Os Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas do DF, RJ e SP denunciam os riscos de injustiças na avaliação de desempenho devido a falhas no processo usado para progressão de carreiras.
As entidades alertam que a publicação de uma nova norma de progressão de carreira (NOR 327), no dia 28 de agosto, em meio ao andamento do atual processo avaliativo, pode ser interpretada como fator para questionamentos judiciais, uma vez que “se mudam as regras do jogo durante a partida”.
Outro elemento que traz insegurança para a integridade do processo foi o aviso da EBC, emitido no dia 21 de agosto, para que os empregados enviassem certificados de cursos de capacitação para valer como nota da avaliação de desempenho.
O aviso, ao final do processo avaliativo, não permite o planejamento necessário dos empregados e empregadas para realizar cursos de capacitação. Ainda mais porque, infelizmente, a EBC oferece muito poucos cursos em função do baixíssimo orçamento destinado à capacitação de pessoal.
Já que a EBC ignorou os pedidos das entidades de diálogo sobre a avaliação de desempenho no começo do ano, os sindicatos colocam seus jurídicos à disposição das categorias para ações contra esse processo de avaliação e progressão.
Avaliação às pressas
Ainda em fevereiro deste ano, as entidades defenderam junto à empresa que uma avaliação feita às pressas, por apenas um período de três meses, não seria minimamente consistente para avaliar o desempenho dos trabalhadores.
Na ocasião, os sindicatos propuseram que a avaliação fosse experimental, sem que fosse usada para progressão na carreira em 2026. As entidades não são contrárias à progressão por mérito. Mas isso não significa concordar com uma avaliação feita de qualquer jeito.
Inclusive, os acordos coletivos anuais assinados entre os sindicatos e a EBC sempre estabeleceram a realização de avaliação de desempenho dos trabalhadores, determinação que a empresa não respeitava (atual cláusula 29ª).
Importante destacar ainda que a atual avaliação de desempenho, longe de ser uma iniciativa autônoma da atual direção, foi uma exigência do SEST/MGI para aprovação do recente Plano de Cargos e Remunerações (PCR).
Assim, a EBC realizou uma avaliação às pressas, avaliando apenas três meses de trabalho dos empregados, quando isso deveria ter sido feito ao longo de um ciclo anual de trabalho, como ocorre em qualquer administração.
Essa avaliação desconsiderou a avaliação dos pares, a avaliação das chefias pelos empregados e até a autoavaliação, como ocorreu em 2022, por exemplo. As entidades pediram ajustes nesses pontos, mas foram ignoradas.
Em relação às progressões de carreira, os recursos serão distribuídos proporcionalmente por gerência. No entanto, as avaliações têm ocorrido estritamente no âmbito das coordenações, que têm aplicado níveis distintos de rigidez na avaliação, especialmente no que diz respeito ao quesito metas de equipe.
Ou seja, trabalhadores de mesmo cargo e função não terão equidade de acesso às progressões, já que, na prática, já se está observando discrepância nos métodos de cada coordenador, especialmente quando há comparação entre praças.
Restrição de acesso em SP
Outro agravante é a falta de acesso dos trabalhadores de São Paulo ao sistema de avaliação para consulta das notas, o que prejudicou a interposição de recursos no prazo exíguo concedido pela empresa. Muitos empregados estão em trabalho remoto, sendo que o sistema permite apenas o acesso feito de dentro da empresa ou por aqueles com conexão via VPN, o que não atinge, no momento, a totalidade dos empregados.
Os sindicatos de São Paulo receberam relatos de trabalhadores que não conseguiram consultar a própria nota devido a essa restrição do sistema e que sequer puderam se valer, portanto, do direito ao recurso.
A empresa não garantiu condições para o acesso de todos os trabalhadores, em todas as praças, às notas, o que impacta não apenas a avaliação do desempenho, mas a progressão de carreira, que tem incidência financeira e duradoura para os empregados. Não é concebível que a falha da empresa e o consequente prejuízo aos trabalhadores de São Paulo sejam ignorados em um processo que tem sido promovido de forma precipitada.
Sindicatos de Jornalistas do DF, SP e Rio
Sindicatos de Radialistas do DF, SP e RJ