Assembleia convocada pelos Sindicatos dos Jornalistas e Radialista do DF, SP e RJ realizada nesta quinta-feira, 27/11, voltou a discutir a revisão do Plano de Carreiras da Empresa Brasil de Comunicação. Pela negação do uso do espaço cultural em Brasília, o debate começou a ser feito por meio de teleconferência mas seguiu separadamente em cada praça.
Os trabalhadores reprovaram a proposta dos gestores de piso diferenciado pela carga horária. Ela previa um piso de R$ 3.750 para analistas de 150 horas por mês (grupo onde estão os jornalistas), R$ 3.960 para analistas de 180 horas por mês e R$ 4.400 para analistas de 200 horas mensais. Já para os técnicos, os pisos seriam de R$ 2.610 para os de 180 horas e R$ 2.900 para os de 200 horas.
VEJA TABELA COM PROPOSTA DA EMPRESA E DOS TRABALHADORES
Na votação, 388 trabalhadores optaram por manter a lógica de dois pisos: um para os cargos de nível superior e outro para os de nível médio. Já 121 empregados defenderam a proposta dos gestores da empresa de pisos diferenciados por carga horária.
Segundo Gésio Passos, diretor do SJPDF, a negação dos trabalhadores à proposta da empresa foi positiva. “A assembleia foi importante porque mostrou a força dos trabalhadores na unidade em busca de uma carreira melhor para todos, sem ter divisão entre categorias”, afirma Passos.
Contraproposta
Em seguida, foi debatido o que seria levado para a próxima reunião com os gestores da EBC. Foram colocados dois encaminhamentos: (1) manter a proposta da assembleia anterior (pisos de R$ 4.400 para nível superior com aumento proporcional no piso dos gestores em jornalismo e R$ 3.080 para nível médio) e (2) reduzir para pisos de R$ 4.200 para nível superior com aumento proporcional para os gestores em jornalismo e de R$ 2.940 para nível médio. A maioria dos trabalhadores seguiu defendendo a proposta da assembleia anterior, de R$ 4.400 para o nível superior com aumento correspondente para os gestores e R$ 3.080 para o nível médio.
A assembleia também aprovou a redução da carga horária de 40h para 36 horas para os trabalhadores que exercem atividades administrativas.
Paralisação e próximos passos
A discussão seguinte focou a manutenção ou não da paralisação aprovada na assembleia anterior para esta sexta-feira, 28/11. Foram apresentadas propostas de manutenção, suspensão e adiamento para a próxima semana. Por 129 a 126, a paralisação não foi mantida. Na próxima semana os trabalhadores voltarão a avaliar o andamento das discussões e retomarão o debate sobre a paralisação.
Para Soane Guerreiro, diretora do SJPDF, as negociações da próxima semana serão decisivas para os trabalhadores. “As discussões das tabelas salarias irão voltar à mesa, no entanto, os empregados devem ficar atentos, visto que os debates sobre as funções técnicas e cargo de supervisão também impactam na autonomia dos trabalhadores. Essas discussões também devem ser feitas em profundidade”, destacou Soane.
Revisão do plano
O Grupo de Convergência foi instituído para sistematizar contribuições dos trabalhadores ao novo plano e elaborar um relatório com recomendações à Diretoria Executiva. Ele é formado por representantes da empresa e das entidades representativas dos trabalhadores. Ele tinha previsão de finalizar seu trabalho no início do outubro.
Propostas
A revisão do plano de carreiras vem ocorrendo desde 2012. Os trabalhadores já entregaram dois documentos de propostas e apresentaram novas formulações no fórum da intranet. Entre os pleitos principais estão:
- Melhoria da tabela salarial com redução de níveis e aumento do piso (na última assembleia foi aprovada proposta de tabela com piso de R$ 4.400 para nível superior e R$ 3.080 para nível médio);
- Descrição de cargos que respeite a legislação e não abra brechas para acúmulos e desvio de função;
- Equilíbrio entre promoção por mérito e antiguidade;
- Estabelecimento de critérios claros de progressão, com a definição sendo feita por um comitê composto por gestores e trabalhadores (eleitos pelos pares e indicados por sorteio);
- Não criação do cargo de supervisor, por entender que a criação de instrumentos como este aumentam a dependência dos trabalhadores em relação às chefias de plantão;
- Instituição de uma gratificação por qualificação;
- Criação de um comitê paritário para acompanhar a implantação do plano;