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O SJPDF participou nas últimas duas semanas da dura negociação com a Editora Globo, que decidiu reduzir salários e jornadas em 25%, com base na Medida Provisória 936. Parabenizamos a mobilização dos/das jornalistas da empresa e da direção dos sindicatos de São Paulo e Rio de Janeiro. Sem dúvida, alguns ganhos foram conquistados, mas aquém do que desejávamos.

Reforçamos a necessidade de que os acordos sejam coletivos! Os trabalhadores não devem aceitar a assinatura de acordos individuais sem dialogar com os sindicatos. Lembre-se: independentemente da proposta de redução ser individual ou coletiva, o sindicato tem mais força para negociar do que um trabalhador de forma isolada. Em caso de redução salarial, por exemplo, é possível buscar outras garantias, como a ampliação do tempo de estabilidade de emprego.

Leia abaixo, na íntegra, a NOTA dos jornalistas da Editora Globo em relação à negociação finalizada nessa segunda-feira (27/04):

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NOTA DE REPÚDIO À EDITORA GLOBO

Diante da proposta da Editora Globo de reduzir os salários e jornadas em 25% com base na Medida Provisória 936, os jornalistas da empresa no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília se mobilizaram em três assembleias gerais e acabaram por decidir, em reunião virtual realizada hoje, 27 de abril, aceitar a proposta patronal.

Apesar de a categoria ter decidido aceitar a proposta da empresa, por maioria dos votos, foi deliberado em assembleia o repúdio coletivo à maneira como as negociações foram conduzidas pela Editora Globo. Durante o processo, a empresa enviou termos e comunicados desencontrados, confundindo os jornalistas a respeito do que estava sendo colocado em questão e voltando atrás em demandas inicialmente atendidas, como a de manter a estabilidade no emprego por seis meses.

Além disso, a Editora Globo se recusou a fazer a retificação das propostas iniciais mesmo após ter aceitado parte dos pleitos dos jornalistas, levantando dúvidas sobre a segurança jurídica do processo. Ao mesmo tempo, a empresa pressionou individualmente os funcionários e fechou de forma abrupta a janela de negociações coletivas com os sindicatos das três praças.

A Editora Globo tampouco ofereceu evidências concretas que justificassem o corte de salários da categoria, se eximindo de enviar aos jornalistas relatório das receitas demonstrando redução significativa no último mês, comprovando o impacto pelo isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus.

Vale frisar que a postura adotada pela empresa não condiz com discurso reiterado de valorização do fazer jornalístico e da função essencial dos jornalistas em momento grave como o atual.

A crise provocada pelo novo coronavírus causou graves consequências econômicas e sociais – e os jornalistas sabem que não são os únicos a sofrerem com a redução salarial. Em nenhuma das propostas enviadas à empresa, a classe questionou o impacto salarial em situação de emergência. Cobrou, sim, medidas sobre outros pontos da discussão, como a estabilidade no emprego, a integralidade do vale-refeição e a garantia do plano de saúde, tão importantes em um momento como esse.

Não se tratou, portanto, da defesa de privilégios, mas de direitos básicos a qualquer trabalhador, ainda mais àqueles que prestam serviço essencial na atual conjuntura, em que informação de qualidade pode ser a diferença entre a vida e a morte. Os trabalhadores fizeram isso pela consciência de seu dever como jornalistas. Fizeram isso em momento em que agressões virtuais e físicas se tornaram padrão nos tempos de polarização política em que vivemos.

E o que ocorreu? Durante todo o final de semana recebeu como resposta o silêncio.

Essa situação levou a maioria dos trabalhadores a optarem pela assinatura, embora insatisfeitos com seus termos. Os jornalistas da Editora Globo foram ludibriados para que, ao final, se vissem frente a uma escolha impossível: ou a assinatura de um acordo que em muito perde em relação ao de outras empresas de mesmo porte e em situação mais complicada; ou correr o perigo de demissão iminente de colegas.

Mais uma vez, os trabalhadores pagarão a conta para cobrir um prejuízo causado não apenas pelas mudanças do modelo de negócios pelo qual toda a imprensa passa, mas também por anos de erros de gestão, desperdício e escolhas questionáveis.

Mais uma vez, os trabalhadores pagarão a conta de um prejuízo que, em meio a uma pandemia, não foi considerado aceitável pelos donos da empresa, que, infelizmente, resolveram manter o equilíbrio contábil à custa dos seus funcionários.

Mas valeu a luta coletiva dos jornalistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Ficou a lição: unidos somos mais fortes!

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