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Publicado em Terça, 08 Março 2016 16:11
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Nesta terça-feira, 8 de Março, é celebrado, em todo o mundo, o Dia Internacional da Mulher. E para marcar a data, que deve ser um dia de reflexão e de reafirmar a unidade de todas e todos em torno da pauta pelos direitos das mulheres, o Sindicato dos Jornalistas do DF lançará um questionário direcionado às jornalistas. A intenção do levantamento é avaliar a quantas andam o cumprimento dos direitos das mulheres dentro das redações e assessorias de imprensa/comunicação, além da incidência de casos assédios moral e sexual, machismo, racismo e preconceito com mulheres gestantes. Essa é a primeira atividade do SJPDF para marcara data no mês de março, que incluirá também o ato de criação do Coletivo de Mulheres Jornalistas, no dia 28 de março.

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Os dados comprovam que a data de hoje, muito mais que um dia de comemoração, deve reafirmar a luta dos que querem igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, brancos e negros, indígenas, quilombolas, lésbicas, gay e transexuais.  Embora elas sejam a maioria entre os jornalistas no Brasil, atingindo um percentual de 64% da categoria, ainda recebem salários menores que os seus colegas e não ascendem aos postos de comando nas várias redações e assessorias de imprensa do país. Os homens continuam sendo a maioria a ocupar os cargos mais altos e, por consequência, a definir a linha editorial dos veículos de comunicação. Nesse sentindo, além de buscar a igualdade, a melhoria na abordagem dos assuntos de gênero nos meios de comunicação e dar voz às mulheres estão, também, entre os principais desafios do SJPDF como entidade representativa dos e das jornalistas do DF.

É importante destacar, ainda, que a realidade da nossa categoria é a mesma do cenário geral do mundo do trabalho. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2012, o rendimento médio da mulher brasileira equivale a 72,3% da renda média dos homens, ou seja, o salário das mulheres permanece 28% inferior aos dos seus colegas. No estudo, o rendimento médio dos homens foi registrado em R$ 1.857,63, enquanto que o das mulheres era R$ 1.343,81, apesar de terem mais escolaridade. Esses números expõem uma dura realidade que precisa ser superada.

Sobre a representatividade da mulher na mídia, a pesquisa “Investigação sobre o impacto da representação de gênero no cinema e na televisão brasileira” divulgada hoje (8/3) pelo Instituto Geena Davis aponta que cerca de 51% dos brasileiros dizem que filmes e programas televisivos incentivam o desrespeito e o assédio a mulheres em ambientes de trabalho. Quase metade deles acredita que os programas de entretenimento têm impacto negativo nas práticas de assédio a mulheres nos locais de trabalho. Cerca de 73% acreditam que as mulheres são mostradas de maneira exageradamente sexualizadas no cinema e na TV, “reduzidas a seios e bundas”, com poucas roupas e como pessoas pouco inteligentes.

Em se tratando de violência, 60 mil mulheres são assassinadas no mundo todos os anos - e a América Latina tem uma das taxas mais altas de feminicídio no mundo. No Brasil, são 4,8 assassinatos de mulheres a cada 100 mil habitantes. Em relação às denúncias realizadas pelo 180 da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, nos primeiros dez meses de 2015 foram recebida 63.090 denúncias. Deste registro, quase metade corresponde a denúncias de violência física. 

Por todos os motivos apontados acima, o Sindicato quer identificar como as mulheres jornalistas têm sido tratadas em seus ambientes de trabalho e quais são suas principais queixas. O questionário possui perguntas rápidas e fechadas. O objetivo é que o instrumento aponte números desse universo e também dê luz a novas ações da entidade direcionadas especificamente para as jornalistas (participe da pesquisa aqui).

