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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ vêm a público manifestar o mais absoluto e veemente repúdio às declarações misóginas, criminosas e covardes proferidas pelo influenciador de extrema direita Paulo Figueiredo contra mulheres profissionais da imprensa.

Na noite dessa terça-feira, 28 de julho de 2026, Figueiredo — neto do último ditador do regime cívico-militar, general João Figueiredo, e aliado da família Bolsonaro — proferiu ataques inaceitáveis em vídeo que circula nas redes sociais. O influenciador chamou as jornalistas da GloboNews, em bloco, de “putas” e “prostitutas do Lula”. Em seguida, dirigiu-se nominalmente à jornalista Miriam Leitão para repetir a mais vil das lógicas: “Miriam Leitão, eu jamais ia estuprar você, porque você não merece”.

A gravidade dessa fala não pode ser minimizada. A frase reproduz quase literalmente a agressão perpetrada por Jair Bolsonaro contra a deputada federal Maria do Rosário, em 2014, pela qual o ex-presidente foi condenado. Ao manter a condenação, o Superior Tribunal de Justiça concluiu que dizer que uma mulher “não merece ser estuprada” apresenta o estupro como se fosse um prêmio ou benefício — uma ofensa vil, como classificou a ministra Nancy Andrighi, que menospreza de forma atroz a dignidade das mulheres.

O alvo de Figueiredo, contudo, não é uma figura pública qualquer. Miriam Leitão foi presa, espancada, obrigada a permanecer nua diante de agentes da repressão e deixada em uma sala escura com uma cobra, em 1972, quando tinha 19 anos e estava grávida de seu primeiro filho. É uma sobrevivente da ditadura militar — o mesmo regime que teve à frente o avô de Paulo Figueiredo. Atacar Miriam Leitão com essa referência criminosa ao estupro, portanto, não é apenas misoginia; é um acinte à memória das vítimas da tortura e à história de luta pela democracia no Brasil.

Este episódio, infelizmente, não é isolado. Paulo Figueiredo acumula uma rotina de ataques contra jornalistas que publicam informações desfavoráveis à família Bolsonaro. Em junho, já havia atacado a jornalista Andréia Sadi, que reagiu ao vivo classificando sua conduta como “nojenta”. A deputada federal Erika Hilton, diante dessas condutas reiteradas, já acionou a Procuradoria-Geral da República contra o influenciador por declarações misóginas. Além disso, Figueiredo acumula dívidas tributárias enquanto compra mansões no exterior e responde a denúncias por coação no curso do processo ao lado de Eduardo Bolsonaro.

O SJPDF, A FENAJ e a Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ exigem que as autoridades competentes tomem providências imediatas e rigorosas. A banalização da violência sexual e a associação depreciativa das profissionais da imprensa com a atividade sexual configuram crimes de difamação, injúria e incitação ao ódio, além de violarem frontalmente os princípios da dignidade da pessoa humana e da liberdade de imprensa.

Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes. Não toleraremos que a memória das vítimas da ditadura seja maculada por aqueles que defendem o autoritarismo. As entidades manifestam total solidariedade à Miriam Leitão, à Andréia Sadi e a todas as profissionais da GloboNews e a toda as mulheres jornalistas agredidas por essas falas. Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a liberdade de expressão, com o direito da sociedade à informação e contra a misoginia e outras formas de opressão estruturantes de nossa sociedade. Seguiremos vigilantes para que os agressores sejam responsabilizados na esfera cível e criminal.

Brasília, 29 de julho de 2026.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)
Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ)
Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ

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