Mais um veículo de imprensa, visando corte de custos, promove demissões em sua equipe. Desta vez é o jornal Valor Econômico que, até a tarde desta quinta-feira (23), havia desligado mais de 30 profissionais.
Conforme IMPRENSA apurou, as demissões estão atingindo a sede São Paulo e as sucursais do Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF). As áreas afetadas são arte, tecnologia, redação, diagramação e a plataforma Valor Data.
As áreas administrativa e comercial também estariam na lista de cortes. Ainda segundo apuração, o motivo alegado pela empresa é a redução na folha de pagamentos. Não foi anunciado nenhum corte de suplementos e nem cadernos do jornal até o momento.
A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) emitiu comunicado nesta tarde solicitando uma reunião de emergência com a diretoria do Valor para discutir a situação dos jornalistas demitidos.
Eles irão fazer uma avaliação coletiva do que precisa ser revisto no plano atual.
Na noite desta terça-feita (21/5), às 20h40, morreu o jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo. Mesquita estava internado no Hospital Sírio-Libanês, no centro de São Paulo (SP), desde o dia 25 de abril, para uma cirurgia de retirada de um câncer na base da língua, descoberto recentemente.
Dr. Ruy, como era conhecido, era da terceira geração de uma das mais tradicionais famílias de jornalistas do Brasil. Esteve na linha de frente do jornal por mais de 60 anos. Assumiu a direção do Estadão em 1996, após a morte do irmão Júlio de Mesquita Neto.
Até sua internação, Dr. Ruy era o responsável pelos editoriais do Estadão,considerados um dos melhores da imprensa brasileira, e se reunia diariamente com a equipe. Alguns dos textos eram escritos por ele próprio.
Carreira
Filho do jornalista Júlio de Mesquita Filho, nasceu em 16 de abril de 1925. Cursou direito no Largo de São Francisco (USP) e formou-se na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Iniciou a carreira no jornalismo como repórter em 1948. Durante a trajetória ocupou cargos como redator e editor de internacional. Em 1996, fundou o Jornal da Tarde – publicação encerrada do fim de 2012.
Em 1964, apoiou o Golpe Militar. No entanto, no ano seguinte rompeu com o regime quando os chefes de estado anunciaram o fim da eleições diretas para presidente.
Sob seu comando, o Jornal da Tarde tornou-se um símbolo da resistência ao publicar receitas e poemas no local dos textos vetados pela censura.
Ruy Mesquita era casado, deixa quatro filhos, 12 netos e um bisneto.
O corpo do jornalista está sendo velado na casa da família, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. O enterro está previsto para 15h, no Cemitério da Consolação.
A juíza de Direito da 29ª Vara dos Feitos Cíveis, Comerciais e Relação de Consumo da Comarca de Salvador, determinou, em decisão liminar, que o escritor e jornalista Emiliano José retire de seu site (www.emilianojose.com.br) o artigo denominado “A premonição de Yaiá”, publicado em fevereiro no jornal A Tarde. O jornalista entrevistou D. Maria Helena Carvalho (d. Yaiá) que denunciou o ex-oficial da Polícia Militar, Átila Brandão, como o autor de torturas em seu filho Renato Afonso Carvalho, em 1971, no Quartel dos Dendezeiros.
A juíza decidiu também que o jornal A Tarde assegure direito de resposta, no mesmo espaço, ao hoje pastor da Igreja Batista Caminho das Árvores, de Salvador. A decisão da juíza Marielza Brandão, em despacho referente a uma ação de indenização por danos morais da parte do pastor Átila Brandão, deferiu parcialmente a medida liminar requerida, já que não incluiu direito de resposta na revista Carta Capital, que também publicou matéria intitulada “Corpo amputado querendo se recompor”, em que o hoje professor Renato Afonso confirma as denúncias feitas por sua mãe, D. Yaiá, em depoimento prestado ao jornalista.
A juíza deu um prazo de dez dias para cumprimento da decisão, com multa diária estipulada de R$ 200,00 (duzentos reais) caso haja descumprimento da decisão judicial. Emiliano José vai contestar a ação no Tribunal de Justiça. O advogado Jerônimo Mesquita, que representa o jornalista Emiliano José, afirmou que a ação indenizatória de Átila Brandão está em absoluto confronto com a Constituição Federal. Ele ressalta que o jornalista não pode ser condenado por fazer jornalismo, já que publicou depoimentos prestados por duas pessoas que sofreram na carne atos de violência: D. Yaiá, por ver o filho torturado, e Renato Afonso, por ter sido torturado. O advogado afirma que no arrazoado da ação, o pastor Atila Brandão agride o jornalista ao afirmar ser ele “pau mandado”, “papagaio de pirata” e que “industrializa mentiras”.
Ele considera que se trata de uma tentativa de cercear a liberdade de imprensa e expressão, e também uma despropositada asfixia financeira, já que pede uma verba indenizatória “não inferior a dois milhões de reais”. Emiliano José afirmou que, “ao longo de seus 35 anos de carreira jornalística, esta é a primeira tentativa clara de cercear minha liberdade de expressão, apesar da reportagem ter fonte explícita e estar bem documentada”. Ele considera que o ex-oficial da Polícia Militar “é que deve explicações à Comissão Nacional da Verdade, à Comissão Estadual da Verdade criada pelo governador Jaques Wagner e aos setores da sociedade que se dedicam a revelar a memória da ditadura militar, em busca de justiça e da verdade”. Disse que vai atender a decisão liminar da juíza Marielza Brandão e retirar de seu site o artigo “A premonição de Yaiá”. Mas vai ao Tribunal de Justiça para garantir seu direito de exercer o jornalismo. Segundo ele, “tal decisão acende um sinal amarelo, já que se ignora a Constituição, viola o exercício da profissão e da liberdade de imprensa”.