Nos dias 3, 4 e 5 de agosto, os jornalistas sindicalizados e sócios do Clube da Imprensa de Brasília vão decidir nas urnas se aprovam proposta da diretoria para resolver de maneira definitiva os problemas que há anos assombram a entidade.
Ao chegar à direção do Clube, a nova gestão descobriu uma dívida de quase R$ 700 mil, majoritariamente trabalhista, e um fluxo de caixa negativo em mais de R$ 25 mil mensais. Com as receitas disponíveis, a continuar este quadro, a previsão da tesouraria do Sindicato e do Clube é que não haja mais recursos para honrar os compromissos ainda em novembro de 2011. Ou seja, o risco do Clube ir a leilão é real e iminente.
Enquanto isso, uma estrutura com despesas mensais de R$ 50 mil recebeu um fluxo médio de apenas 55 pessoas nos fins-de-semana de 2011. A partir dessa situação, a diretoria chegou a duas conclusões: a categoria possui um Clube com um modelo de negócios insustentável e uma oferta de espaços e serviços que não atrai o conjunto dos sócios. A certeza foi de que se não fizéssemos algo seríamos atropelados pelos interesses econômicos poderosos que há muito tentam ocupar essa área nobre.
Por que uma parceria?
Uma proposta (veja aqui o croqui) será analisada no plebiscito. Até a última semana, tínhamos propostas de dois grupos empresariais, mas uma delas foi desclassificada por não atender as condições estipuladas pela diretoria, e embasadas nas diretrizes da consultoria financeira. Na avaliação dos diretores, estamos diante de uma proposta que não só dará mais segurança financeira ao Clube da Imprensa nos próximos anos como garantirá uma estrutura física adequada e perene - estimada em cerca de R$ 50 milhões -, valorizando o patrimônio da categoria e afastando o risco de que essa área seja convertida em mais um condomínio privado da região.
Mesmo que a contribuição sindical fosse dobrada e houvesse o respectivo repasse de recursos para o Clube da Imprensa, não seria suficiente para o saneamento de dívidas, o custeio e, principalmente, os investimentos necessários à adequação do Clube aos anseios da categoria. São 40.000 m² no qual as poucas construções são totalmente irregulares e cuja infraestrutura elétrica e hidráulica precisa ser totalmente refeita.
Por que este modelo de parceria?
A opção por um complexo de empreendimentos como espaços para eventos, restaurante e um hotel se mostrou interessante quando quatro dos sete proponentes iniciais de parcerias apresentaram a ideia, e quando o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB) afirmou que um Hotel-Clube, com características de Resort Urbano, é um equipamento turístico em franco crescimento no Brasil, com os melhores potenciais econômicos para a área em questão.
A avaliação feita pela diretoria a partir das propostas apresentadas foi que um hotel não ocuparia espaço superior a quarta parte da área do clube. Em contrapartida, seria possível ter à inteira disposição dos sócios benfeitorias naturalmente associadas a um empreendimento como este, como área de eventos, quadras esportivas, complexo de piscinas, etc.
Durante a semana, em que a freqüência no Clube é baixíssima - praticamente nula - o hotel estaria gerando dividendos para a categoria, aproveitando a ocupação média superior a 90% que a capital federal registra nos dias úteis. Já nos fins de semana, parte das áreas estaria disponível para os associados. E aqueles que desejassem usar o hotel teriam preços acessíveis para hospedagem.
Para isso, contudo, é condição mudar a Norma de Gabarito da área do Clube, que data de 1979. A diretoria já iniciou os esforços neste sentido. Ressalte-se que toda a área próxima está submetida à Normas de Gabarito atualizadas. A necessidade de ampliação do número de hotéis em Brasília, especialmente com vistas a Copa do Mundo de 2014, é pública e notória, tendo sido admitida inclusive pelo próprio GDF.
Proposta de parceria vai criar complexo de lazer e garantir área de convivência para o Clube
Nas negociações, a diretoria e o grupo proponente acordaram que a parceria não faria uma divisão do Clube entre os empreendimentos e a área de convivência. Foi preservada a ideia de unicidade, com espaços que serão destinados a cada um dos empreendimentos (com descontos para os associados), outros que servirão apenas aos sócios e locais de uso comum.
A previsão é que a parceria seja celebrada por um prazo de 20 anos, prorrogáveis por mais 20. O tempo é praxe em situações como esta pois permite a amortização dos investimentos. Até a emissão do habite-se (uma autorização para o uso dos locais), o Clube receberia R$ 40 mil por mês. A partir deste momento, teria direito a 3% do faturamento, com o valor mínimo de R$ 60 mil por mês.