O olhar de algumas diretoras do Sindicato

 

Leonor Costa – coordenadora-geral do SJPDF

"Está passando da hora de sabermos como as mulheres da nossa categoria veem as suas próprias condições de trabalho e se já foram vítimas do assédio e do machismo. Hoje é o dia de refletirmos sobre a nossa condição de mulher na sociedade em que vivemos. Ainda seguimos ganhando menos que os nossos colegas homens (mesmo tendo nível de escolaridade maior que eles); somos minorias nos cargos de gestão e alto escalão das grandes empresas privadas e do setor público; milhares ainda são violentadas, estupradas e muitas vezes mortas, diariamente, pelo fato de serem mulheres (os números do feminicídio no Brasil infelizmente estão entre os maiores do mundo); continuamos sofrendo discriminação nos locais de trabalho quando estamos gestantes; seguimos sem creches públicas para os nossos filhos; sofremos mais que os homens nos hospitais públicos e privados, para além da violência obstetra; continuamos sendo chamadas de vadias quando decidimos que ‘nosso corpo, nossas regras, portanto quem manda nele somos nós’; e as tarefas domésticas continuam sendo atribuídas majoritariamente a nós. Em tempos de crise e de ajuste fiscal, somos as primeiras a serem demitidas. Por tudo isso, entendo que esse dia é para reafirmar a nossa unidade e a necessidade de superar esse conjunto de ataques e opressões que ainda nos são impostas. Só nós sabemos o que enfrentamos diariamente para estar aqui, cada uma a seu modo, com suas escolhas. Somos jornalistas, somos trabalhadoras. E entendemos que o 8 de março deve ser lembrado como o dia internacional de luta das mulheres”, afirma.

Renata Maffezoli, coordenadora administrativa do SJPDF

“Longe de ser uma data comemorativa, o dia 8 de março serve para marcar a luta cotidiana das mulheres, contra a violência e pela igualdade de direitos e também para desconstruir os esteriótipos de que mulher é dependente, frágil, incapaz. É importante lembrar também os avanços e conquistas que já tivemos graças a luta de tantas mulheres, mas que infelizmente estão ameaçados, como por exemplo o direito à aposentadoria, que, por considerar a dupla jornada das trabalhadoras, garante idade mínima para aposentadoria diferenciada. Recentemente, o governo anunciou a possibilidade nova reforma na Previdência, com a proposta de igualar a idade de aposentadoria para homens e mulheres. Isso acaba com uma conquista histórica das mulheres, num momento em que estamos longe de garantir isonomia salarial, a igual divisão das tarefas parentais e domésticas, e o fim da jornada dupla, às vezes tripla, das mulheres como algo natural. 

No caso específico das mulheres jornalistas, precisamos refletir sobre como somos tratadas em nossos espaços de trabalho, quanto assedio sofremos pela nossa condição de mulher, em quantas pautas já fomos preteridas por sermos mulheres, quais espaços ainda não ocupamos. A proposta da pesquisa é levantar essas questões, para que possamos debater no coletivo, que será criado no dia 28, e terá como função manter aceso essa discussão durante todo o ano. Tanto a pesquisa quanto as discussões e acumulo do coletivo serão importantes para pautar as ações do sindicato na luta por um mundo onde sejamos socialmente iguais e totalmente livres. Por isso, convidamos todas as colegas jornalistas a se juntarem a nós no dia 28”, afirma Maffezoli.

Soane Guerreiro, diretora do SJPDF

“O lançamento dessa pesquisa é resultado de uma inquietação do Sindicato e das mulheres que contribuem para a construção das ações do Coletivo de Mulheres. Lidamos com frequência com relatos de assédio e discriminação de gênero e com falta de equidade entre homens e mulheres na composição de cargos que envolvem a tomada de decisão nas empresas. Cabe a nós entendermos esse cenário e promovermos iniciativas que tragam empoderamento em relação ao local de fala que possamos alcançar de cada mulher e jornalista para que as desigualdades e abusos não sejam naturalizados no ambiente de trabalho”, ressalta Guerreiro.

Lançamento do Coletivo de Mulheres Jornalistas

No dia 28/3, às 19h30, o SJPDF irá lançar o Coletivo de Mulheres Jornalistas. Iniciativa que já estava sendo gestada há algum tempo pela direção da entidade, a criação do Coletivo contará com uma mesa de debates que tratará de temas como condições de trabalho e feminilização da profissão; machismo, racismo e assédio moral no ambiente de trabalho; e a imagem da mulher na mídia, entre outras temáticas de gênero. Estão confirmadas para o debate as jornalistas Ismália Afonso, Ismália Afonso, jornalista e mestranda em Gênero e Políticas Públicas na Flacso Argentina; Juliana Nunes, militante do coletivo Pretas Candangas e da Cojira (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), e Bia Barbosa, coordenadora do Coletivo Intervozes e membro da direção do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação). 

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