A quarta consulta às redações para avaliar a terceira proposta patronal da negociação da Convenção Coletiva de Trabalho 2014/2016 (que ocorreu nesta semana) terminou com o maior índice de rejeição do processo de negociação deste ano. Dos 248 jornalistas votantes, 234 (95%) foram contra a oferta das empresas e 14 (5%) se manifestaram a favor. O levantamento foi realizado nas principais redações do Distrito Federal.
O Sindicato das Empresas de Televisões, Rádios, Revistas e Jornais do Distrito Federal (Sinterj/DF) insiste na diferenciação de aumento salarial para as mídias impressa e eletrônica. Com pouco avanço, as empresas apresentaram a proposta 4,5% para o segmento impresso (abaixo da inflação) e 5,62% para o segmento eletrônico, este último correspondente ao índice da inflação.
"Além de ser um tratamento equivocado, a diferenciação proposta pelos patrões não faz sentido frente à realidade das redações hoje. Um profissional que escreve matéria para o jornal e para o site vai ser classificado como mídia impressa ou eletrônica? E a consulta mostrou que a categoria não aceita essa inovação prejudicial do Sindicato patronal", diz Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas do DF
Além de rejeitarem a proposta das empresas, os jornalistas também validaram a nova contraproposta dos trabalhadores que foi aprovada em assembleia na última segunda-feira, 2/6. O reajuste ficou em 8,5%. O aumento para o tíquete-alimentação foi aprovado em 8,3%, com o valor mínimo de R$ 15 (confira abaixo a contraproposta). "Enquanto os patrões fazem ajustes de 0,12% no índice, a categoria mostra que quer negociar. Mas o processo só vai avançar se as empresas verem que a proposta colocada na mesa ainda é muito insuficiente", afirma Jonas Valente, coordenador-geral do SJPDF.
A próxima reunião foi agendada para o dia 11 de junho.
Prioridades
Outra votação realizada na consulta foi o levantamento de de prioridades para a negociação da Convenção Coletiva deste ano. Os jornalistas indicaram até três itens que consideravam mais importantes. Os temas mais caros à categoria são o ganho real e o aumento do piso salarial. "O levantamento mostrou que diversos itens são considerados importantes para os jornalistas, como licença-maternidade, compensação adequada de horas-extras e medidas de segurança, mas a melhoria do salário e do piso seguem como questões centrais e isso precisa ser entendido pelas empresas", explica Leonor Costa, coordenadora-geral do Sindicato.
Confira a proposta da categoria e a contraproposta dos patrões que serão levadas à consulta.
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Proposta da Categoria |
Proposta dos Patrões |
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Reajuste salarial |
8,5% |
4,5% para mídia impressa e 5,62% para mídia eletrônica |
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Participação nos Lucros e Resultados (PLR) |
50% da remuneração com teto de R$ 2.400 e piso de R$ 1800 |
35% do salário-base de 5 horas, com teto de R$ 2.115 e piso de R$ 1.480 |
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Auxílio-alimentação |
Aumento de 10% com o valor mínimo de R$ 18 por dia |
R$ 7,50 por dia, sem fornecimento nos períodos de férias e afastamentos |
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Piso Salarial |
R$ 2.170 |
R$ 2.037 |
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Segurança |
Obrigação de fornecer equipamentos e treinamento de direito de se retirar de cobertura perigosa |
Criação de comissão paritária para propor medidas de segurança |
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Equipamento fotográfico |
Adicional de 30% com especificações de mínimo para o equipamento |
Estabelecimento de modelos de equipamentos com percentuais diferenciados |
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Horas-extras |
Adicional de 100% e compensação de 2 pra 1 hora-extra trabalhada |
Adicional de 70% (duas primeiras), 65% (demais horas) e 100% (dias de descanso) com compensação de 1 pra 1. |