Jornalistas que participaram de assembleia realizada no último sábado, 1º de agosto, discutiram estratégias para enfrentar o impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas 2015/2016. A categoria reafirmou sua insatisfação com a proposta dos patrões, que visa impor uma perda real ao oferecer 7% de reajuste contra uma inflação de 8,42%. Além disso, querem voltar a realizar uma nova reunião para tratar do tema em 120 dias (entenda mais abaixo).
Durante a assembleia, os profissionais sinalizaram novamente que não acolham a proposta dos patrões. O artificio utilizado pelos empregadores de cansar a categoria e pressionar para que os jornalistas aceitem o que eles estão colocando na mesa foi muito criticado pelo público presente. Como resposta ao posicionamento dos patrões, os jornalistas acreditam que a crise nas negociações é uma oportunidade para resgatar a união da categoria por meio de ações de mobilização. Uma das sugestões colocadas na assembleia foi a manutenção de mensagens, matérias e outras peças de comunicação explicando o processo e trazendo a situação das negociações de outros estados mostrando como no resto do país os acordos estão garantindo reposição inflacionária nos salários e até mesmo ganho real.
Outra sugestão discutida foi o aumento da frequência da mobilização do dia de preto. Os jornalistas propuseram que o SJPDF elenque um dia da semana para os profissionais irem de preto ao trabalho. Outra sugestão de jornalistas presentes ao encontro, que será colocada para debate junto à categoria, é a possibilidade da categoria entrar em estado de greve. O estado de greve é uma manifestação política de ampliação da mobilização de uma categoria. Não necessariamente aprovar o estado de greve significa ter uma paralisação. Para que esta ocorra, é preciso aprovar em assembleia a data ou primeiramente um indicativo.
Ideias como a utilização de uma tarja preta no braço, reuniões com os jornalistas dentro dos próprios veículos, divulgação de placas em linkes realizados pelos jornalistas ao vivo, atos em frente aos veículos, entre outras, foram apresentadas na assembleia. A intenção dos jornalistas é expor para a sociedade que as empresas não estão respeitando os direitos dos trabalhadores.
Segundo Renata Renata Maffezoli, coordenadora- administrativa do SJPDF, o envolvimento da categoria com as ações nesse momento é muito importante. “Não podemos nos render. Se não nos mobilizarmos e nos unirmos a estratégia dos patrões de cansar a categoria poderá funcionar”, afirmou. Wanderlei Pozzembom, coordenador-geral do SJPDF, reforçou que as estratégias de mobilizações realizadas até agora foram positivas e devem ser encaradas pelos jornalistas como uma grande arma para pressionar os patrões. “Resistência e mobilização são fundamentais para o processo que estamos enfrentando”, completou.
Histórico das negociações
A última proposta dos patrões foi rejeitada em consulta realizada junto à categoria no início de julho. Dos 488 jornalistas votantes, 329 (67,5%) foram contra a oferta das empresas, 142 (29%) se manifestaram a favor e 17 (3,5%) votaram em branco. A maioria dos jornalistas, 276, disse sim para o pedido de dissídio coletivo.
Os patrões oferecem o reajuste salarial de 7%, abaixo do INPC de referência da data-base (8,42%), com retroativo pago de forma parcelada até janeiro de 2016 e mesmo índice para Participação nos Resultados (também conhecida como abono), piso e auxílio-creche. No caso do auxílio-alimentação, o aumento seria para R$ 240 no mês da assinatura da Convenção e R$ 260 em janeiro de 2016 (confira abaixo a proposta dos patrões e da categoria).
Para além de apresentar uma proposta muito ruim, na última reunião que ocorreu em 26/6 os patrões também afirmaram que se a oferta não fosse aceita pela categoria eles só voltariam a se reunir após 120 dias para tratar do assunto. Uma das iniciativas do SJPDF para resolver o problema, conforme indicação da categoria em assembleia, foi impetrar um pedido de medição no Ministério Público do Trabalho (Veja mais aqui).
Mobilização
Um novo dia de mobilização também foi realizado em 16/7, quando os jornalistas vestiram preto como ato de protesto ao posicionamento das empresas. Durante o dia, o SJPDF visitou as principais redações do DF. Os trabalhadores retiraram fotos e publicaram imagens e depoimentos nas redes sociais (confira como foi o dia aqui).
Para ampliar a mobilização, a diretoria do SJPDF criou um grupo de mobilização com o nome #jornalistasmobilizadosDF. Ele está aberto a quem quiser participar, com espaços de diálogo no Facebook e no Whatsapp. O objetivo do grupo é agilizar a troca de informações sobre a campanha e construir conjuntamente novas iniciativas de mobilização. O grupo criado no Facebook é secreto, então somente quem fizer parte dele poderá ver quem o integra e suas publicações. Isso foi feito para que os profissionais possam participar sem constrangimento ou fiscalização por parte das chefias.
>>> ACESSE O GRUPO E SOLICITE ENTRADA <<<
Para integrar o grupo no Whatsapp, o jornalista deve fornecer ao Sindicato seu número de telefone. Ou pode adicionar o número 81129868.
Comparativo das propostas
| Proposta dos Trabalhadores | Proposta dos patrões derrotada | |
| Reajuste Salarial | INPC + 1,75% | 7 % (retroativo pago de forma parcelada até janeiro de 2016) |
| Piso | R$ 2.500 | R$ 2.247 retroativo à data-base |
| PLR |
Teto R$ 2.900 Piso - R$ 2.400 |
Teto R$ 2.675 (7%) Piso $ 1.712,00 (7%) |
| Auxílio-alimentação | R$ 440 (Para quem ganha acima, reajuste segundo o INPC refeição) | R$ 240 no mês da assinatura da CCT e R$ 260 em janeiro de 2016. |
| Auxílio-creche | Mínimo de R$ 550 e reposição segundo INPC | Reajuste de 7%, (a partir do mês da assinatura da CCT) |
| Seguro de Vida | Mesmo valor do reajuste salarial | Reajuste de 7% (a partir do mês da assinatura da CCT) |
| Três cláusulas adicionais |
Horas-extraordinárias Licença-maternidade Adicional para quem produz para mais de um veículo |