O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), diante dos graves fatos denunciados pelo Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), vem a público manifestar irrestrito apoio à jornalista Fernanda Gama, presidenta daquela entidade, que vem sendo alvo de uma escalada de atos ilegais, antissindicais e persecutórios no ambiente de trabalho.
Segundo a denúncia, Fernanda Gama, que atua na assessoria de imprensa do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud), recebeu aviso de férias na véspera do início do período — procedimento que desrespeita o artigo 135 da CLT, que exige antecedência mínima de 30 dias, e o artigo 134, parágrafo 3º, que proíbe o início das férias nos dois dias que antecedem feriado ou repouso semanal remunerado. Ao contestar a irregularidade, foi advertida e passou a sofrer retaliações.
O SJPDF repudia com veemência as circunstâncias em que a advertência foi entregue: acompanhada de um segurança terceirizado armado, em clara tentativa de intimidação. Repudiamos também o bloqueio de seu e-mail institucional e a ameaça de demissão por justa causa. Tais práticas configuram, em nosso entendimento, assédio moral no trabalho e atentam contra a liberdade sindical e a dignidade da pessoa humana.
É especialmente grave que tais atos partam de uma entidade sindical — o Sinpojud —, cuja finalidade precípua deveria ser a defesa dos direitos dos trabalhadores. Como bem sintetizou o diretor do Sinjorba e vice-presidente da FENAJ, Moacy Neves, trata-se de uma "inversão completa dos princípios que deveriam orientar uma entidade sindical".
O SJPDF solidariza-se com Fernanda Gama, com a diretoria do Sinjorba e com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), e apoia integralmente as medidas já adotadas: o encaminhamento do caso ao Ministério Público do Trabalho, a documentação de cada ato ilegal e a busca pela responsabilização judicial dos envolvidos — tanto a pessoa jurídica quanto as pessoas físicas — por assédio, dano moral e material.
Manifestamos ainda nossa preocupação com o fato de que este não é um episódio isolado: em julho passado, a mesma dirigente já havia sido vítima de tentativa de filmagem não autorizada durante conversa com o presidente do Sinpojud. A sucessão de acontecimentos revela um padrão de perseguição à sindicalista, que não pode ser tolerado.
O SJPDF conclama todas as entidades sindicais, federações e confederações de trabalhadores, bem como o movimento sindical como um todo, a se solidarizarem com a presidenta do Sinjorba e a denunciarem qualquer prática de assédio moral, retaliação ou perseguição a dirigentes sindicais. A luta pela liberdade sindical e pela dignidade no trabalho é indissociável da luta pela democracia.
Brasília, 2 de outubro de 2026.
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal – SJPDF