Depois de entrar na justiça contra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o jornalista Thiago Sousa Interaminense ajuizou mais uma ação para denunciar assédio moral por parte da sua chefia imediata, que pressionava a saída do profissional na área onde ele atuava na empresa com o objetivo de causar constrangimento ao jornalista e obter vantagem diante do processo.
O Sindicato dos Jornalistas do DF e outras entidades representativas recebem constantemente várias denúncias de assédio. Este assunto também está presente na pauta de reivindicações apresentada pelas entidades à direção da empresa. O SJPDF lembra que as regras do Acordo Coletivo de Trabalho devem ser cumpridas e que os gestores julgados pela comissão de ética devem perder suas funções.
“Nós tivemos uma conquista importante no último ACT, que é a responsabilização e a perda de cargo das chefias que venham a cometer assédio moral. Infelizmente ainda lidamos com a situação de gestores que tiveram o assédio comprovado na Comissão, mas continuam nas mesmas posições, mas junto às demais entidades, nós temos cobrado ações da empresa”, afirma Soane Guerreiro, diretora do SJPDF.
Entenda o caso
O empregado já exerceu as funções de chefe de reportagem e coordenador de rede, no período em que atua na empresa, mais de 10 anos, no entanto sempre recebeu salário de técnico operador de TV. Para resolver a questão, o jornalista afirma que tentou várias vezes ter o reconhecimento do desvio de função na esfera administrativa. Sem sucesso, o profissional resolveu ajuizar uma ação na justiça para solucionar a questão.
Depois de tomar conhecimento da ação, a empresa tem forçado a retirada do funcionário. Em relato realizado ao Conselho de Ética da EBC, Thiago afirma que sua chefia imediata tentou rebaixá-lo de função e retirá-lo da TV.
“Eles estão pressionando a minha saída, com o intuito de me humilhar e fazer a empresa ter vantagem diante do processo, me prejudicando e afetando o bom funcionamento do meu trabalho e do trabalho da Coordenação de Rede. Além do prejuízo moral por mim sofrido, humilhação diante dos meus colegas e difusão de informações sobre meu processo”, relata Thiago.
Thiago foi excluído de todos os plantões de feriados e fins de semana. O jornalista também não foi mais requisitado para exercer funções sobre a rede. Ele afirma que a chefia pediu para que outros coordenadores da TV, de outras áreas, o pressionassem a sair da redação da TV Brasil. Segundo o jornalista, os coordenadores foram até a redação para coagi-lo. “Eles afirmaram que a chefe não iria assinar meu ponto e que eu não faço mais parte da equipe. Em vez de pedirem para os gestores cessarem o assédio, pediram para me retirar do local, ilegalmente, já que eu estou com um processo na Justiça do Trabalho”, afirma Thiago.
Diante da retaliação, o jornalista tentou resolver o caso de assédio de forma administrativa, inclusive com pedido de ajuda ao Conselho de Ética da EBC. O Conselho orientou que ele fosse retirado da área já que estava em desvio de função, mesmo sabendo que a situação, de caráter trabalhista, está sendo analisada na justiça.
Depois disso, o caso foi arquivado e como o profissional se sentiu prejudicado com a atuação do Conselho, decidiu não continuar com o processo.
Um memorando solicitando a sua saída também foi emitido pela diretoria de jornalismo da empresa. No entanto, para que tivesse efeito, o jornalista deveria ter assinado. Ele se negou. Thiago ajuizou mais uma ação na justiça, dessa vez, de assédio moral.
(Foto ilustrativa)