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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) celebra a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma virada histórica, resultado da força da mobilização popular e da defesa da democracia brasileira. Um feito alcançado em pleno 25 de outubro, Dia Nacional de Defesa da Democracia — celebrado em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, que foi assassinado pela ditadura militar nessa mesma data, em 1975.

Para nossa categoria, que enfrentou anos de ataques, intimidação e hostilidade durante o governo de Jair Bolsonaro, essa vitória tem um significado especial. Além de afastar o retorno de um projeto político autoritário, o resultado renova as perspectivas de fortalecimento da liberdade de imprensa, valorização do jornalismo e avanço dos direitos trabalhistas.

Com mais de 64 milhões de votos, Lula reverteu a desvantagem do primeiro turno e conquistou um quarto mandato presidencial. O resultado foi acompanhado por uma participação expressiva do eleitorado, com a menor abstenção em um segundo turno nos últimos 20 anos. A mobilização nas ruas, nas redes sociais e nos locais de trabalho demonstrou a capacidade de organização da sociedade brasileira para decidir soberanamente seu futuro.

Essa vitória ganha ainda mais significado diante das denúncias de interferência das grandes empresas de tecnologia no processo eleitoral. Restrições que prejudicaram a campanha de Lula nas plataformas digitais foram reveladas pela imprensa e motivaram a intervenção (ainda que insuficiente) da Justiça Eleitoral. Esses episódios reforçam a urgência de enfrentar o poder político e econômico das chamadas big techs , garantindo que os interesses dessas empresas e a atuação de seus algoritmos não se sobreponham à vontade popular.

O resultado das urnas também representa uma rejeição majoritária ao retorno do bolsonarismo à Presidência da República. A sociedade brasileira não pode esquecer os ataques à democracia, às instituições e à liberdade de imprensa durante o governo de Jair Bolsonaro. Tampouco podem ser ignoradas as relações controversas de integrantes desse grupo político com personagens ligados a organizações milicianas, além das graves suspeitas investigadas pelas autoridades, inclusive sobre as relações do candidato e senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, no caso Banco Master. São fatos que exigem apuração rigorosa, respeito ao devido processo legal e responsabilização de eventuais envolvidos.

A reeleição de Lula também é fundamental para a preservação do equilíbrio democrático diante da nova composição do Congresso Nacional, marcada pelo fortalecimento da direita e da extrema direita. A permanência de um governo comprometido com as instituições democráticas representa um importante contraponto a projetos autoritários e a iniciativas que ameacem direitos e garantias da população.

A memória dos ataques sofridos pelos jornalistas não pode ser apagada. Entre 2019 e 2022, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) registrou 1.442 episódios de violência contra jornalistas e ataques à liberdade de imprensa. A comunicação pública também sofreu com a censura, o aparelhamento e as tentativas de desmonte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Defender a democracia é defender o direito da sociedade à informação e a liberdade dos jornalistas para investigar, questionar e fiscalizar todos os governos.

No campo trabalhista, o resultado abre perspectivas para consolidar conquistas e avançar na valorização profissional. A recente aprovação do fim da escala 6x1, com redução da jornada sem perda salarial, demonstra que a mobilização dos trabalhadores pode produzir mudanças concretas. Para os jornalistas, é fundamental assegurar a manutenção da jornada especial de cinco horas, proteger a remuneração, fortalecer a negociação coletiva e combater a precarização das relações de trabalho. Nenhuma regulamentação futura poderá servir de pretexto para retirar direitos históricos da categoria.

A vitória nas urnas, entretanto, não encerra essas lutas. Diante de um Congresso de perfil conservador, será indispensável manter a mobilização popular e fortalecer a organização sindical. Para os jornalistas, isso significa ampliar a participação nas assembleias, nos comitês e coletivos da categoria e nos encontros regionais e nacionais, como o Encontro Nacional de Mulheres Jornalistas e o Congresso Nacional dos Jornalistas, organizado pela FENAJ. São espaços fundamentais para debater os rumos da profissão, construir propostas e fortalecer reivindicações históricas, como o restabelecimento da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. A defesa da democracia e dos direitos sociais exige organização, participação e luta permanente.

O SJPDF celebra esta vitória com a convicção de que o futuro do Brasil deve ser construído pela soberania popular, pela liberdade de imprensa e pela valorização de quem trabalha.

Brasília, 26 de outubro de 2026.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)

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