O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF solicitou reunião com a diretora de redação do Correio Braziliense Ana Dubeux para tratar dos efeitos do texto intitulado “A estagiária”, publicado no dia 11/9, na seção Crônica da Cidade do veículo, e de possíveis medidas que poderão ser tomadas pelo jornal para sanar o problema de assédios moral e sexual no local de trabalho.
A publicação do texto gerou uma repercussão negativa por parte dos leitores, de jornalistas do DF e de outros estados do país, e de organizações que defendem os direitos das mulheres, entre outras entidades e coletivos. O assunto também gerou visibilidade nas redes sociais, com opiniões predominantemente contrárias ao conteúdo do texto. Na ocasião, o SJPDF divulgou nota repudiando o conteúdo e pedindo explicações da direção do Correio Braziliense, responsável pelas publicações (Confira a nota completa aqui).
De acordo com a direção do Sindicato, a publicação do texto levantou uma discussão que precisa ser enfrentada nos veículos de comunicação do DF. Para além de debater a situação do/as estagiário/as e também a ocorrência de assédios moral e sexual, relatado por jornalistas que já passaram pela redação do Correio Braziliense, o SJPDF visa cobrar ações mais efetivas para combater o problema do assédio que afeta jornalistas que atuam dentro do veículo.
A entidade também se preocupa com a propagação da prática em outras redações do DF, visto que o problema do assédio afeta não só as jornalistas do Correio Braziliense, mas de todo o país.
Ações do Sindicato
Para combater as práticas de assédios moral e sexual, bem como as desigualdades dentro dos locais de trabalho, o SJPDF tem agido de forma proativa. Confira abaixo as ações desenvolvidas pela entidade:
1. Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF
No ano passado, o SJPDF lançou o Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF. O grupo visa discutir questões de gênero e relações de trabalho, debater e lutar por melhor posicionamento da mulher na sociedade e, em específico, no mercado de jornalismo, já que as mulheres são maioria nas redações e assessorias, inserir um olhar de gênero nos programas, ações e atividades sindicais e estimular a participação das jornalistas na entidade sindical. O Coletivo é um espaço à participação de mulheres jornalistas.
2. Pesquisa “Desigualdade de Gênero no Jornalismo”
A entidade também investiu na pesquisa “Desigualdade de Gênero no Jornalismo”. Atualmente, essa é a única pesquisa do setor voltada para o público feminino, que traz dados estatísticos sobre o assédio. O levantamento revelou um dado preocupante sobre assédio moral contra mulheres nas redações/assessorias de imprensa do país. Das 535 que participaram do levantamento pela Internet, 417 (77,9%) disseram ter sofrido algum tipo de assédio moral por parte de colegas ou de chefes diretos. Essa prática também é uma das reclamações mais frequentes no canal da Ouvidoria do SJPDF (confira mais sobre a pesquisa aqui).
3. Cartilha sobre assédio moral
Preocupado com o número de reclamações sobre o assédio moral dentro dos locais de trabalho, o SJPDF também lançou no dia dos jornalistas, 7 de abril de 2016, uma cartilha sobre o assunto para que os profissionais saibam o que caracteriza o assédio moral, conheçam os prejuízos que ele causa, compreendam como comprovar essa prática na Justiça e se familiarizem com os canais de denúncia.
>>>> CONFIRA A CARTILHA AQUI <<<<<