A proposta do consórcio comandado pela pavimentadora Brasplac pretende implantar no Clube da Imprensa: (1) um hotel com 500 quartos com restaurante e centro de convenções, (2) um espaço de eventos, (3) uma academia, (4) um restaurante, (5) day club, (6) duas piscinas, (7) quiosque molhado, (8) orla e píer, (9) praça, (10) estacionamento, (11) salão de jogos, (12) brinquedoteca, (13) sauna e banheiros, (14) parque infantil, (15) campo de futebol, (16) duas quadras poliesportivas, (17) quadra de tênis, (18) churrasqueiras, (19) uma sede administrativa
Parte dos empreendimentos será explorada pelo proponente, com desconto para os associados ao Clube. Outra, cuja definição detalhada ainda será negociada, será de uso comum tanto dos clientes dos empreendimentos, em especial do hotel, quanto dos sócios. Uma terceira área será voltada apenas aos associados, mantendo o espírito de que a parceria serve para melhorar o Clube, e não deteriorá-lo.
Caso não haja alteração na destinação da área do Clube, o proponente se comprometeu a continuar com a parceria. Neste caso, haveria um ajuste das cláusulas de remuneração para adequá-las ao complexo que seria construído sem a hospedagem.
O grupo proponente
O consórcio proponente é encabeçado pela Braspac, com atuação na área de pavimentação no Distrito Federal e outros estados do Centro-Oeste, tendo obtido nível ?A? no Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade de Habitat. Além dela, participam o restaurante e boate Moena, o Grupo Montana Grill, a LDH Construções e Incorporações e Construtora Bianna, que presta serviços ao governo federal.
Histórico das negociações com potenciais parceiros
Novembro de 2010
- Comunicado publicado no Correio Braziliense informando interesse em formar parcerias para revitalização do Clube da Imprensa, desde que as propostas não envolvessem venda, permuta, incorporação, ou empresas com problemas com a justiça e o fisco.
Fevereiro de 2011
- Várias manifestações de interesse são enviadas. A diretoria divide as propostas entre as de longo prazo e de curto prazo. Quanto a essas últimas algumas parcerias foram fechadas, como a Barca Brasília e Curso de Iluminação.
Março de 2011
A diretoria resolve enviar carta convite para os 7 proponentes de longo prazo, para padronizar as informações recebidas. Entre as propostas havia Casas de Festas, Marinas e Hotéis. Quatro proponentes respondem à carta Convite: Jorge Ferreira e Espaço Y Engenharia*; Marcelo Costa Lima e parceiros**; Consórcio Náutico do Nordeste; GR4 Empreendimentos.
Abril de 2011
Assembléia analisa as propostas apresentadas pelos próprios proponentes. Pela ausência do Consórcio Náutico do Nordeste ele é descartada. É definido que a parceria deve ocupar um percentual máximo em torno de 50% da área do Clube. São solicitados croquis e minuta de contrato aos proponentes para dar continuidade as negociações.
Maio de 2011
- A GR4 não entrega minuta de contrato. Sua proposta é considerada muito aquém dos demais concorrentes e é comunicada da desclassificação. A empresa ofereceu apenas R$ 70 mil de aporte inicial, cerca de um décimo do que foi oferecido pelos outros 2 proponentes
- Com base na minuta e no croqui diretoria traça diretrizes técnicas para a negociação com demais parceiros, estabelecendo parâmetros para as benfeitorias e a quem seu gerenciamento estaria subordinado;
Junho de 2011
- É selecionado e contratado Consultor com expertise na negociação financeira que oferece parecer sobre critérios de remuneração do uso da área (R$ 40 mil de remuneração mensal até inicio do funcionamento do empreendimentos e 3% sobre o faturamento a partir do funcionamento, com valor mínimo de R$ 60 mil)
Julho de 2011
- Parâmetros financeiros são apresentados aos proponentes. Tais parâmetros são aceitos em parte, mas não na totalidade por nenhum dos dois grupos.
- Assembleia flexibiliza o critério no número de unidades de hotelaria de 400 para 500, mas mantem os critérios financeiros inalterados.
- Grupo Jorge Ferreira e Espaço Y Engenharia condiciona pagamentos mensais de R$ 40 mil a um teto de R$ 700 mil reais, o que corresponde a apenas 17 meses. Diretoria considera que a imposição põe em risco o patrimônio caso as obras não fiquem prontas no prazo, que é muito exiguo. Proponente é desclassificado, após prazo de recurso de 2 dias.
Agosto de 2011
Plebiscito para autorizar a diretoria do Clube da Imprensa a concluir negociações e assinar contrato de Parceria com Consórcio liderado por Marcelo Costa Lima e parceiros.
Resumo da propostas iniciais:
*Jorge Ferreira e Espaço Y Engenharia: adiantamento de R$ 750 mil em 37 parcelas (de R$ 20 mil) até o início do funcionamento do empreendimento. Participação de 2% sobre o faturamento com mínimo a ser discutido, descontado o adiantamento.
** Marcelo Costa Lima/Baspac e parceiros: R$ 23 mil até o 24º mês; R$ 46 mil a partir do 25º mês, que passa a ser mínimo de participação nos lucros, limitada a 2,2% sobre o faturamento.
Data de Publicação Original SJPDF: 11-07-29 - ID: 432