NOTA OFICIAL DO SJPDF
Resposta ao artigo "Jornalistas mobilizam-se contra a venda do Clube de Imprensa"
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), no exercício do direito de resposta e em respeito à transparência que sempre pautou sua atuação, vem a público esclarecer fatos distorcidos no artigo publicado em 21 de setembro de 2026, no blog de Chico Sant'Anna, sob o título "Jornalistas mobilizam-se contra a venda do Clube de Imprensa".
1. Da legitimidade da assembleia
A assembleia realizada em 19 de setembro de 2026 foi convocada por edital público, amplamente divulgado nas redes sociais, no site do Sindicato, por e-mail e em visitas às redações. Seguiu rigorosamente todos os ritos previstos no Estatuto do SJPDF e no Estatuto do Clube da Imprensa. A votação foi precedida da apresentação do laudo de avaliação do terreno, contratado junto a perito especializado e independente, e de amplo debate entre os presentes.
O resultado — 30 votos a favor, 4 contrários e nenhuma abstenção — expressa a vontade soberana da categoria, manifestada em assembleia legalmente convocada e estatutariamente válida.
2. Da participação e do direito ao voto
Conforme o Estatuto do SJPDF, apenas filiados em dia com suas obrigações estatutárias e financeiras têm direito a voto. Todos os filiados, inclusive os inadimplentes, tiveram pleno direito à manifestação durante a assembleia, mas não ao voto, conforme a norma vigente.
O abaixo-assinado mencionado no artigo, com cerca de 200 assinaturas, não tem validade estatutária para substituir ou anular uma decisão tomada em assembleia. Suas assinaturas não identificam quais signatários são filiados em dia, condição exigida para participar das deliberações da entidade. Além disso, muitos dos signatários não compareceram à assembleia e, portanto, não participaram do debate e da votação realizados na instância prevista estatutariamente para a tomada dessa decisão.
3. Da transparência do processo
A atual diretoria do SJPDF tem atuado com transparência em todo o processo:
- Todas as propostas de parceria desde 2009 foram submetidas à deliberação da categoria em assembleia;
- O laudo de avaliação do terreno foi apresentado aos presentes na assembleia de 19/09;
- A proposta aprovada — R$ 60 milhões, sendo R$ 30 milhões no ato da assinatura e o restante em seis (06) parcelas semestrais de R$ 5 milhões, corrigidas pelo IPCA — foi detalhada e discutida;
- Foi aprovada a criação de uma comissão de acompanhamento das tratativas, composta por cinco jornalistas indicados na assembleia;
- Foi deliberado que nenhuma decisão envolvendo o negócio será tomada sem parecer favorável do jurídico da entidade;
- A assembleia aprovou diretrizes gerais para a futura utilização dos recursos, mas não definiu sua destinação definitiva. A aplicação dos valores será objeto de novas deliberações da própria categoria, em assembleias convocadas especificamente para esse fim.
4. Do respeito à história do Clube da Imprensa
O SJPDF reconhece e valoriza a importância histórica, cultural e afetiva do Clube da Imprensa para a categoria e para Brasília. O Clube foi espaço de resistência à ditadura, de debates políticos, de manifestações culturais e de convivência de gerações de jornalistas.
Justamente por isso, a diretoria sempre buscou preservar esse patrimônio. Foram 15 anos de tentativas de revitalização, parcerias frustradas, uma ação judicial de cinco anos e entraves urbanísticos que impediram a reconstrução do espaço. A manutenção do modelo tradicional de clube não se mostrou financeiramente sustentável, e o SJPDF, que já perdeu o imposto sindical desde 2017, não tem recursos para bancar os custos de manutenção de uma área de 39 mil metros quadrados (m²).
A venda, portanto, não foi apresentada à categoria como primeira alternativa nem como solução automática para as dificuldades financeiras do Clube, mas como resultado de um processo de mais de uma década em que diferentes possibilidades de recuperação e aproveitamento do espaço foram buscadas sem que se mostrassem viáveis.
A venda do terreno, aprovada em assembleia, é a alternativa encontrada para quitar dívidas e criar condições para que a própria categoria decida como utilizar o patrimônio resultante da negociação, com possibilidades como a criação de fundos de apoio, a reforma da sede, a ampliação do atendimento jurídico e a garantia de sustentabilidade permanente ao Sindicato.
5. Do compromisso com a categoria
O SJPDF reafirma seu compromisso com a categoria e com a memória do Clube da Imprensa. Na assembleia, foram apresentadas e aprovadas diretrizes para orientar o debate sobre a futura aplicação dos recursos da venda:
- Investimentos de baixo risco para sustentabilidade permanente;
- Criação de nova sede social/cultural e/ou reforma da sede atual;
- Fortalecimento institucional (atendimento, jurídico, comunicação);
- Ações permanentes em cultura, lazer, qualidade de vida, capacitação, aposentados e desempregados;
- Fortalecimento do Conselho Fiscal e ampliação da transparência.
Essas diretrizes não significam que a destinação dos recursos já esteja definida. As decisões concretas sobre a aplicação dos valores caberão à própria categoria, em novas assembleias especificamente dedicadas ao tema, convocadas por edital público e amplamente divulgadas.
Dessa forma, assim como coube à categoria deliberar sobre a venda do terreno, caberá a ela decidir, coletivamente, como o patrimônio resultante da negociação deverá ser administrado e utilizado.
6. Da unidade da categoria
O SJPDF respeita a diversidade de opiniões e o direito de discordar. No entanto, reafirma que as decisões da entidade devem ser tomadas nas instâncias previstas em seu Estatuto, com participação dos filiados que atendam aos requisitos estatutários para deliberação.
O Sindicato seguirá firme na defesa dos interesses da categoria, com transparência, responsabilidade e respeito à história dos jornalistas do Distrito Federal.
Brasília, 21 de setembro de 2026.
Coordenação Geral
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)
Clube da Imprensa de Brasília