O SJPDF, por meio de seu Coletivo de Mulheres Jornalistas do Sindicato dos Jornalistas do DF, convoca todas as profissionais que atuam nas redações e assessorias de imprensa/comunicação para participarem do ato unificado pelo Dia Internacional da Mulher, que ocorrerá na próxima quarta-feira, 8/3, com concentração às 14h, em frente ao Museu da República. De lá, trabalhadoras de várias categorias, estudantes e ativistas de diversos coletivos marcharão em direção à Praça dos Três Poderes, onde encerrarão a manifestação. O ato faz parte da agenda de atividades do mês que marca, internacionalmente, a luta das mulheres e reunirá manifestantes do DF e Entorno, que levantarão a bandeira contra a retirada de direitos, prevista nas reformas previdenciária e trabalhista, o racismo, o feminicídio, a LBTfobia e todas as formas de opressão de gênero (confira mais sobre o ato aqui).
A diretoria do Sindicato chama a atenção para a importância da participação das jornalistas nesse dia de luta unificado, uma vez que, apesar de serem maioria nas redações e assessorias, as mulheres ainda enfrentam problemas sérios como o assédio moral e sexual. Elas também recebem salários menores do que seus colegas e encontram dificuldades em ocupar cargos mais altos.
Além disso, problemas como a violência de gênero, como os altos índices de feminicídio e a cultura do estupro, são questões que preocupam cada vez as mulheres de todos os setores. No caso das mulheres negras, elas são as que recebem os menores salários, são maioria das trabalhadoras informais, sem carteira assinada, e estão no topo dos índices de violência. Aliada a isso, a reforma da Previdência, prevista na PEC 287/2016, em tramitação na Câmara dos Deputados, atinge frontalmente as trabalhadoras, que terão o tempo de aposentadoria igual ao dos homens, fixado 65 anos.
Dessa forma, o governo desconsidera o fato de a maior parte das mulheres terem dupla e às vezes tripla jornada ou trabalharem mais tempo que seus colegas, uma vez que assumem desde cedo as tarefas de casa.
“Num contexto agravado pelo golpe parlamentar, jurídico e midiático, a união das mulheres se mostra ainda mais urgente. Em vez de ser solução para a crise econômica, o ajuste fiscal proposto pelo governo aprofunda a concentração de renda, aumenta a desigualdade e promove o desemprego. O governo golpista também avança nas privatizações, corta investimento nas políticas sociais e retira direitos, atingindo diretamente nossas vidas”, ressalta a carta convocatória assinada pelas brasilienses.
Segundo Leonor Costa, diretora do SJPDF, é importante as jornalistas marcarem presença não só no ato, mas em espaços nos quais o Coletivo faz parte, atuando em conjunto com outras organizações de mulheres e entidades. “As mulheres são as mais atingidas por políticas de retirada de direitos, assédios e demissões. O mês de março é o período que temos que utilizar para marcar as nossas bandeiras de luta e resistência contra os retrocessos para nós mulheres e, especificamente, para nós jornalistas”, afirma Leonor, que tem representado o Coletivo de Mulheres Jornalistas nas reuniões organizativas do 8 de março unificado.
Veja os principais pontos de luta das mulheres do Distrito Federal:
Por que paramos?
* Basta de feminicídio: o Brasil está entre os cinco países com maior índice de homicídios de mulheres, segundo o Mapa da Violência 2015. No DF, a taxa desse crime cresceu 41,1% entre 2006 e 2013. Seis cidades do Entorno estão entre as cem onde mais se matam mulheres no País. As vítimas preferenciais são as negras, jovens e com baixa escolaridade.
* Contra a cultura do estupro: no Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. No DF, 60% dos estupros em 2016 vitimaram jovens com menos de 14 anos de idade. É comum culpar a vítima pela violência sofrida e tratar a agressão dos homens como algo normal. Cantadas de rua, piadas sexistas, ameaças, assédio moral e sexual dão formato à cultura do estupro, cuja violência tem consequências seríssimas para nossas vidas.
* Pela legalização do aborto: o aborto está entre as principais causas de morte de mulheres no Brasil. A cada dois dias, uma mulher morre em decorrência de aborto clandestino. Esse grave problema de saúde pública mata sobretudo as mulheres em situação de vulnerabilidade: por não ter como pagar, mulheres pobres, negras e com menos escolaridade recorremos a métodos que ameaçam nossas vidas.
* Pelo fim do racismo cotidiano contra as mulheres negras: nosso passado escravocrata e ausência de políticas, ao longo dos séculos, voltadas às mulheres negras nos colocam em posição subalterna, como objetos sexuais, tirando-nos o acesso a direitos fundamentais e reforçando desigualdades baseadas em gênero e raça/cor. Mulheres e meninas negras enfrentamos desproporcionalmente a combinação de múltiplas formas de discriminação e somos a maioria das vítimas em diversos indicadores de violações de direitos, inclusive nos feminicídios, forma mais grave de violência contra as mulheres.
* Pelo fim da lesbofobia e da bifobia e pela vida das mulheres trans: o Brasil é onde mais se matam LGBTs. A sobreposição de preconceitos aumenta o risco e faz com que a violência dentro e fora de casa seja real para lésbicas, mulheres bissexuais, trans e travestis. O preconceito e o machismo institucionais (em escolas, serviços de atendimento de saúde, segurança e justiça) negam-nos o acesso ao mercado de trabalho e o direito à nossa identidade.
* Pelos direitos das mulheres com deficiência: aproximadamente 40% das mulheres com deficiência no mundo já sofreram violência doméstica. No Brasil, somos mais de 25 milhões de mulheres com deficiência, a maioria negras. Pelo isolamento social e pelo silêncio que circunda nossos corpos e nossas vidas, ficamos ainda mais expostas a todo tipo de violência e de abuso.
* Pela vida das mulheres em privação de liberdade: o sistema carcerário reproduz as desigualdades de gênero, restringindo as oportunidades de estudo e de trabalho para as mulheres.
* Pelo fim da violência contra indígenas, quilombolas e mulheres do campo: principais responsáveis pela agricultura familiar e pela pecuária, somos as que mais sofremos com a atuação de grandes empresas em nossos territórios e as desigualdades trazidas por esse modelo de crescimento econômico.
A luta a que as mulheres se propõem é por outra sociedade, mais justa e solidária, que saiba valorizar todos os conhecimentos, em especial os ancestrais e tradicionais. É também por relações que não se pautem nos ganhos individuais, na exploração e no lucro. “Lutamos pela desconstrução da lógica da casa grande e da senzala. Pelo fim da cultura machista. Pela construção de uma cultura política que valorize as diferenças e não as transforme em desigualdades”. É por uma sociedade em que todos os corpos, etnias, religiões e crenças, todas as sexualidades e gêneros, no campo e na cidade, tenham as mesmas oportunidades.
Coletivo de Mulheres Jornalistas do SJPDF
O Coletivo de Mulheres Jornalistas do SJPDF foi criado há um ano. De lá para cá, o grupo realizou a pesquisa “Desigualdade de gênero no jornalismo”, se reuniu para discutir temas específicos que afetam as jornalistas em seus locais de trabalho e se uniu a outras organizações e entidades para debater sobre o atual cenário político e os reflexos das propostas do governo golpista na vida das mulheres.