A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) apoia e engrossará ato que profissionais de imprensa irão realizar na próxima segunda-feira (28), a partir das 17 horas, em protesto pelas agressões da Polícia Militar contra os jornalistas.

A concentração ocorrerá na praça Roosevelt, no centro de São Paulo, com posterior caminhada ao prédio da Secretaria de Segurança Pública, localizado na Rua Líbero Badaró, 39.
Desde as manifestações populares de junho que jornalistas, sejam eles de imagem ou texto, são agredidos pela truculência da Polícia Militar, seja com golpes de cassetetes, disparo de bala de borracha ou até mesmo com prisões arbitrárias. O SJSP enviou vários ofícios à Secretaria de Segurança Pública e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sem que uma única resposta tenha sido proporcionada para impedir as agressões desordenadas contra os trabalhadores, que estão ocorrendo diariamente.

Este é o documento que os organizadores estão divulgando pelo facebook:  https://www.facebook.com/events/210533135796129/210680465781396/?notif_t=event_mall_reply

“Segunda feira, dia 28 de outubro, realizaremos um ato/intervenção contra as agressões da Polícia Militar aos jornalistas. A concentração do protesto será na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, e partiremos para o prédio da Secretaria de Segurança Pública, localizado na Rua Líbero Badaró, 39.
Um Estado que ordena, permite ou é omisso às violências contra profissionais de imprensa é claro em suas intenções com as demais pessoas da sociedade: mais violência, censura, arbitrariedades. Desinformação.
A violência contra um jornalista é uma violência contra todos, aos que estão protestando e aos que assistem.
Apesar dos casos recentes de agressões descabidas da Polícia Militar a jornalistas, não é de hoje que sofremos com tal hábito. Sim, é recorrente. Claro que em um contexto, como o atual, onde protestos tornam-se mais frequentes e, consequentemente, ganham mais cobertura, esses casos são evidenciados.
Lamentamos viver e trabalhar em um país, e um Estado, onde o exercício da profissão seja tão perigoso, e que esse perigo seja oferecido, em grande parte, pelos governos. O Brasil é um país considerado democrático, embora em diversos momentos se pareça com um estado de exceção, trazendo às nossas mentes a lembrança de um passado bruto, obscuro e ainda tão recente em nossa história.
Basta! Basta de violência! Liberdade de imprensa e liberdade de protesto, por um Estado de Direito, pela DEMOCRACIA”.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia com veemência todas as formas de violência que têm sido praticadas contra os profissionais da imprensa em nossa cidade.
Não para de aumentar o número de casos de agressões contra profissionais de imprensa registrados no relatório que o nosso Sindicato elabora para entregar, em novembro, às autoridades locais e internacionais durante audiência pública que será realizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sobre Liberdade de Imprensa e Violência contra Jornalistas.
Há dezenas de registros de ataques cometidos tanto por policiais militares como por manifestantes. Policiais militares têm usado cassetetes e balas de borracha, além bombas de gás lacrimogêneo, para tentar impedir os jornalistas de registrar prisões ou agressões a manifestantes.

Já a alegada revolta de manifestantes contra a linha editorial dos veículos da imprensa comercial jamais poderia justificar os atos de violência que têm praticado contra os jornalistas. Os trabalhadores não podem ser responsabilizados pela linha editorial das empresas nas quais trabalham. Nosso Sindicato defende, inclusive, o valor do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Reivindica o respeito patronal à Cláusula de Consciência, segundo a qual, todo profissional pode se negar a cumprir tarefas que firam a ética e os direitos humanos, sem perder o emprego.
É fato que a luta pela democratização da comunicação é legítima e se trata mesmo de uma bandeira de nosso Sindicato. Mas o direito humano à comunicação deve ser cobrado do Estado. Cercear o trabalho de jornalistas, hostilizá-los ou agredi-los fere gravemente a liberdade de imprensa, a democracia e os direitos humanos.

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A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou os episódios de agressão a profissionais de imprensa durante manifestações ocorridas nos últimos dias. O número de ataques estimados pela entidade desde o início dos protestos chega a 96. Manifestantes foram responsáveis por 25 casos e os outros 71, ou 74% do total, causados por policiais ou agentes da Força Nacional.

De acordo nota emitida pela entidade, quatro jornalistas que faziam a cobertura do protesto contra o leilão do campo petrolífero de Libra, no Rio de Janeiro (RJ), foram atacados. A repórter Aline Pacheco, da TV Record, foi atingida por manifestantes com um soco nas costas.

 

O fotógrafo Gustavo Oliveira, da agência britânica Demotix, foi alvo de uma pedrada. O repórter fotográfico Pablo Jacob, de O Globo, e o cinegrafista Marco Mota, da TV Brasil, foram atingidos por balas de borracha disparadas por agentes da Força Nacional. Um veículo da Record foi virado por manifestantes.

 

O repórter fotográfico Pablo Jacob já havia sido agredido por policiais com golpes de cassetetes na terça-feira (15/10) enquanto cobria o protesto de professores em greve. Na última sexta (18/10), ele foi alvo de agressões dos manifestantes quando acompanhava a soltura de pessoas detidas nas manifestações. Além dele, os fotógrafos Carlos Wrede, do O Dia, e Luiz Roberto Lima, do Jornal do Brasil, foram atacados.

 

Em São Paulo, a repórter Tatiana Farah, de O Globo, foi alvo de dois disparos de bala de borracha durante protestos no sábado (19/10), em São Roque (SP), durante a manifestação contra o uso de animais, especialmente cães da raça beagle, em testes farmacológicos. Manifestantes também atearam fogo a dois veículos da TV TEM, afiliada da emissora na região.

 

No dia 15 de outubro, de acordo com informações do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o repórter fotográfico freelancer Yan Boechat foi vítima de violência policial. Ele alegou ter sido agredido ao tentar registrar o confronto de alguns agentes da PM contra um manifestante. O repórter fotográfico Guilherme Kastner, do Metro News, conseguiu registrar em vídeo o momento em que foi atacado por policiais.

 

A Abraji repudiou todos os atos de violência contra jornalistas e exigiu mais preparo das autoridades para agir de maneira a garantir o direito dos profissionais exercerem seu trabalho. Para a entidade, é inaceitável que o país tenha quase 100 episódios de agressão, hostilidade ou prisão de jornalistas em pouco mais de quatro meses. “Esse índice não é compatível com a democracia e fere o direito de toda a sociedade à informação”, informou o texto.

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