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Publicado em Sexta, 29 Março 2019 15:43
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Com a aproximação do dia 1o de abril, quando se lembra o golpe militar dado em 1964 e que jogou o Brasil na ditadura militar que durou mais de 20 anos e suprimiu liberdades, inclusive de imprensa e de jornalistas, os sindicatos dos jornalistas e radialistas do DF, SP e RJ e a Comissão de Empregados divulgaram nota condenando prática de censura na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) relativa à cobertura da ocasião. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação também se posicionou. Veja abaixo a íntegra das duas notas. 

Nota da Comissão de Empregados e dos Sindicatos de Jornalistas e Radialistas do DF, RJ e SP:

NA TENTATIVA DE REESCREVER A HISTÓRIA, EBC CENSURA “DITADURA” E “GOLPE” EM REPORTAGENS

Com a proximidade do aniversário de 55 anos do golpe de 1964, que deu início a uma ditadura militar com 21 anos de duração, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) vem impedindo o uso das palavras “golpe” e “ditadura” para classificar esse episódio da história brasileira. A censura ocorre nas reportagens de TV, rádio e agências.

A cobertura que evidenciou a proibição teve início quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que os quartéis deveriam comemorar a data. Houve repercussão na sociedade civil, no Congresso Nacional e em outros espaços de poder. O Ministério Público Federal recomendou que os comandos militares desistissem da celebração, e a Defensoria Pública da União entrou com uma ação para impedir os planos comemorativos, entre outros fatos com claro valor de noticiabilidade – e amplamente divulgados pela imprensa em geral.

Nas reportagens e títulos que tratam sobre o assunto, o termo “ditadura” está sendo sistematicamente substituído por “regime militar”, a não ser quando as matérias trazem declarações do presidente para negar o fato: “para Bolsonaro, não houve ditadura no Brasil”. A palavra “golpe” é ainda mais escondida. No lugar de “aniversário do golpe”, se usa “comemoração de 31 de março de 1964”.

Há relatos, ainda, da não veiculação de reportagens sobre a ação da DPU e da recomendação do MPF (uma estratégia é a substituição da matéria por uma “nota”, para fingir equilíbrio, quando se sabe o valor de cada formato dentro de um jornal), da retirada, redução ou desvalorização de relatos de vítimas da ditadura e até mesmo de dados já amplamente divulgados sobre o número de mortos e desaparecidos no período.

Não se sabe se a orientação veio do governo ou se os gestores da EBC se adiantaram a um possível desconforto governamental e implantaram a censura prévia que, mais do que tentar agradar os governantes utilizando para isso a comunicação pública, tentam reescrever e amenizar os fatos históricos.

Como trabalhadores da comunicação, temos compromisso com o Estado democrático de direito, com a narrativa honesta dos fatos e com a pluralidade de vozes da sociedade. É danoso ao Brasil que as reportagens da EBC, distribuídas gratuitamente para o país e o mundo, tentem esconder ou minimizar os crimes contra a humanidade praticados no período da ditadura militar.

Nos 21 anos que se seguiram ao golpe de 1964, milhares de pessoas foram exiladas, torturadas, estupradas, demitidas, perseguidas, presas e censuradas pelo Estado, entre outros prejuízos à dignidade humana e coletiva. Jornalistas, artistas, professores, advogados, políticos, operários, líderes populares, indígenas, crianças e até mesmo militares das Forças Armadas estão entre as vítimas, que sofreram por não concordarem com a ditadura. É nosso dever lembrar e contar o que aconteceu neste país.

Para que nunca mais se repita. Inclusive a censura.

OBS: Para protestar contra essa situação, conclamamos os colegas a virem trabalhar de roupa preta na segunda-feira, dia 1o de abril.

NOTA DO FNDC SOBRE CENSURA NA EBC

A pouco dias do aniversário de 55 anos do golpe militar de 31 de março de 1964, que deu início a uma ditadura militar que durou 21 anos no país, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) vem retirando de reportagens o uso das palavras “golpe” e “ditadura” para se referir a esse episódio triste e trágico da história brasileira. A censura tem oorrido em matérias de TV, rádio e agências e foi denunciada publicamente pela Comissão de Empregados da empresa pelos Sindicados de Jornalistas e Radialistas do DF, RJ e SP, além de outras entidades que atuam em defesa dos direitos humanos.

Segundo a denúncia das organizações, a cobertura que evidenciou a proibição teve início quando Jair Bolsonaro afirmou que os quartéis deveriam comemorar a data. "Nas reportagens e títulos que tratam sobre o assunto, o termo 'ditadura' está sendo sistematicamente substituído por 'regime militar', a não ser quando as matérias trazem declarações do presidente para negar o fato: "para Bolsonaro, não houve ditadura no Brasil".

Os ataques ao caráter público da EBC tiveram início em 2016, logo após o golpe jurídico-midiático contra presidenta Dilma Rousseff. Desde então, o desmonte da EBC vem se intensificando. A Campanha Calar Jamais! se coloca ao lado dos que defendem a liberdade de expressão, a comunicação pública e rechaçam tentativas espúrias de revisionismo histórico e distorção da realidade dos fatos.

Conheça nossa campanha: www.fndc.org.br
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