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O atual cenário político brasileiro tem levado diversas categorias de trabalhadores, entidades sindicais e movimentos sociais a fazerem o debate e se posicionarem sobre os desafios que estão colocados para o Brasil no próximo período. A tão falada crise econômica, argumento utilizado por empregadores, patrões e gestores públicos a hora de cortarem direitos trabalhistas e sociais, aliada a uma grave crise de ordem política, marcada por iniciativas do Congresso Nacional mais conservador que o Brasil já teve desde a ditadura militar e por uma série de denúncias de grandiosos esquemas de corrupção envolvendo políticos e grandes empresas, estão entre as principais pautas dos veículos de comunicação e dos espaços públicos no último ano. 

Neste cenário da radicalização da disputa política, reafirmamos nossa defesa dos jornalistas e do jornalismo. Os profissionais de imprensa devem ter seu trabalho respeitado, não podem ser agredidos nem podem ser confundidos com a linha editorial de seus veículos, seja de que lado estejam. O Código de Ética dos Jornalistas deve ser defendido pela categoria como parâmetro para que a verdade, o equilíbrio e a veracidade das informações não sejam sacrificados em razão das posições políticas. Em um cenário de crise dos negócios do jornalismo e de descaso total com a veracidade e o embasamento do que se divulga pelas redes sociais, a atividade e seu caráter profissional mostram-se cada vez mais necessários.

Uma das ameaças ao desempenho dessa atividade é a ofensiva de setores conservadores, que mira os direitos dos trabalhadores no seu conjunto, mas também aqueles específicos da nossa categoria. Os avanços trabalhistas conquistados às custas de muita luta, os direitos das mulheres, dos negros e das negras, da comunidade LGBT, dos povos indígenas e quilombolas, entre outros setores historicamente atacados pelas elites dominantes, estão sendo colocados à prova como produtos em fim de feira. Nesse mesmo contexto se inserem as políticas de ajuste fiscal do atual governo que, com o argumento de que é preciso sair da crise e retomar o crescimento econômico, repassam toda a responsabilidade de seus erros e escolhas à classe trabalhadora, incluindo nós, jornalistas. Em nome da tal governabilidade, acordos e alianças foram feitas colocando em risco os poucos avanços sociais obtidos nos últimos anos, bem como abrindo brechas para novos ataques e retrocessos. 

No entanto, em que pese todos os erros do atual governo, é imperioso afirmar que o processo de impeachment em curso - capitaneado na Câmara dos Deputados por um presidente que é considerado réu pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Lava Jato e por um vice-presidente da República autor das mesmas iniciativas que hoje são usadas para defender o afastamento da presidenta – é parte dessa ofensiva conservadora. Um processo que não atende aos nossos interesses e que muito menos apresenta saídas que trarão melhorias para o país. Não se trata aqui de defender governos, até porque medidas conservadoras já vêm sendo implantadas por este governo, mas de defender o Estado democrático de direito e reconhecer o que está por trás da tentativa de impeachment: jogar a conta da crise nos trabalhadores, dos setores público e privado, sacrificando a renda destes e dos mais pobres e os direitos sociais e políticos. 

Denominado, acertadamente, de golpe institucional por vários setores que o denunciam, o pedido de afastamento da presidenta Dilma Rousseff - com argumentos que não apontam crime de responsabilidade fiscal e que, portanto, não têm base legal para justificar o pedido - é a saída apresentada por esses setores que se ocupam de propor projetos no Congresso Nacional que representam verdadeiros retrocessos aos nossos direitos. Aliada aos discursos contra a corrupção de personalidades políticas e empresários inclusive citados em esquemas que são objeto de investigação pela própria Lava Jato, está a cobertura dos principais veículos de comunicação. Neste momento, devemos refletir entre nós e com a sociedade: que papel esses meios estão cumprindo neste processo?

Com todas essas características em evidência, o Sindicato dos Jornalistas do DF entende que é preciso defender a democracia e os direitos dos trabalhadores e da população, denunciando a ofensiva contra eles. Ao mesmo tempo em que temos que repudiar as políticas de ajuste e de retrocessos do atual governo e também defender o aprofundamento das investigações contra as denúncias de corrupção de todos os envolvidos, sem distinção de partido ou grupo político, também devemos dizer que esse impeachment não representa a classe trabalhadora, onde nós nos inserimos. Não nos representa porque seus fiéis defensores, ao invés de estarem do lado dos que verdadeiramente querem melhorias para a população, já vêm deixando claro que pretendem aprofundar as políticas que ameaçam nossos direitos. Entendemos, portanto, que a ruptura institucional em curso, em sua primeira fase conduzida sem legitimidade por um parlamentar que é investigado pelo Conselho de Ética da própria casa que preside, pode representar um grande retrocesso para o conjunto da sociedade. Na nossa avaliação, um possível governo de Michel Temer vai acelerar, ainda mais, o grande "leilão" das propostas que atacam trabalhadores, mulheres, negros, LGBTs, estudantes, indígenas, quilombolas e militantes sociais que lutam pela democratização da mídia e pelo acesso à terra, como o PL da terceirização, a PEC 215, o estatuto do nascituro, o relatório da CPI dos crimes cibernéticos, a PEC que reduz a maioridade penal e o estatuto da família, para citar apenas alguns. 

Por fim, entendemos que o momento exige uma postura firme em defesa da democracia, conquistada às custas de muita luta, sangue, torturas e vidas.

Contra o avanço conservador!
Não ao ajuste fiscal!
Em defesa da democracia!

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF - SJPDF

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