A repórter Aline Pacheco, da TV Record, foi agredida por um grupo de manifestantes, que ainda queimaram equipamentos e depredaram carros de reportagem da emissora e da Band em protesto realizado no Rio de Janeiro na manhã desta segunda-feira, 21.
Mascarados tombaram o carro da Record e tentaram incendiar o veículo, mas as chamas foram contidas pelos bombeiros rapidamente. Equipamentos de trabalho e mochilas pessoais da equipe foram queimadas. De acordo com o G1, a repórter Aline Pacheco foi agredida com socos nas costas. O portal também informou que um fotógrafo do jornal O Globo foi hostilizado. O nome do profissional não foi revelado.
A polícia usou balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar cerca de 300 manifestantes que tentaram se aproximar do Hotel Windson Barra, que está cercado por homens da Força da Nacional de Segurança em um raio de mil metros. Para os dirigentes sindicais que lideram o protesto, o leilão representa a privatização de uma das maiores riquezas do país.
Ataques a profissionais de mídia durante manifestações, censura judicial e homicídios de jornalistas restringem o trabalho da imprensa no Brasil, de acordo com relatório divulgado nesse domingo, 20, na 69ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Denver, nos Estados Unidos.
Segundo o documento elaborado pela Associação Nacional de Jornais, ao menos 70 jornalistas foram vítimas de violência policial ou foram agredidos por manifestantes desde o início da onda de protestos, em junho.
O texto destaca os assassinatos do repórter Rodrigo Neto e do fotógrafo Walgney Assis Carvalho, mortos em Minas Gerais em março e abril, respectivamente. Na avaliação publicada no documento, os casos foram os mais graves nos últimos seis meses.
Episódios envolvendo a polícia, como os dos fotógrafos da Folha Fábio Braga, atacado por cães, e Marlene Bergamo, atingida por gás lacrimogêneo, também foram relatados. A censura judicial que impede o jornal Estado de S. Paulo de publicar reportagens sobre investigação que atinge o empresário Fernando Sarney, desde julho de 2009, foi lembrada.
A situação da liberdade de imprensa em outros 24 países também está sendo discutida no evento
Evento vai até 19/10 no Uniceub, em Brasília. Professores, prequisadores e jornalistas fazem parte do público.
Em nota, a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) criticou a postura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que recomendou que a servidora Adriana Leineker Costa, cedida no gabinete do ministro Ricardo Lewandowski, deixasse o cargo pelo fato de ser esposa de Felipe Recondo, repórter do Estadão, que cobria o Judiciário e acompanhou o julgamento do mensalão.
De acordo com o Jornal do Brasil, a Fenajufe diz que a ação de Barbosa é um abuso. “A atitude antiética e com abuso de autoridade partiu, na verdade, do próprio presidente do STF, o que muito nos preocupa, já que o STF é o guardião dos direitos democráticos. E quando um presidente do Supremo Tribunal Federal cede à tentação de perseguir seus inimigos políticos, atacando o cargo da esposa de um deles, o que está em risco é a democracia”, informa o texto.
Joaquim Barbosa enviou ofício ao ministro Ricardo Lewandowski ressaltando que seria antiético manter a servidora, uma vez que, é esposa de um jornalista de um grande veículo de comunicação e exerce seu trabalho nas dependências do Supremo Tribunal Federal fazendo uso da intranet, internet e telefones deixados a sua disposição.