar.

A partir daí, acumulamos neste momento três meses de salários atrasados e mais o 13o.  Ouvimos nada menos que 12 promessas não cumpridas de pagamento. Ao longo desse tempo, ainda mantivemos a crença numa solução, adiando medidas mais drásticas. Era nosso jeito de mostrar que ainda acreditávamos que o belo projeto poderia dar certo.

Ao final desse processo todo, no dia 29 de fevereiro, recebemos do empresário Silvio Assis duas propostas absurdas de solução dos nossos passivos.  Nenhuma delas previa pagamento imediato de sequer uma parte da dívida, mesmo com a ciência da direção de que a greve já estava aprovada havia quase três semanas e seria deflagrada na ausência de algum pagamento. Evidentemente, nenhuma das duas propostas foi aceita. E cumprimos nossa decisão. Uma hora depois da assembleia, já houve retaliações. Nossos emails funcionais foram desativados, o que levou também a nos ser negado o acesso ao publicador do site. Ressalte-se que estamos em greve. Não nos desligamos da empresa. Não são, portanto, nossas atitudes que revelam beligerância ou pouca disposição para a busca de uma solução. Repetimos: levamos três meses para tomar a decisão de paralisarmos as nossas atividades por tempo indeterminado!

Somos trabalhadores. Vivemos dos nossos salários. Muitos de nós somos pais e mães de família. Todos, portanto, somos pessoas que tiram dos seus trabalhos o seu sustento. Do que nos compete - nossos trabalhos, como jornalistas que somos - só temos do que nos orgulhar.

Por tudo o que aqui foi relatado, fica claro que não é possível querer-se atribuir a uma eventual crise econômica ou à crise vivida pelo jornalismo a nossa situação. À frente do empreendimento, estava o senhor Silvio Assis, que, ao mesmo tempo em que fazia planos de expansão, não teve a grandeza de honrar o mais sagrado dos  compromissos de uma empresa.

Não há crise que provoque mudança dessa dimensão de um momento para outro. A crise que vivemos no Fato Online não é econômica. Também não é uma crise do jornalismo. É uma crise de gestão.

Assim, neste aniversário, nada iremos comemorar. Nossas forças serão direcionadas na busca dos nossos direitos, assegurados por lei, mas relegados pelo senhor Assis.

Brasília, 4 de março de 2016

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